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Coração Aberto

Quando decidi escrever me senti uma borboleta saindo do casulo. E junto com ela saíram os sentimentos e os pensamentos que muitas vezes não conseguimos transmitir. Descobri que ser poeta é opinar sem medo, escrever é desvincular-se de segredos e expressar-se é viver intensamente.

JosiLuA

terça-feira, 1 de agosto de 2017

A MORTE

Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)


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Já tive muitas pessoas de minha vida despedindo-se desta dimensão. Mas nada me abalou tanto quanto a ida de meu pai. É muito recente, apenas dois meses, e a saudade às vezes dói demais no coração. Mas esse episódio, vivido dia a dia e aos poucos, trouxe à consciência superior o pensar sobre a morte.

Os apegos da vida são o medo de morrer, disso não tenho dúvidas. Para alguns, deixar seus amados, para outros, infelizmente, seus bens materiais. As pessoas desviam deste assunto, porque sabem que um dia sua hora vai chegar, inevitavelmente. A matéria, por mais que seja clonada, não é o espírito. E o espírito, a essência de ser, se vai. 

A morte é um assunto que deveria ser abordado com mais naturalidade. Depois do que vivi ao lado de um pai sofrendo num corpo inerte, aprendi a aceitar a morte como um novo renascimento. Eu tinha medo de morrer e não poder presenciar a vida de quem amo incondicionalmente. Mas acredito que Deus abre as portas para nos receber quando estamos prontos a exercer nova missão.

Quem se lembra do que era antes de ser uma semente no útero materno? Onde nós estávamos? E o que fazíamos? Será que não fomos nada além do que somos hoje? Se pensarmos assim, a morte realmente parecerá mais tenebrosa, pois hoje somos alguém e amanhã seremos nada.

Talvez o que mais nos amedronte seja a forma de morrer. Todos gostariam de morrer dormindo. Mas nem todos nascem de parto natural, uns vem à fórceps, outros cesariana. Uns vem em cinco minutos, outros em doze horas. Acho que da mesma forma, somos enviados para outra dimensão, conforme nossas escolhas ou apegos.

Mesmo na vida, estamos diariamente morrendo de alguma forma. Alguns dizem que a partir de nosso nascimento, já começamos a morrer. Como as plantas que tem seu ciclo. Mas morremos não só de corpo físico. Podemos estar vivos, mas morrermos para diversas atitudes, palavras e pessoas em nossas vidas.

Você nunca disse "tal pessoa morreu para mim"? Ou talvez "eu morro, mas não quero mais fazer isso"! Morrer é deixar livre acesso para outras energias, é abrir mão de uma forma de viver incômoda para libertar corpo, mente e espírito. Por que não temos medo desse tipo de morte? Existe algo muito profundo em nós que temos que trabalhar para deixarmos essa vida um dia, em paz. Isso se chama orgulho. 

O orgulho nos faz arrogantes, achando que somos melhores que qualquer um e que este mundo não pode viver sem nós. Lamento informar: pode e vai! Vão sentir nossa falta (talvez), mas vão continuar a rir, a se divertir e a viver. Porque cada alma tem esse direito e uma missão. Precisa dar continuidade. O dia que desenvolvermos o autoconhecimento, buscando entender a nós mesmos, sem a manifestação errônea de que nossa vida é mais importante que a de outro, quem sabe ganhamos de Deus a passagem mais tranquila.

Talvez a maneira certa de se morrer, seja realmente a de poder olhar nossas vidas de fora do corpo e observar os erros que cometemos a cada dia. Será que não teríamos vergonha de nós mesmos? Porque é muito fácil julgar alguém que está em evidência, saindo nas mídias, ou sendo a fofoca do dia. Mas, se você olhar de fora de você mesmo, talvez venha julgar seus atos como indecentes, mesquinhos e inescrupulosos. Então, morra para isso e viva melhor.

Morra para atos que te tragam uma saúde decadente, morra para palavras que venham te prejudicar ou causar arrependimentos, morra para a derrota, a preguiça, a falta de fé. Morra para tudo aquilo que não cabe na sua essência divina. Morra para o que te incomoda, o que te fadiga ao extremo, o que não te faz feliz. Porque se você não morrer em vida para essas coisas, sua morte terá chegado bem antes de sair de cena desta dimensão.

NAMASTÊ