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Coração Aberto

Quando decidi escrever me senti uma borboleta saindo do casulo. E junto com ela saíram os sentimentos e os pensamentos que muitas vezes não conseguimos transmitir. Descobri que ser poeta é opinar sem medo, escrever é desvincular-se de segredos e expressar-se é viver intensamente.

JosiLuA

quinta-feira, 28 de maio de 2015

LEMBRANÇAS DE UM TEMPO BOM

Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)


Dias atrás, com aquele solzinho quase de meio-dia, mas morno o suficiente para outono, resolvi deitar-me no chão da calçada de casa para me aquecer e ter um momento de tranquilidade. Minha neta mais velha estava comigo. De repente, para brincar com ela que é tão enérgica, mas ao mesmo tempo não perder o momento de paz que estava sentindo, pedi à ela que se deitasse ao meu lado e viesse observar o que eu estava vendo.

Curiosa como é, imediatamente deitou-se e perguntou: o que você quer que eu veja, vovó? Eu apontei para o céu e pedi que olhasse as nuvens brancas correndo com o vento. Algumas chegavam a fazer redemoinhos, mas outras lentamente formavam bichos e objetos. Ela se animou e começou a dizer o que via. Eram dragões soltando fogo, casas, sapos e outras coisas que nossa imaginação nos fazia ver.

Isso me fez pensar nos tempos de outrora, quando esse tipo de coisa era quase uma rotina. O tempo parecia a nosso favor. E comecei a me lembrar de coisas que fazíamos e que realmente era tão bom.

Deitar num cobertor no jardim para analisar as nuvens era uma constante. Principalmente quando as famílias se reuniam num piquenique no meio da mata, sem ter com o que se preocupar. Falo de piqueniques com toalhas no chão e redes amarradas em árvores. Quem fez isso sabe o valor destes momentos. 

Era maravilhoso também subir em árvores frutíferas que tínhamos em nossas próprias casas. Colher frutas frescas, sem agrotóxico e saboreá-las sentados em roda de crianças. Hoje, infelizmente as pessoas simplesmente cortam suas árvores, sem saber o verdadeiro significado e valor que elas têm.

As crianças de hoje podem ter mais tecnologia nas mãos, mas não sabem o que é cansar de brincar. Quando não ficam o dia todo internos num colégio, estão com tablets e computadores nas mãos. E as experiências maravilhosas que terão para contar aos netos serão quais?

Brincávamos de fazer cabanas no meio de terrenos baldios, colhíamos diversos tipos de folhas e plantas para passar o giz de cera por elas no papel, carpíamos um lote para fazer um campinho de futebol e, ao chegar a noite, a sensação era de se ter vivido intensamente.

O que aconteceu com esse tempo tão gratificante? Tenho a impressão de que as crianças daquela época brincavam com o corpo, com a mente, com a alma. Festas juninas eram feitas nas ruas, com fogueiras e a vizinhança toda unida, trazia suas cadeiras e algo para juntar às comilanças. Hoje, male mal os vizinhos dizem bom dia.

As aulas de ciência eram mais reais, pois tínhamos conhecimento técnico do que eram os insetos, andando pelo mato. Brincávamos com os grilos, os vagalumes, os formigueiros e os sapos. Ah, os sapos sempre apareciam nos dia de chuva! Pulavam de um lado para outro com seus coachados e nós pulávamos atrás deles. Onde estão eles agora?

Andar de bicicleta na rua era quase uma regra. Não havia perigo ou, se tinha, nossa mente ainda não tinha sido tão massacrada com ele. Pular corda com todos da rua, amarelinha e brincar de pega-pega eram brincadeiras que íam até tarde da noite. Sentir o cheiro do pão feito em casa ou da comida no forno a lenha, realmente não tem preço.

E, ao passar o homem do picolé ( aquele que tocava a gaitinha, lembram?) era uma correria para comprar o de milho verde, de côco, de morango ou de chocolate com gosto de toddy! Cansei de ir caçar siri na beira do mar em noite de lua cheia, com um chapéu de palha nas mãos. Ou de pular de pinguela para nadar em rios cristalinos, com a areia fofa e limpa. Por acaso você lembra de brincar com os cipós em cima de rios, de um lado para outro?

O que posso dizer? A vida muda, temos agora o progresso, a tecnologia e muito mais conforto! Mas, onde ficaram as amizades, os momentos de contato com a natureza, o exercício físico de correr ou andar mais?

Hoje, as pessoas se importam com um sofá que afunde suas nádegas, um carro que marque sua chegada a um lugar ou com a roupa que você só possa usar uma vez e descartar, porque alguém já viu. O piquenique é no fast food. Os bichos são os mortos em museus ou em salas de aula.

Lamento que algumas crianças de hoje, jamais poderão saber que a Terra onde moram tem tantos lugares maravilhosos para se observar, analisar, descobrir por seus próprios meios. 

Talvez em algum lugar longe dos grandes centros, algumas delas ainda possam sentir a terra nos pés, a textura das plantas nas mãos e o sabor da fruta que colheram.

Este texto pede que você me ajude a relembrar. Então, se sua infância te traz boas recordações, escreva aqui pelo menos uma delas para que possamos ter a lembrança de um tempo bom! Quem sabe alguém se anime hoje e leve seu filho para um programa "de índio", como dizem alguns. Não sabendo que estes programas são os melhores.

Namastê




segunda-feira, 11 de maio de 2015

PARE, OLHE, ESCUTE

Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)



Quem pensa que está no seu controle total,
pode estar totalmente equivocado.
Se não se der conta que o mundo atual,
o está agarrando com ferramentas infernais,
deixando-o freneticamente mudado!

É tanta tecnologia acabando com a interação humana,
que vejo pessoas cada vez mais longe dos seus.
Abraços e beijos são simplesmente enviados,
por figuras representando quem as ofereceu.

Não há mais momentos de ouvir quem vos fala,
os olhares já não enxergam realmente.
Que falar então dos momentos à noite,
em que os amantes do computador, são concorrentes!

O atual dos atuais é o famoso whatsapp,
que tirou toda a atenção da reunião em família.
Nada mais se faz pelo simples prazer,
sem ter que divulgar no facebook,
esperando as curtidas para o ego ascender.

E viva a tecnologia! É ela o que realmente importa?
Esqueça um pouco o aparelhinho e deixe os sentimentos aflorar.
Você pode estar deixando de ver o mundo,
De ouvir o som do universo,
de parar para sentir sua vida pulsando...

Está perdendo grandes gestos de carinho,
está deixando de ver seus filhos crescerem.
Tem gente precisando do seu olhar neste caminho,
O tempo não pára e vocês serão o algoz da vida que perderem.

Perceba o quanto está sendo controlado,
analise a fundo o que está abandonando.
Pare, olhe, escute a vida ao seu redor,
antes que seja tarde e perca quem esteja amando.

Tem gente tão neurótica por seus aparelhinhos,
que não percebe o mal que faz a si e ao redor.
Tem crianças deixando de ser observadas,
tem aluno enganando professor,
tem pessoas indo embora não sendo amadas.

O mundo é tão intenso e belo,
os momentos que temos para união estão cada vez menores.
Por que não aproveitar o máximo,
deixando de lado tais obsessores?

Seja você o controle de sua vida.
Pare, olhe e escute os que dela fazem parte.
Sinta, observe e procure se inteirar,
respire, toque e lembre o que é amar...!


Namastê




sábado, 9 de maio de 2015

MÃES DO MUNDO

Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)



Não é fácil ser mãe. Isso inclui todo tipo de sentimento. Amor, raiva, ciúme, tristeza, dor, agonia, medo, desespero e outros que vão no decorrer de toda uma vida criando mais força ou mais tristeza.

Hoje escrevo para as mães do mundo. No meu entender, elas são mágicas. Têm tanta força em seu interior que, apesar de toda carga que carregam, continuam firmes no propósito de aconchegar, orientar e amar.

Algumas mulheres querem ser mães, outras apenas o são porque o mundo as obrigou (se é que se pode falar assim).

Algumas mulheres não entenderam ainda o verdadeiro papel de mãe e se colocam na posição de protetoras extremistas, esquecendo que a vida gerada precisa respirar.

Algumas mulheres concorrem com seus filhos querendo ter a mesma idade que eles sempre, não deixando que eles possam olhá-la como um ser maduro, pronto a orientar. 

Algumas mulheres são mães manipuladoras, sempre prontas a organizar a vida de seus filhos e se não ocorre isso ficam neuróticas.

Papel de mãe é dar a vida. E, como disse um amigo meu, mãe deveria ter prazo de validade. Acabou a validade, acabou seu papel de mãe e os filhos deveriam andar por si só. Não só por eles, mas por elas também, pois também há mães fatigadas pelo sufoco de seus filhos que imaginam-na uma deusa que deve estar sempre pronta a resgatá-los de todo tipo de problemas.

Mas mãe é um título que se leva para toda a vida. Alguns reconhecem plenamente o cansaço dela. Outros parecem que não crescem nunca. Sempre acham um meio de envolvê-la nos mais diversos tipos de sentimentos.

As mães do mundo são passarinhos, são tigresas, são éguas, são sapinhas, são lagartixas e todas do tipo animal. Pois elas fazem nascer, cuidam e preservam o tempo necessário e entregam ao mundo.

Isso não quer dizer que não devam existir laços, ajuda mútua, carinho e união. Pois que estes atos e sentimentos fazem parte da raça humana. Mãe não é uma deusa que tudo pode e tudo resolve. Mãe não pode sufocar, nem co-existir na aura de seu filho.

As mães do mundo também são aquelas que adotam filhos temporários e estão lá orientando e auxiliando para que aquela criança possa ainda existir. Mas um dia, depois de feito o trabalho, ela se vai...

Sem levar em conta os sentimentos e laços criados entre os seres, podemos considerar que nós mães, somos a urna que emana luz. E que cada luz deve ser bem orientada a encontrar e iluminar seu caminho. Porém, não cabe à mãe a decisão de qual caminho deve ser tomado. Depois de orientada, amada e muito bem esclarecida sobre o mundo, cada luzinha poderá se tornar muito iluminada ou simplesmente se apagar. Pois cada filho tem seu coração e deve buscar o que quer para sua vida.

Infelizmente, muitas mães passam a vida tristes com sua criação. Mas não devem se culpar caso tenham se esforçado para que seus filhos tenham tido toda orientação necessária. E os filhos não devem culpar suas mães pela vida que resolveram seguir.

Acho que mais que presentes, mãe deveria ser respeitada. Não é fácil ser mãe. Muitas vezes, ao invés de coisas materiais, a mãe só quer se sentir lembrada, queira por um telefonema, uma carta, uma visita, uma conversinha.

Mãe é esse ser forte e ao mesmo tempo fraco por não saber exatamente o que fazer com tanto amor.
Mãe é a vontade de acertar, com diversos erros pelo caminho.
Mãe é o desejo de se orgulhar, pecando em impor.
Mãe é o algoz que  coloca no mundo e, se não tomar cuidado, tira a vida dos filhos por causa de ser mal resolvida com si mesma.
Mas Mãe também é o lugar de aconchego e o abraço que você não encontrará em mais ninguém nesse mundo.

Neste dia das Mães decifre a sua. Ao invés de jogar um presente na frente dela, olhe-a nos olhos e acabará enxergando lições de vida.


Namastê


terça-feira, 5 de maio de 2015

A FOTO

Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)

Homenagem a todos os fotógrafos, profissionais ou não, que fazem a vida ser registrada e admirada.


Era uma vez uma foto. Preta e branca, já não tão preta e nem tão branca. Meio amarelada.
Nasceu de mãos ainda trêmulas, sem muita experiência em nascimento de fotos.

Na época, apesar da vida ser colorida, ela era desnuda de cor. Mesmo assim, era inacreditavelmente especial... linda...!

Seu criador era meticuloso, cauteloso e engenhoso. Talvez ficasse horas espreitando a oportunidade certa. Nada o fazia mais compenetrado, do que conseguir criar algo que marcasse para sempre sua existência.

Mexia na câmera pra lá e pra cá. Virava tudo que era botão, tentando ajeitar o foco e conseguir a melhor imagem. Sabia como fazê-lo, mas cada nascimento o deixava nervoso, ansioso até.

Mas esta, especialmente esta, tinha que ser a melhor. Afinal, tinha esperado por este momento. E ele veio.

Chegou a suar nas mãos, tossir de nervoso e não conseguia encontrar a posição ideal de seu próprio corpo para que não tremesse na hora H.

Deitou-se de bruço tentando um ângulo melhor, levantou, subiu em algo, ficou de cócoras. Ele só pensava que não podia perder o momento. Não devia se embromar demais. Coçou a cabeça, depois os olhos.

Ele seria o grande responsável pelo que criaria. Só ele, mais ninguém poderia dar origem ao registro de tal imagem. Poderia ser parecida, mas nunca, em hipótese alguma seria idêntica.

Conferiu novamente a câmera, certificou-se dos detalhes, da luz e resolveu: chegou o momento! 

Em posição estratégica, sem respirar, apertou o botão. Clic! Apenas um ruído. Lá estava ela, dentro do filme. A sua nova autoria! Só restava agora revelar ao mundo. Ela, sem dúvida, seria a melhor, a mais cobiçada e elogiada. Tinha tido paciência, buscou o momento certo.

Imediatamente foi revelá-la. Ficou embevecido! Não imaginava o quanto ele era um artista. Ela era perfeita, indescritivelmente sedutora. Com certeza, embriagaria muitos olhos e corações com alegria e amor.

Ao levá-la para casa, iniciou-se uma série de pensamentos direcionados ao futuro. Afinal, sua obra de arte haveria de lhe abrir portas. Colocou-a bem exposta, num local de fácil visualização. E cada vez que olhava para ela, sentia orgulho de si mesmo.

Ao passar de uma semana, já tinha quatro irmãs ao seu lado. Num mês, era um painel e aquela foto já não chamava mais tanto a atenção, obscurecida por outras tantas imagens. A vontade de ser cada vez melhor, fez com que o criador se especializasse, comprasse material sofisticado e se aprofundasse em novas descobertas.

Faltou lugar no painel e algumas foram sendo retiradas. E ela, justo ela que tanta inspiração gerou, foi trocada. E agora, sozinha e desamparada vive no fundo de uma gaveta, cheirando a naftalina. Amarelou mesmo e perdeu a nitidez.

Mas ela existiu e inspirou. E ela teve seu tempo, sua glória e o criador sabe que deve à ela o mérito de ele mesmo ter se descoberto. E só por isso valeu a pena existir...!

Não se decepcionou. Ele veio buscá-la. E agora, descansa em paz no melhor porta fotos, em local de respeito.


Namastê



Você me enche de orgulho, meu irmão Marcos Amend. :)






O CAMINHO

Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)




Caminhei... 
Com os pés descalços, por entre rochas e espinhos.

Encontrei...
Água cristalina e gelada para o conforto dos meus pés.

Senti...
A areia fina parecendo veludo, amortecendo a dor.

Continuei...
Rumo ao encontro que sempre sonhei.

Observei...
Tudo que estava ao meu redor, desde o pequeno até o infinito.

Analisei...
Minha vida através das imagens.

Questionei...
Quão inexperiente estaria eu para a vida?

Suspirei...
E me envolvi no meu próprio pranto.

Chorei...
Mas a dor no peito aos poucos foi embora.

Rezei...
E as forças voltaram para meu corpo.

Lamentei...
O tempo que perdi sendo tão cega.

Pedi...
Que pudesse estar no caminho certo, agora.

Percebi...
Que nada faz sentido se não fazemos parte do todo.

Gritei...
E meu alto sussurro foi em vão.

Sussurrei...
E me achei dentro de mim.

Cheguei...
E nem meus pés sinto mais.
Me envolvi completamente no que buscava...

Namastê