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Coração Aberto

Quando decidi escrever me senti uma borboleta saindo do casulo. E junto com ela saíram os sentimentos e os pensamentos que muitas vezes não conseguimos transmitir. Descobri que ser poeta é opinar sem medo, escrever é desvincular-se de segredos e expressar-se é viver intensamente.

JosiLuA

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

AQUI JAZ

 Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)



Aqui jaz alguém que carregou pedras de diversos tamanhos e formas. Mas também embalou nos braços pedras preciosas, brilhantes e lindas.

Aqui jaz uma mulher ferida no coração com flechas vindas de quem jamais esperava, mas com curativos tão amorosos e inesperados, que conseguiu vencer a decepção.

Aqui jaz uma feiticeira pronta a levar alguns para seu caldeirão, mas deixou que o tempo e o universo fizessem seu trabalho.

Aqui jaz um corpo cansado, não de trabalhar, mas de engolir sapos, de servir de almofada de alfinetes e de ser usada como recurso para o bem estar de alguém.

Aqui jaz uma alma sofrida, chorosa e triste, mas que soube encarar a vida de frente, não desistindo de chegar no ponto final.

Aqui jaz uma amiga fiel, que dedicou seu tempo e carinho para algumas pessoas que não mereceram, pois faltou-lhes tato e paciência.

Aqui jaz alguém que viveu plenamente o que pôde,  o que conseguiu e o que teve vontade, não se deixando levar por medos, invejas e pessoas negativas.

Aqui jaz à aventureira, a amante, a mãe,  a avó,  a filha, a profissional, a criança e todos os papéis que exerceu, agora jogados ao vento para serem julgados em algum lugar da inexistência.

NAMASTÊ 

POSICIONAMENTO

 Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)



Eu não me afastei, o momento mudou.
Eu não mudei, os sentimentos estão confusos.
Eu não estou estranha, talvez menos flexível.
Eu me calei, porque senti que minha voz não tinha força.
Eu estou em escolhas,  para não ser pega de surpresa, não me frustrar.
Eu estou aprendendo a não julgar, porque não posso controlar tudo.
Eu me dou o direito de não cobrar, para não criar expectativas.
Eu estou me libertando aos poucos, para ter paz e poder ser justa.
Eu defino o que quero saber, para não tumultuar o meu interior de bagagens que não posso resolver.
Eu continuo emanando paz e luz a todos que amo, sem que eles saibam.
Eu apenas me busco onde não me encontrava.
Me desejo, onde tenha consciência.
Me solto, onde encontro amor e compreensão.
Me aconchego em quem me valoriza.
Não deixei de amar, apenas me posicionei para não ter decepções.
Não sei se chegarei, nem sei se estou certa.
Apenas sigo em frente, na certeza de que algo bom, justo e iluminado um dia vai desabrochar em mim.

NAMASTÊ 

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

VENTO NECESSÁRIO

 Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)



Ventou...
Varreu o pensamento, carregou a tristeza.
Ventou tão forte que as folhas se debateram, os sinos tocaram e as nuvens correram.

Não houve chance de segurar dentro de si o que queria. O destino libertou, o vento levou.
Sentiu um pouco do frio, pois o vento era gelado. Embrulhou-se na própria esperança de não perder mais nada.

Quis segurar o tempo, mas ele correu, levado pela rajada da vida.
Quis segurar o amor, mas foi levado pela insegurança e medo.
Quis segurar a beleza, mas a poeira e os frutos partidos se chocaram contra sua pele, e ela se foi.
Quis sentir a liberdade, mas o vento roubou-lhe o passaporte.

Sentiu -se nu, despido do próprio orgulho.
Levantou os braços tentando impedir o vento de levar o que queria guardar. Mas o vento insano fez questão de mostrar seu poder e carregou também o que nem ele sabia que tinha dentro de si.

Desesperado, sentiu-se completamente carente, acostumado à toda carga que podia carregar. O vento assoviou e ele estremeceu.
As perdas foram muitas. Tantas, que ele simplesmente mudou. Não era mais o mesmo.

O vento levou o que já era um caso perdido. Deixou-o mais leve e ele finalmente entendeu que o que o vento leva, não é para nos tirar, mas para nos limpar. Agora, ele entende o vento e o respeita, deixando que seu trabalho seja a grande transformação na sua vida. O vento parou e ele... mudou! E a partir deste dia, observou-se melhor para não se permitir carregar o que não podia. 

Ele sabia que quando o vento soprasse novamente, não teria mais medo. Se deixaria limpar e pertencer... só pertencer...


NAMASTÊ 

COISAS BOAS

 Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)



A onda perfeita quebrando no mar calmo. 

O olhar da criança para o brinquedo na vitrine. 

A sensação de paz ao ajoelhar-se numa igreja. 

O vagalume brilhando numa noite de lua nova. 

O cantar do pássaro solitário no meio da floresta. 

O barulho dos remos deslizando no riacho tranquilo. 

O pico da montanha mais alta coberto de neve. 

O cheiro do café passado na hora. 

A árvore de Natal piscando e colorida. 

O frescor no rosto numa viagem de trem. 

A sensação de segurar um filho ou neto que acabou de nascer. 

A leveza nos passos dos dançarinos profissionais.

A música suave que relaxa e nos transporta a lindas lembranças. 

A delícia de saborear uma fruta doce e fresca. 

A essência da Terra quando começa a chuva.

O entusiasmo de marcar uma viagem para o lugar dos sonhos. 

O barulho da chuva suave no telhado.

A alegria de rever um velho e inesquecível amigo. 

A flor que desabrocha repentinamente no jardim. 

O carinho inesperado.

Os sons distintos e até engraçados dos animais na natureza.

A fatia de bolo que acabou de sair do forno.

O calor da chegada do verão. 

O brilho reluzente da lua no lago tranquilo do vale. 

A revoada de pássaros. 

O silêncio da mata. 

O banho de cachoeira.

O colorido dos mercados de rua. 

O encontro com um sorriso sincero e cheio de luz.

O abraço caloroso de quem se ama.

Coisas boas que fazem valer a pena e ter força para seguir em frente.

NAMASTÊ 

SILÊNCIO

 Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)



Silêncio é cansaço.
Cansaço de discutir, de ouvir, de ter expectativas.
Silêncio é respeito.
Respeito pelo amor, pela dor, pela idade e por si mesmo.
Silêncio é resignação.
Resignar-se à loucura, ao desrespeito, à mágoa.
Silêncio é tristeza.
Tristeza com situações, pessoas e atitudes.

Quando silenciamos, estamos esgotados. Não suportamos mais agressividade, insanidades e o que é inadequado para nós. Existem pessoas que encaram o mundo como um lugar onde todos lhes devem obrigações e favores, esquecendo que no coração de cada um existe uma história, medos e incertezas. Ou que cada pessoa tem sua própria bagagem, compromissos e tarefas. Essas pessoas são aquelas que cobram tudo, porque se aproveitam dos outros para viver. São parasitas, individualistas, achando que o mundo deve lhes servir, seja lá como for. Quem convive com alguém assim, tende a adoecer, pois é sugado energeticamente. 

Se não queremos brigar, ou estamos no meio de uma situação que nos impeça de retribuir a agressividade, acabamos no silêncio, engolindo palavras e sofrendo. Muitos foram educados no silêncio, impedidos de se manifestar e se tornam adultos vulneráveis. Não sabem e não conseguem se proteger. Por outro lado, explodir não é educação, é loucura.

Mas o silêncio também é uma arma contra os causadores de brigas. Deixar alguém falando sozinho é uma forma de virar o jogo. Não devemos ter medo de nos proteger desligando telefones ou não atendendo quem só nos traz desconforto. Sair e deixar alguém falando sozinho pode ser outra maneira de evitar explosões. 

O silêncio pode ou não ser benéfico.  Quando se trata de nos aliviar, devemos simplesmente ouvir nossa voz interior. Mas quando se trata de nos afastar do mundo, devemos ao menos buscar alguém que confiamos para desabafar.

Precisamos também tentar aquietar o mais importante: nós mesmos. Pois quando há muita bagunça nos próprios pensamentos, nada flui perfeitamente. Não ouvir nossa mente pedindo socorro, pode ser a pior forma de indefinição dos nossos atos. Por isso, tão importante se faz aquietar a mente. Colocaremos prioridades para nossas vidas e bem estar no coração. E os outros que aprendam a nos respeitar e nos dar tempo ou, se for o caso, que comecem a sentir nossa ausência. 

NAMASTÊ