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Coração Aberto

Quando decidi escrever me senti uma borboleta saindo do casulo. E junto com ela saíram os sentimentos e os pensamentos que muitas vezes não conseguimos transmitir. Descobri que ser poeta é opinar sem medo, escrever é desvincular-se de segredos e expressar-se é viver intensamente.

JosiLuA

sexta-feira, 26 de junho de 2026

VOCE É O QUE É, SEMPRE?

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Tirando alguns fatores como a presença de muitas pessoas estranhas à nossa convivência e talvez o próprio protocolo social, percebo muitos camaleões sociais, cujo comportamento muda completamente em reuniões. Se fosse só o comportamento, talvez não fosse tão preocupante quanto o é sobre a própria personalidade, que se transforma. E isso nos diz muito sobre pessoas, em quem confiar e com quem queremos estar, afinal se alguém muda seu jeito, suas palavras e atitudes, algo não está tão explícito sobre quem ela realmente é.

Todos devem conhecer alguém divertido, engraçado, humilde e simples quando está conosco, mas que se transforma em arrogante, onisciente e irritante quando está em grupo. Aquela pessoa que faz questão de te deixar sem graça com comentários desnecessários sobre seu jeito. E o que leva uma pessoa ser esse camaleão social?

Quando somos autênticos em qualquer lugar ou com qualquer pessoa, isto pode ser motivo de inveja ou ciúmes, levando o outro a tentar chamar a atenção para si através de atitudes que a sociedade elegeu como "elegância", mas que na verdade é apenas um rótulo na garrafa que não faz parte do conteúdo interior. 

O que é original é especial. E não estamos falando de comportamento imoral ou inadequado, que têm a ver com a educação. É sobre ser fiel a si mesmo, sendo alegre, compreensivo e protetor não só entre duas pessoas, mas a todo momento. Como julgar alguém que quando está a sós conosco é um e no social se transforma em irritante e cheio de moral, buscando oportunidades para nos envergonhar? 

Precisamos ser quem somos, sem medo de avaliações vindas de pessoas que não são felizes, não são honestas consigo mesmas e nunca saberão o que é ser quem realmente queremos ser. Pessoas transparentes são sinônimo de confiança e poder. Têm energia da luz divina e, talvez por isso, sejam alvos dos que não conseguem se iluminar, a não ser comprando pessoas com palavras que todos querem ouvir, ou com encenações de bondade.

É triste gostar de alguém, mas perceber este tipo de atitude quando estamos com outras pessoas. A única explicação é a de que estes oportunistas sociais precisam de aplausos e conquistar pessoas com a mesma energia, a fim de obscurecer quem brilha. Humilhar é uma forma de se colocar acima do outro, provocando queda energética em quem brilha. Quem concorda com as chacotas, provavelmente tem a mesma índole.

Admiro aqueles que tem coragem de ser exatamente o que são, pois é deles que vem a verdade. E conseguimos saber exatamente quem se fantasia e quem é o que é, estando a sós conosco ou numa multidão. Assim são os grandes e únicos que, muitas vezes são temidos pela real coragem de ser por fora o que são por dentro. Portanto, ser original é um grande avanço em toda energia que circula ao nosso redor, capacitando o entendimento de quem somos nós! Ganhar pontos é quem ainda joga com a própria vida, sem compreender que a beleza está em ser quem se é.

NAMASTÊ 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

O AMOR E O INVERNO

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Pode fazer o frio que fizer, meu coração sempre estará aquecido.

Um vento gelado, às vezes, pode até balançar a esperança, mas ele é forte. Espera, suporta e não se entrega. Ama apesar de! 

E o amor é assim. A gente treme, mas aquece. A gente chove, mas o sol aparece. A gente silencia, mas só da boca para fora, porque por dentro gritamos, sentimos e expandimos. E como é bom acordar amando! Parece que tudo fica mais fácil, bonito e iluminado. 

Como no frio, que cobrimos o corpo com mais roupas, o coração também se aquece mais com a bondade, a lembrança e o carinho vindo ao nosso encontro. Nem sempre respondemos aqueles que entregam diariamente sua afeição por nós com seus "bom dias". É como se colocassem uma echarpe num coração que possa estar frio e endurecido, magoado ou apenas distante. Mas esse coração se aquece e entende que é lembrado. E suspiros são como o vapor que sai do gelo aquecido.

É por isso que abraços são tão bons e aconchegantes. Os corações se tocam e o calor dilata. Se pudéssemos ver a energia que o amor causa num abraço verdadeiro, talvez isso se tornasse mais frequente. Porque envolve não só as pessoas, mas tudo ao redor. É como o sol que derrete aos poucos a geada. E quantos precisam derreter o gelo acumulado em seus corações!

Quem tem um pouco mais de sensibilidade, sabe que olhando nos olhos de alguém, que são as portas do coração, percebe quando esta pessoa precisa ser agasalhada, aquecendo seu coração e dando esperança para continuar. Talvez ela se esquive, conforme a raiva ou mágoa guardados, mas com jeitinho podemos perguntar se quer experimentar um casaco quentinho. E muitas se entregam!

O inverno tem essa beleza de momentos mais juntos e a vontade de expandir nosso calor, principalmente para aqueles que estão frios em sentimentos. Vamos doar o que temos sobrando! E, se estamos felizes e com o amor em dia, por que não levar esse amor e calor aos que estão esperando pela luz aquecer suas vidas? Isto é pura energia se ampliando para o universo. Seremos instrumentos a tocar músicas mais suaves e ritmos que embalam qualquer coração.

NAMASTÊ 


sexta-feira, 19 de junho de 2026

AS DESCULPAS QUE MAGOAM

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Já reparou como temos mania de encontrar respostas para o desprezo ou erro das pessoas que amamos? "Ah, coitada, está muito cansada! Ele tá cheio de coisas na cabeça! Eles são assim meio estranhos! O marido ou a esposa não deixa ela ou ele ter atitude!" E por aí vão as desculpas. Protegemos naturalmente aqueles que nos são valiosos, mesmo sabendo que não é bem a verdade. Mas, nos conformarmos com as desculpas que damos para a ingratidão, descaso ou desfeita de tais pessoas, coloca um curativo no nosso coração entristecido amenizando a dor, mesmo sabendo que não é bem a verdade.

Ainda não somos verdadeiros o suficiente ao ponto de dizer "não quero fazer isto ou me encontrar com você neste momento". O jeito de falar é que muda tudo.  Normalmente, para nos impor e já colocar um ponto final no assunto, falamos num tom não muito acolhedor e isto acaba ferindo. Talvez por medo disto, por orgulho ou pela simples falta de coragem em dizer o que pensamos, inventamos histórias que nem sempre se encaixam perfeitamente no contexto. Ambos os lados sabem que há uma mentira naquela página, mas convivemos com ela para não criar intrigas.

Na verdade, o que acaba machucando mesmo é que criamos expectativas sobre o que gostaríamos de fazer com ou por alguém, mas nos deparamos com um bloqueio na estrada. Precisamos sofrer com isto? É a pergunta que vale ouro! Infelizmente, há uma série de sentimentos que começam a brotar sobre se somos amados, se nossa companhia é maçante, se somos um peso físico, emocional ou financeiro e isto tudo acaba nos levando a questionar a vida. Se não conseguimos nos desvencilhar disto tudo, entramos em depressão. E, mesmo se nos chamam, às vezes, não conseguimos mais ser autênticos, receando nos tornar incompreendidos. Isto acontece muito, mesmo que se negue ou se tente esconder com frases como "eu não estou nem aí", " eu não ligo, sou mais eu" ou "sempre tem quem me queira por perto". Da boca para fora somos poderosos, independentes e donos de si, porém no fundo da alma as lamentações fervilham e vão acumulando dores. 

Infelizmente, dores estas que desequilibram a energia vital, trazendo alguns problemas de saúde. Somos seres necessitados de conforto e amor. Gostamos de ser presentes e de sermos lembrados. Precisamos das oportunidades que nos façam sentir necessários e presentes na vida dos que amamos e até dos que nos rodeiam. Portanto, dê uma chance para quem quer te ajudar e estar contigo. Estará produzindo bem estar a um mundo tão egoísta e sem empatia. Essa transformação é sua, é minha, é nossa, sendo autênticos sobre os por quês. 

A dor invisível que afeta os corações é muito silenciosa. Ela vai se acumulando e precisa esforço diário para curar. E só a alegria de se sentir amado e presente na vida das pessoas, traz novamente a força de continuar. Precisamos realmente prestar atenção em nossas palavras e na forma com que saem da boca, sem afetar os que nos querem bem. E, antes que a companhia deles não seja mais possível, é necessário buscar um tempo para acolhê-los sempre que pudermos.

NAMASTÊ 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

É FÁCIL DESAPEGAR?

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Aprender a desapegar nem sempre é tão fácil. Talvez doar umas roupas, o brinquedo ou o livro não seja um incômodo, mas deixar para trás histórias e momentos, remexem muito com sentimentos que nos fizeram felizes, crescer e ensinar. É o caso de vender uma casa, por exemplo. Precisamos desapegar com felicidade, quando vemos que a vida seguiu rumos melhores, que a prosperidade veio ao nosso encontro.

Porém, nem sempre deixar o simples, o básico e o aconchegante por algo mais luxuoso nos fará tão ou mais felizes, do que aquele lugar onde encontramos a energia que se ajustava a nós. Podemos até sentir aquela pequena vaidade por ter algo que possa deixar os outros de boca aberta, mas às vezes, há um buraco no coração que não fecha. E nos sentimos meio deslocados quanto ao conforto, à praticidade ou algo mais profundo, como um ninho mais íntimo e cheio de histórias.

O desapegar tem a ver com toda bagagem que precisamos trocar da mente e do coração. Há um certo medo no novo, que pode ou não trazer a satisfação esperada. Acontece que se precisamos por algum motivo deixar para trás coisas e pessoas, talvez seja porque há necessidade de crescimento e sair daquele quadrado que já está saturado e sem vida. Nas relações isto sempre acaba mal, quando um dos dois ainda não desligou o botão seguir em frente, insistindo em transformar a vida numa guerra de força e poder.

Aprender a desapegar do que não serve mais, do que já não traz movimento e aprendizado na vida, parece ser uma diretriz para todos nós, já que o maior dos desapegos seja o espírito do corpo físico. E diga-se de passagem, muitos têm problemas com isso! Precisamos entender que deixar para trás não significa necessariamente esquecer, mesmo porque tudo está bem registrado na mente. Temos livros de dramas, terror, romance, comédia e tantos outros sentimentos, todos prontos a serem tirados de nossa biblioteca mental, desempoeirados e lidos. E é interessante notar que as lembranças surgem através de pequenas coisas como músicas, cheiros, imagens. E revivemos o que estava escondido, talvez na hora certa para ajustarmos as ações do aqui e agora.

Portanto, o deixar ir não se perde como imaginamos. Ele está escrito no arquivo do universo, pronto para ser resgatado, mostrando alegrias e tristezas, faltas cometidas que possam nos envergonhar, mas também atitudes enaltecedoras. Podemos lembrar de pessoas incríveis ou cuja energia só nos trouxe dor, de momentos agradáveis, lugares acolhedores, mas também de desespero e terror. O que precisamos é usar cada fato como um aprendizado para a vida, estando mais alerta para definir o melhor, através de uma consciência internalizada, adotando o aprendizado como uma melhora no próprio comportamento.

NAMASTÊ 

terça-feira, 16 de junho de 2026

CORTINA DE FUMAÇA

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Estava aqui tomando meu café num dia cinza e frio, vendo as notícias, que priorizam o futebol. Comecei a pensar quão interessante somos nós, tão absurdamente manipuláveis. Milhões de pessoas torcem cada uma por seus times e saem por aí atacando outras, porque são de  outro time. Chegam a se matar, destroem lugares e voltam à época das cavernas. De repente, as mesmas pessoas, vestindo outra camiseta da mesma cor e simbolo torcem juntas, se abraçando e se unindo numa mesma vibração.

A falta de bom senso sobre esporte, política e religião cria lutas onde deveria ser só torcida, estupidez onde poderia ter união, arrogância onde deveria ter respeito. Realmente, pensam que o divertido não é exatamente o esporte em si, mas a guerra, cujas palavras e atitudes fazem alguém ser diminuído e sofrer. 

Quanto à política e a religião então, nem se fala! E o pior é que quem se afasta disso é frio, enfadonho e sem graça, porque a humanidade está tão acostumada a ferir, que o simples fato de ter tudo na paz torna-se estranho.  Chegamos à triste conclusão de que as pessoas gostam da energia apimentada, de sentir o sangue ferver, de tomar posse da discussão ou situação, cheios de soberba. Algo me diz que isto está no DNA, já que se olharmos o passado, as arenas ficavam lotadas para verem outros serem arrasados.

É interessante como o vento nas velas muda rapidamente a direção do barco e, num mar tão cheio de opiniões, ficamos simplesmente a mercê do que pode nos beneficiar em dado momento. As roupas que vestimos identificam nossa pobre personalidade, inconstante e volúvel. É algo dentro de nós que instiga ser de determinado grupo,  bancando a "maria-vai-com-as-outras", sem ao menos entender ou conhecer realmente e a fundo onde estamos nos integrando.

Essa cortina de fumaça criada em nossas mentes tira o foco de nossa vida real, do que está acontecendo com o mundo e como agir para sobreviver. É uma tática antiga para aliviar as tensões do povo, enquanto alguns poucos planejam como avançar financeiramente. E acreditamos que isto é diversão e felicidade.

Enfim, meu café hoje foi filosófico e meio amargo. Mas me pergunto, por que temos a mania de abafar a realidade e esconder mais ainda o que sentimos? Talvez pela pura vontade de nos sentirmos parte do todo e, mesmo que por pouco tempo, fingirmos que algum grupo nos olha e aceita, sem questionar nada. E não tem conserto, pois a grande massa não quer entender, só aproveitar. Somos eternos aprendizes num curso que nunca acaba.

NAMASTÊ 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

ENSINAR É MAIS FÁCIL

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



É mais fácil ensinar do que colocar em prática o que ensinamos aos outros. Eis uma sábia frase que nos acompanha pela vida e que tem uma explicação coerente. Quando nos colocamos em uma posição perante a vida dos outros, sem que isso nos afete completamente, o modo "saber resolver a situação" liga rapidamente. Mas, por quê?

Simplesmente porque não estamos envolvidos emocional e fisicamente nos sentimentos e na mente delas. Há uma parte boa e outra ruim nisto tudo. Resolver problemas com tranquilidade e sem estar nervoso faz parte do mecanismo do cérebro que liga e desliga certas partes, conforme o estresse. Nervosos, o córtex frontal, que é onde planejamos a vida, desliga e a dificuldade de solucionar questões é dificultada.

Por isso, quando vemos alguém muito nervoso pedimos que respire, se acalme e leve oxigênio ao cérebro tentando ativar áreas necessárias para a solução dos problemas. Mas, como todos nós somos uma rede de informações neurais, às vezes é muito difícil controlar hormônios e sentimentos.

O lado bom é que quem está fora do problema, talvez possa auxiliar e nos dar opções que ainda não tivemos condições de pensar. Nem sempre conseguimos ouvir estes conselhos e ensinamentos, já que o corpo está no modo "lutar ou fugir", devido às tristezas e estresses encontrados pelo caminho. 

Talvez, antes de se iniciar uma aula, sempre se devesse acalmar a mente dos alunos, focando no aqui e agora, trazendo algo animador e que colocasse tais cérebros em função analítica e crítica. Cada pessoa traz dentro de si o que ouviu e viu desde que acorda até chegar na escola, no trabalho ou dos assuntos ainda não resolvidos e que incomoda e desvia o pensamento do que seria necessário focar.

Voltando à frase inicial, isto também é válido para quem sempre tem uma solução para os problemas alheios. Na hora de resolver os seus, se recolhe em lágrimas e o desespero toma conta, mesmo que já tenha aconselhado alguém sobre o mesmo problema. Tendemos a nos distanciar emocionalmente dos desafios tendo uma postura de quem sabe muito bem como resolver, mas sofremos calados.

Com tudo isso, é bom aprender a ouvir quando estamos fatigados. Talvez nem todos tenham bons conselhos, mas ter opções que possamos usar ou testar tragam saídas que não enxergávamos. E lembrar que pensar com calma pode trazer melhores resultados sobre tudo na vida. Resumindo: tudo o que fizermos, deve ser feito quando nosso corpo estiver orientado a focar o aqui e agora, com os mecanismos necessários a nos levar à satisfação de acharmos saídas seguras de sobrevivência. O problema é aprender e colocar em prática.

NAMASTÊ 

domingo, 14 de junho de 2026

O NÃO FAZER NADA

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Adoro o frio! A gente faz uma mistureba de roupas para se esquentar: é meia grossa listrada, calça xadrez, casaco ou roupão o dia todo. Parecemos um ser de outro mundo andando com chinelões, assoando o nariz e esfregando as mãos. Não estamos nem aí para moda, o que importa é estar quentinho, em casa, aconchegados e tranquilos. 

Vale tudo! Uma xícara de café ou chocolate quente, pinhão, sopa cremes e comidas bem aquecidas. Os finais de semana, então, são maravilhosos no frio! É pura morgação, principalmente se a gente já tá na fase de querer paz e sossego. E os acompanhamentos são escolhidos conforme cada um, podendo ser filmes, livros ou apenas estudar e conhecer mais sobre o mundo. Esperamos que todos queiram isso, sem bater em nossa porta dizendo: " vim tomar café"!

É interessante como esta estação traz recolhimento. É necessário ao corpo e à mente esses momentos exóticos de nossas vidas. Mesmo se resolver fazer algo na natureza, tudo é diferente. O ar gelado contrai o corpo e o aproveitamento é quase como se o tempo fosse mais rápido e não tão inspirador. Precisamos dar uma parada nos sonhos e acolher a pausa sem resistência. 

Hoje tá esse típico dia de chuvinha fraca, frio e preguiça. Não quero pensar no amanhã, apenas sentir a coberta macia afogando minha garganta e cobrindo as orelhas. Dar um tempo para o nosso tempo agitado é mais que necessário, é inteligente e benéfico. Posso até pensar no bingo da igreja, nos prêmios e nas guloseimas. E espero não me arrepender, mas meu lar é tudo para mim. E é nele que quero estar hoje, relaxando e fazendo nada.

NAMASTÊ 


terça-feira, 9 de junho de 2026

A COLMÉIA

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Toda colméia tem uma abelha rainha, cuja função é garantir a sobrevivência desta colméia. Diferente deste inseto, em nossa "colméia" não liberamos feromônios para neutralizar a reprodução dos demais participantes, mas ainda assim buscamos controlar o comportamento social dos indivíduos, preparando o grupo para o mundo.

Acontece que as colméias humanas podem ou não ter a sorte de serem estáveis, amorosas e participativas. Se olharmos para o passado, sem justificar ações ou erros, a rainha ou rei se esforçaram muito para dar ao núcleo o melhor que podiam. Conforme o desespero, até tiveram atos considerados escusos. A diferença das abelhas para nós é justamente o respeito pela rainha e o esforço em manter o grupo unido e sadio.

Sabemos que o papel executado foi honroso, quando o exército persiste num relacionamento de proteção e ajuda a cada membro, sem exceção.

Quando uma rainha deixa de viver, o grupo não luta pelo poder, mas alimenta as larvas para que se tornem rainhas. Assim deveria ser quando pais e mães se vão. Os filhos deveriam respeitar uns aos outros e continuar a se proteger e amar. Mas nossas vidas não têm laços de colméia, cada um segue um rumo diferente, buscando se salvar de um mundo tão controlador e competitivo. E a antiga colméia já não serve mais.

Muitas vezes, saem de seus abrigos e, voltar para visitar ou rever os que ficaram se torna um incômodo, pois preferem se livrar dos ensinamentos e verdades que agora só se tornaram pesos dos quais querem distância. E sentir a liberdade de escolher é viciante! 

Acontece que nada dura para sempre. Nem a rainha estará esperando no trono, nem a vida será tão satisfatória lá fora. Talvez a flexibilidade possa ser uma boa companheira para cada operário. Como seres humanos, podemos voar para onde quisermos, aprender com a própria vida, mas também ter gratidão por aqueles que construíram a colméia e nos acolheram por anos, muitas vezes sem olhar para si mesmos. 

E a vida passa muito rápido. Quando vemos, já foi o vigor da mocidade, as grandes oportunidades de realizar sonhos e queremos apenas estar em paz, sem precisar provar nada para ninguém. Tomamos o lugar dos donos da colméia e podemos sentir as mesmas dores do ninho vazio. Mas, se tiver sorte com seus filhos, este ninho terá sempre a visita, o carinho e a preocupação com quem lhes deu a vida. E este é o mais lindo papel da família!

NAMASTÊ 

domingo, 7 de junho de 2026

O QUE SE ESCONDE NAS PLANÍCIES

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Um dia a gente se dá conta de quão imenso é o mundo e que ele não é feito somente de planícies, mas também de montanhas. Além dos outros tipos de relevos, estes dois são os que mais se destacam, como se todo o restante fosse somente uma maquiagem para ambos. E nossas vidas parecem exatamente pertencer à energia destas geografias. 

Há um passado nas alturas e um presente nos vales, ou vice-versa. Nos perguntamos por que tudo muda tão rápido e o que parecia divertido, agora se esconde entre as lembranças. A paisagem de uns agora é muito mais ampla que de outros. Mesmo assim, nunca ninguém está realmente feliz, já que além da altura, podem haver outros detalhes como um cenário exuberante ou gelo, folhas secas e terra rachada.

Passamos por tantos territórios, que alguns ficam até esquecidos. Não são tão significativos, mas nos ajudaram a caminhar por entre pedras e espinhos. As ranhuras que ganhamos moldam o que somos hoje, sem dó, nem piedade. Com o tempo, começamos a apreciar o que está mais ao redor, sem exigir tanto esforço do nosso corpo que, cansado, machucado e até irritado, insiste em nos pedir calma e bom senso.

É uma caminhada longa a vida! Altos e baixos, alguns fazem questão de fincar a bandeira no topo mais alto, achando que serão donos dele. Iludidos com sua própria força, olham de cima para o vale e riem, como se o resto do mundo fosse um tapete aos seus pés. Um dia estarão mais baixo que qualquer planície fazendo parte das entranhas da terra. Isso é como o vento que sopra no pescoço de cada um, morno ou gelado.

É importante sentar e lembrar de quem fomos, o que fizemos, quem ajudamos ou prejudicamos. Que ferramentas utilizamos para escalar ou para derrubar alguém que estava no caminho. E responder por que fizemos tal coisa, por que traímos quem era ou é importante, por que precisamos acampar no lugar que estava reservado para outro. Respostas que não queremos dar a nós mesmos, pois ainda estamos no alto, olhando por cima, condicionados ao por-do-sol no horizonte, ao invés de apenas sentir a sombra cobrir o vale. Altos e baixos...!

Acontece que lá na montanha também esfria, se adoece, tem solidão e a rotina desgasta, da mesma forma que na planície. Onde quer que se esteja, somos complexos demais para só apreciar e ter falsos sorrisos. Nas sombras do corpo estão os segredos de uma vida turbulenta, arrogante e, no fundo, monstruosamente egoísta. Subimos e descemos, descemos e subimos, mudando o visual externo, mas carregando o interior de suspiros, culpas e arrependimentos. Tudo é só um grande teatro, onde as coisas materiais encobrem quem realmente somos. Porque enquanto brilhamos como um horizonte alaranjado, tiramos o foco do que se esconde nas entranhas da paisagem interna. E podemos sobreviver enganando aos outros, mas não a nós! E aí mora a verdade...

NAMASTÊ 


sábado, 6 de junho de 2026

APROVEITE CADA ESTAÇÃO

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



O inverno está chegando e as manhãs geladas já fazem parte do nosso despertar. O café quentinho é o que nos inspira a sair da cama aconchegante. Não importa a estação do ano, a vida continua e a maneira como cada um encara o dia continua sendo rotina.

Você já pensou em qual estação se sente melhor por dentro? Aquela que dá mais ânimo, inspiração e força para realizar, pensar e até mudar? Talvez devêssemos ter um tempo para nos recolher, como fazem os animais ou deixar ir o que só ocupa espaço para acolher o novo, como as plantas.

Fato é que o ciclo da vida nem sempre é respeitado por nós. Conforme o metabolismo de um e outro, fugimos para lugares mais quentes ou mais frios, não dando tempo para as transformações. Ou simplesmente ignoramos o que o corpo fala. E, se por acaso desfrutássenos mais do frio ficando um pouco mais aconchegados nas cobertas, talvez nos braços do amor, jogando prosa fora? Ou quem sabe abrir o armário e tirar a caixa empoeirada de fotos para apreciar junto com alguém os bons tempos de outrora, ajudasse o coração a esquecer brigas e rancores.

Todos os dias são como folhas se soltando numa grande árvore da vida. Talvez ela volte a brotar, talvez já esteja velha demais e só representará um espectro de galhos secos enfeitando uma paisagem verde, até que a própria natureza se encarregue de absorvê-la. Há sempre os mais sensitivos que se encantam com ela e a respeitam, mesmo sem a exuberância do colorido, pois ainda decora o ambiente.

Em moradas do nosso coração as quatro estações fazem parada constante. Nossos erros também são responsáveis por aprendermos como reagir às provas da vida. O amor se beneficia do calor humano e a frieza que lançamos mão pode congelar relações. Quando florescemos tudo parece mais significativo e o potencial também prospera. 

Cabe a nós entender a natureza da qual fazemos parte e sincronizar nossos relógios com ela para tirarmos benefícios de cada momento de nossas vidas. Sem pressa, nem desespero! Apenas deixando que mente e coração se unam com bom senso suficientes para que cada estação traga as mudanças que necessitamos dentro de nós e nosso tempo seja perfeito, a fim de darmos frutos numa próxima estação.

NAMASTÊ 

terça-feira, 2 de junho de 2026

HÁ UM AMOR QUE É ESPECIAL

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



O amor vem de onde não se espera. Ele surge como carinho, lembrança e aconchego. É bom se sentir amado! A vida parece mais fácil e a saúde agradece. Mesmo tendo o amor de pessoas especiais, ainda assim sentimos um vazio quando não recebemos daqueles que mais esperamos.

Como terapeuta, ouço muitas confissões sobre a falta de amor. As pessoas sofrem caladas, adoecem e, na pior das hipóteses, se entregam à depressão. Por mais que se auxilie através das terapias, a dor no coração só é curada com o melhor remédio existente em outro coração: o amor! 

Existem formas de fortalecer o pensamento, desviar o foco ou distrair a mente, mas enquanto aquele laço sagrado ainda estiver ligado a nós, voltaremos a esperar a cada dia um gesto de amorosidade, carinho ou atenção.  O que se faz para não desistir da vida em si é ter ideais, amizades, atividades que encham as horas e que enganem o cérebro a não ficar sempre com as mesmas memórias. Pois, se nos fechamos num casulo, a mente só lê o que deixamos escancarado na pauta.

Toda vida pertence a um ciclo: nossos órgãos trabalham com determinadas glândulas, cujas funções são diversas. A exemplo disto, falemos dos pulmões, ligado ao chakra do coração, já que é sobre isto nosso texto. Ele trabalha com a glândula timo e juntos defendem o organismo. Como ele é um receptáculo da tristeza, baixamos a imunidade com este sentimento, causando problemas pulmonares, gripes, asma, bronquite e outras. 

Se fizermos um mapeamento da vida de alguém e da falta de amor, chegaremos nas somatizações de doenças. Parece ilógico, mas somos energia e, se ela se desequilibra, precisamos mais do que remédios em frascos. Precisamos da essência do amor, vindo daqueles laços espirituais. 

Sabemos bem que a simples atenção nos faz sentir parte da vida. E, mesmo entendendo que o curso desta vida separa pessoas e que elas precisam de espaço para florescer, não queremos ser deixados de lado como uma velha máquina. Só precisamos que alguém, de vez em quando, coloque lenha na fornalha, ou limpe a ferrugem das peças para que haja força da musculatura voltar a sorrir, os olhos brilhar e as mãos se estenderem para acolher. Os que lembrarem de amar estarão em paz e, com certeza, serão abençoados, pois um dia estarão também no lugar das máquinas desgastadas e com sorte, terão lugar num espaço único e bondoso, preparado para lhes acolher com muito Amor.

NAMASTÊ