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Coração Aberto

Quando decidi escrever me senti uma borboleta saindo do casulo. E junto com ela saíram os sentimentos e os pensamentos que muitas vezes não conseguimos transmitir. Descobri que ser poeta é opinar sem medo, escrever é desvincular-se de segredos e expressar-se é viver intensamente.

JosiLuA

sábado, 29 de agosto de 2026

QUANDO AMAR É DOLOROSO

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)


E quando de repente a folha seca e ela começa a se destacar, não pela beleza, mas porque é diferente? Tudo aquilo que parecia nunca acabar pode escoar de repente, se não temos o cuidado necessário com nossos atos.

Parece haver um reservatório que nos auxilia a continuar amando. Sofremos, ouvimos e perdoamos. De repente, ao nos encantar e resignar, o ponteiro novamente sobe e lá estamos nós, prontos a nos doar, porém nada preparados para sofrer novamente. Só que ele desce mais rápido numa nova decepção. E para voltar, o custo é mais alto.

Não há folha seca que regenere. A natureza é sábia. Tudo tem um tempo, mesmo que os cuidados sejam extremos. Um dia, ela se desprende e lentamente acaba decorando o chão. Seria desta forma que um coração machucado acaba? 

O jogo é diferente, a situação muda, quando envolve sentimentos. Por algum motivo, eles vão se amontoando num lugar secreto e apesar da vontade,  nos retraímos. Apesar dos olhos quererem enxergar novamente a paisagem de outrora, o coração se esforça cauteloso. O amor vai se recolhendo, abraçando uma dor profunda. Há silêncio e tortura!

Mas, se a folha seca e se dissolve, o amor, apesar de ser negligenciado , acaba sempre tendo um lugar para morar. Talvez mudando o foco, talvez fique latente, mas sempre estará lá, dentro do coração. Um dia, poderá ser reavivado. Talvez ...! Depende até que ponto queremos amar quem não mereça.

NAMASTÊ 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

ABRA OS BRAÇOS

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Quantas vezes na vida fomos com todo amor abraçar alguém que ficou inerte ou com aquele abraço frio, sem vontade de retribuir? E, apesar do euforismo, nos distanciamos com um ponto de interrogação e um sapo na garganta.

Salvo aqueles que estão de alguma forma magoados, ofendidos, são abusados e ou, simplesmente não simpatizam conosco, é muito triste não ganhar o abraço que nos dispomos a dar. Muitas vezes, queremos demonstrar o afeto que sentimos e receber o retorno.

Abraçar é um ato de amor, onde se deve ter muito respeito com o corpo do outro. Inclusive, abraçamos do lado errado. O abraço deve ser coração com coração. Em nossa cultura, abraçar significa ter carinho, aconchegar e receber o outro dentro da nossa energia. 

Por isso, abraçar é também um ato de recebimento, sendo que devemos ter consciência sobre quem realmente merece participar do nosso limite. Aqueles abraços frios simbolizam o quanto estamos representando a antipatia ou falsa amizade por determinada pessoa.

Mas, se você tem amor por alguém, mesmo que chateado com ela, deixe-se levar pelo perdão num abraço estimulante e carinhoso. Contudo, lembre-se também que quando se abraça, não se vê os olhos dele e as mãos do outro estão em nossas costas. Jamais devemos esquecer de prestar atenção em nossa intuição e percepção da energia que vem ao nosso encontro. O calor humano faz parte de relações sadias e respeitosas. 

Infelizmente, muitos abraços são adiados por causa dos cuidados com o próprio corpo, sendo que alguns exageram no perfume, enquanto outros esquecem do próprio asseio. E deixamos de lado amar incondicionalmente, para nos afastar de quem não nos agrada o aroma. Além disso, em algumas religiões abraçar segue regras e precisamos ter cuidado com o ato se estivermos em contato com elas.

Dito isso, abrace! Durma de conchinha, se gosta. Abrace sua família, seus amigos. Abrace quem está sem luz, precisando de apoio ou de motivação. Pois tudo isso é uma forma de transferir ou receber amor. E a vida nos tira rapidamente quem gostaríamos de poder abraçar mais vezes, com menos julgamentos. Nem sempre o coração está aberto, mas o abraço pode ser a chave que encaixa perfeitamente na fechadura. Abra logo esses braços e acolha os que ama.

NAMASTÊ 



quinta-feira, 27 de agosto de 2026

ELE

Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Um dia, Ele quebrou como um barquinho batendo nas pedras no costão rochoso. Apesar de perder alguns pedaços, ainda resistiu e flutuou.

Um dia, Ele pulsou tão forte, como os bumbos numa fanfarra, num ritmo  cadenciado, alegre e sustentando a energia do corpo. Teve vontade de explodir.

Ele se entrega facilmente ao amor, como a água desaguando na cachoeira. 

Ele dói ao sentir que a saudade ainda não pode ser curada e espera ansioso, como o filhote de pássaro ao aguardar a comida.

Ele chora quando encontra outro arrasado, triste ou insensato. E, mesmo em lágrimas, oferece o lenço para enxugar as outras lágrimas.

Um dia, Ele parece endurecer. Finge não se importar, mas é como reage quando está esgotado. Precisa de um tempo!

Tem vezes que se abre demais, noutras se fecha completamente. Ele resiste protegendo a si mesmo!

Escolheu uma casa e faz tudo para que ela funcione. Porém, há um inimigo à espreita, morando não muito longe. E, em dias que pensa perdoar, o inimigo o convence que não vale a pena. Ou quando resolve que a liberdade é melhor, o inimigo o faz pensar que será assolado pela solidão. É quando Deus o visita e o inimigo reage e bombardeia com diversas perguntas. Ainda assim, busca triunfar.

Contudo, é um órgão forte resistindo o tanto quanto possível, se conseguir vencer o cansaço e as frustrações. Ele é poderoso e, acolhendo o Amor, será um grande sol a cegar a mente conturbada e inimiga. 

Portanto, proteja e escute sempre seu coração! ELE te faz a pessoa diferente e iluminada no mundo. E cuide para que a mente se acalme e não te faça prisioneiro dela.

NAMASTÊ 


domingo, 23 de agosto de 2026

O QUE IMPORTA MAIS PARA VOCÊ?

Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)


Hoje vi no Instagram uma postagem maravilhosa. Diga-se de passagem que são poucas interessantes e que nos trazem satisfação real. Um pai fazendo 66 anos recebeu de presente um óculos. Ele foi abrindo o pacote e ao colocar nos olhos, chorou e se emocionou muito. Sabem por quê? Ele nunca tinha visto cores na vida e tal óculos o ajudou a visualizar tons. 

Aquilo mexeu comigo, pois imediatamente comecei a pensar na humanidade exigente que não se aceita da forma que é. Porém, muitas e muitas pessoas passam a vida resilientes em seu processo. Nem imaginamos quantos gostariam de ter mais barriga, ao invés de aparecer as costelas pela fome, ou de ter um rosto sem defeitos, podendo sair sem vergonha de mostrar-se. Talvez um cabelo que pelo menos cobrisse o couro ralo perdido pela quimioterapia ou pernas que não fossem mecânicas, mesmo não sendo musculosas.

Aí a gente suspira fundo, olha para fora e vê o mundo. Um mundo cheio de oportunidades, de beleza natural e que muitos não enxergam ou não tem voz para expressar. E pensamos: onde está o erro e para que tantos aplausos, quando tudo será transformado em pó? A triste necessidade de conquistar através do visual seria uma falha no sistema humano? Porque por mais que se ouça sobre ver o interior, as pessoas só se importam com as aparências. E é por isso que há tantas decepções, pois quando se constata o vazio, a beleza perde seu lugar.

De repente, uma simples postagem nos mostra ao pé da letra, junto com o senhor de 66 anos, que a vida é colorida e que ainda dá tempo de enxergar a beleza nos detalhes despercebidos até então. Importar-se com aqueles que têm algum processo reduzido na capacidade de viver é, de alguma forma, uma atitude magnânima, pois ao invés de tentar achar um defeito em nós, nos dedicamos a melhorar a vida de quem precisa. É só observar ao redor e sempre terá alguém que se possa estender a mão. 

E este trabalho tirará o foco de tentar ser o ser humano perfeito em físico, para ser perfeito em altruísmo e bondade. Se isto não basta, então não sei para onde nos levará a maneira de viver se comparando, sem percebermos as dádivas. Porque a satisfação de ver alguém mais feliz não tem recompensa que pague. E estar satisfeito consigo e com o que temos ao nosso dispor, também.

NAMASTÊ 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O ATO DE VARRER

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Ontem, ao varrer minha casa, me dei conta de que o que vemos não é sempre real. Achei que ela estava limpa, mas como tinha um pouco de vento, algumas folhas corriam pela calçada. Comecei a varrer o interior e depois o jardim.  Para minha surpresa, vi a poeira se acumulando a cada vassourada.

Como sou muito intuitiva, alguns espíritos já começaram a conversar comigo me dizendo: viu como varrer é importante? Mostra tudo que precisa ser afastado da vida. Aquilo que te incomoda precisa ser eliminado, para que a limpeza seja apreciada e sentida. Quando limpamos a casa, todos se sentem mais confortáveis e quando limpamos a alma, o corpo também.

Entendi perfeitamente o que queriam me mostrar, e sorri. Por mais que as coisas aparentem ser claras, talvez nos enganemos quanto ao verdadeiro quadro que ali se apresenta, escondendo a sujeira e incômodos. Isto se faz presente em nossas vidas, quando acreditamos que pessoas são boas por causa do que às vezes as vemos fazer e falar, mas basta um vento para mostrarem a sujeira que ainda não conseguiram varrer e não víamos. Elas são verdadeiros focos de folhas velhas, bichos mortos e poeira acumulada em seus corações.

De repente, sem mais nem menos, elas têm atitudes que nos deixam boquiabertos e surpresos. E dizemos: " quem diria?"! Infelizmente, são pessoas que ainda não souberam varrer suas frustrações que tiveram com a vida. Guardam rancores da infância, dos pais, dos amigos e sua auto estima baixa os faz vigiar constantemente o ambiente ao redor. Porém, quando contrariadas, explodem, porque precisam ser manipuladoras e ter controle. E o controle se faz no pretexto de agrados e máscaras de bondade. Precisam de elogios.

Se observarem, o mundo está repleto delas. É só conviver um pouco mais com uma que já se descobre. E, como toda sujeira encostada nas paredes, quando varrida, se amontoa com outra e outra, virando um excesso de misturas de pó e pequenos objetos deteriorados. A diferença dos que buscam limpar a casa, tanto a física, como a espiritual, não significa estar livre para sempre do que incomoda, mas abrir espaço para que a consciência se amplie e possamos encontrar paz interior.

Enfim, o recado está dado. Cada um deve ter consciência de que limpar o ambiente em que vive e seu próprio corpo não é obrigação, mas necessidade, caso queira ajudar sua saúde e seu processo de libertação da energia ruim. Lembrando que se afastar de pessoas que não trazem alegria não é maldade, mas proteção ao próprio caminho. Descobri que a vassoura não pode faltar de jeito nenhum na vida, seja ela de que material for.

NAMASTÊ