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Coração Aberto

Quando decidi escrever me senti uma borboleta saindo do casulo. E junto com ela saíram os sentimentos e os pensamentos que muitas vezes não conseguimos transmitir. Descobri que ser poeta é opinar sem medo, escrever é desvincular-se de segredos e expressar-se é viver intensamente.

JosiLuA

domingo, 24 de maio de 2026

POR QUE SOFREMOS

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Quando a gente faz as refeições sozinhos, no silêncio da manhã chuvosa, os fantasmas do pensamento nos assombram sem piedade. É como se a vida fosse uma roda gigante e em cada cadeirinha estivesse sentada uma pessoa que amamos e nos preocupamos. Ela gira muito lentamente e a história de cada uma aparece na tela mental.

E surgem aquelas interrogações tão comuns: por quê? como? o que fazer? As respostas racionais aparecem rapidamente, mas as espirituais sacodem o coração e nos acolhem na fé. É nesta hora que as mãos atadas se mostram para o mundo. Um mundo incrivelmente maravilhoso, mas cheio de dúvidas, medos e injustiças. O estômago dói porque sentimos a energia tentando se afastar das incertezas. 

Nosso corpo é tão ajustado para nos curar, porém o sofrimento demasiado desequilibra tudo e caímos numa armadilha cheia de dores, doenças e remédios que acabam intoxicando ainda mais nossa bela máquina. Sofrer por aquilo que dá errado, que não conseguimos realizar ou pela perda é externar a dor que vem das entranhas, mas que muitas vezes não consegue achar a saída. 

É normal sofrer, pois faz parte de um mecanismo emocional, cuja finalidade é abrir nossos olhos para certas circunstâncias. Porém, deixar que o sofrimento seja algo natural nas nossas vidas é aceitar que não merecemos a felicidade e isso torna-se um perigo para o que se considera saudável. 

O sofrimento vem de fontes diversas, desde falta de amor, de inclusão social, de comparações com outras vidas e de saúde. Não parece, mas sofrer em demasia pode causar comportamentos autodestrutivos, isolamento, raiva exacerbada da vida e das pessoas e até agressividade. O sofrimento silencioso pode até causar a morte daquele corpo, por não conseguir reagir mais e se entregar.

Podemos sofrer por conta de acontecimentos atuais, como por traumas passados, muitas vezes escondidos num subconsciente destruidor, causando muitos males na forma de agir e pensar. O sofrimento parece cancelar do cérebro a coerência, o bom senso e o discernimento, agindo sem escrúpulos nas ações de quem sofre, tornando a pessoa confusa ou insana. Ela precisa fazer algo para "parar de sofrer", mas não pensa nas consequências de seus atos. E, infelizmente, isto causa uma onda de energia de sofrimento para tudo ao redor dela.

Vários hormônios responsáveis pelo equilíbrio do corpo podem afetar nossos sentimentos, mas especialmente o cortisol elevado que, além de causar esgotamento físico e mental, acaba por aumentar nossa pressão e gordura corporal e baixa a imunidade. Não tem um botão de liga/desliga para o sofrimento, mas dentro deste sentimento podemos ao menos tentar viver melhor. Devemos buscar estar em grupos de pessoas praticando exercícios, fazer caminhadas meditando, estar mais em contato com a natureza, ler bons livros que inspirem a vida, abrir o coração para pessoas que nos amam e possam orientar, enfim, não focar no problema dia e noite. 

Isto irá criar uma vida melhor para si e todos ao nosso redor, pois o sofrimento faz toda uma estrutura ruir junto. E esta energia de dor, tristeza e silêncio é um templo de seres espirituais prontos a atacar e sugar de vez toda energia. Por mais dolorido que esteja, não devemos deixar de orar, sorrir e mais que tudo, amar. Sofrer faz parte, o que não faz parte é deixar de buscar a felicidade e aproveitar a própria vida, mesmo que isso signifique apenas bons momentos de distração, risos e abraços.

NAMASTÊ 

quinta-feira, 21 de maio de 2026

O CAMINHO DO MEIO

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)


Você já deve ter ouvido falar no "Caminho do Meio". Seguir este caminho nos faz buscar equilíbrio entre os extremos na vida. Nem tanto o exagero no prazer, nem tanto a flagelação. Com isto, fortalecemos a clareza mental e emocional.

Este termo foi divulgado por Buda, que em sua jornada percebeu que a paz só é alcançada quando equilibramos nossas vidas. Por escolhermos caminhos extremos de apêgos materiais, exacerbação sexual ou negligenciar o próprio corpo através de jejuns e autopunições exageradas, vamos perdendo o equilíbrio que traz a real grandiosidade da vida.

Este caminho não significa tornar a vida sem sentido ou monótona, mas criar disciplina e consciência. Todo exagero torna-se doença, assim como descartar o que o universo nos presenteia também.

Existem muitas opiniões sobre o que é realmente o caminho do meio e eu, em particular, imagino em minha vida três caminhos. Observo que um deles seria o radicalismo, exagerar em tudo que se faz em relação ao próprio corpo e pensamentos, o outro, negligenciar os presentes da vida para viver no niilismo. Por outro lado, o caminho do meio se abre para um horizonte maravilhoso, cheio de aprendizados e oportunidades que nos fazem parar e pensar, além de organizar a vida para um crescimento físico, espiritual e mental. 

Tudo que é feito com bom senso e equilíbrio traz evolução. Trilhar este caminho é construir uma vida moderada e tentar evitar o sofrimento gerado pelo excesso de atitudes insanas. Precisamos entender que não há estagnação, nem no que é bom demais, nem no que é desagradável. Tudo continua num ciclo de aprendizado e nos agarrar a um dos lados estaciona a vida.

Quando se escolhe este caminho, podemos ter, inclusive, uma perspectiva maior sobre a vida, as atitudes e todo processo gerado num sistema de almas presentes em nossas vidas. Como comparação, ao comermos devagar demais, a comida esfria, perdemos a vontade de comer e nosso corpo se debilita. Se comemos como esganados, com pressa, acabamos por não saborear o alimento e repetimos mais vezes, inchando o estômago e reclamando de indigestão. Que tal mastigar devagar, olhar para seu prato de comida e agradecer cada substância que esteja nos trazendo saúde e vida?

Caminhar na estrada do meio é simplesmente fluir na vida, livrando-se do que nos trava ou do que faz nossa energia escoar. Dizer "eu faço isso muito bem" é não enxergar o quanto temos medo de tomar decisões que sabemos que estão pesando na mochila. Podemos nos desviar na rota algumas vezes, mas reencontrar o caminho do meio é a melhor decisão para viver em paz. Pense nisso!

NAMASTÊ 

domingo, 17 de maio de 2026

QUEM CUIDA DE MIM?

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Existem pessoas prontas a acolher as dúvidas, o sofrimento e o cansaço das outras. Elas sempre estão dispostas a dizer "sim, eu posso"! E o mundo se aproveita destes amorosos caridosos para deixá-los cuidar do que, de repente, seria nossa vez ou nossa obrigação. Essas pessoas são chamadas de altruístas, dedicando tempo, força e energia aos que elas enxergam com necessidades. Já vi e ouvi gente dizendo "é nosso burro de carga" ou rindo daqueles que só pensam em ser amorosos.

Mas, paremos para pensar quem é que cuida destas pessoas, quem de fato olha para todo tempo e esforço que dedicam, ou o quanto o cansaço está dentro de suas almas? Essas pessoas não precisam ganhar prêmios ou serem ovacionadas, mas apenas serem vistas, porque dificilmente alguém olha por elas. Aos poucos, mas sem demonstrar, seus corpos se fragilizam, suas mãos tremem e suas pernas já não conseguem concluir o mesmo caminho que antes, tamanha é a doação de sua energia.

Elas estão bem ao nosso lado, talvez dentro de nossas casas ou fazendo parte do convívio. Acostumados que somos com seus trabalhos e dedicações, muitas vezes até nos ofendemos quando elas dizem "hoje não posso"! Precisamos nos dar conta do que é sadio ou egoísmo em fazer delas um suporte contínuo. 

Levando em conta o quanto se sentem bem fazendo o bem, também é injusto bloquear sua ajuda, não as deixando fluir como um espírito caridoso a cumprir sua missão na Terra. A questão é até que ponto somos aproveitadores da bondade alheia. Vemos isso nos colégios, empresas, nas amizades, comunidades e na própria família. Porém, essa índole de caridade pode estar ligada também à baixa auto-estima ou solidão. Elas precisam mostrar ao mundo sua presença e receber do mundo aconchego em seus atos. Precisam se sentir presentes.

Contudo, também existem pessoas que estão sempre querendo auxiliar de alguma forma, mas não permitem intrusos nos seus problemas e vidas, fechando-se numa concha, pois não podem demonstrar fraqueza, já que são fortes o suficiente para ajudar os outros. Elas sofrem caladas em seus orgulhos e isto é uma fonte de somatizações de doenças. 

Na verdade, a vida é mais leve quando deixamos que pessoas com boas intenções e corações se aproximem e nos façam favores, nos acolham em seus braços e nos amparem com seu trabalho, palavras e carinho. É maravilhoso pensar que num mundo imenso, alguém sempre está ao nosso lado nos perguntando se estamos bem ou se precisamos de algo, sem haver cobranças, nem imposições, mas apenas porque somos importantes para elas. 

Esse amor que recebemos e doamos faz toda diferença no mundo interno de cada ser humano, dando a ele a capacidade de sentir-se parte do todo. E as relações afetivas podem ser melhoradas com o néctar que cura: o Amor! Mas precisamos respeitar quem ajudamos e quem nos ajuda, num sistema equilibrado de energia e de aceitação do processo de cada um.

NAMASTÊ 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

DIA INTERNACIONAL DA FAMILIA

Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Hoje é o dia internacional da família! E o que consideramos família? Para saber isso, precisamos entender que família é uma palavra derivada do latim "famulus" que significa escravos. Essa palavra me causa arrepios. Isto foi usado para todos que estavam sob a autoridade do chefe da casa na época da escravidão. Com o tempo, estendeu-se também aos descendentes, aos que criaram laços de união e à ancestralidade.

Algumas correntes psicológicas hoje, consideram família a que criamos com laços afetivos e descendentes, sendo os outros denominados familiares, ou seja, que pertencem ao núcleo, mas já não convivem diariamente. Hoje em dia, as famílias podem ter estruturas diferentes, mas nem por isso se desconsidera o poder de ter uma família. Crianças crescem e criam suas próprias famílias e os pais viram familiares. Mas, para esses pais, seus filhos ainda são família.

Uma família normalmente convive num mesmo espaço, contribuindo conforme seus dons e aprendizado para o conforto, a alegria e orientação de cada membro. Famílias são facilmente desarranjadas quando um ou mais membros falham nos cuidados dos outros ou de si mesmo. Isso causa muita dor para os que se acostumaram com o sistema.

Apesar de considerarmos primeiramente o fator biológico para falar de família, a vida nos mostra que há muito mais família dentro de corações humanitários e amorosos, do que propriamente nas relações sanguíneas. Muitos acolhem dentro de suas vidas filhos de outros, com muito mais afinidade e, mesmo existindo os pais biológicos, estes se tornam verdadeiros apoios e segurança na vida daqueles.

Na espiritualidade, famílias podem ser construídas para trabalhar o amor e a resiliência, dentro de um contexto de carmas. Alguns podem fazer parte como auxiliadores na evolução de todos, outros para resgatarem problemas de vidas passadas. A importância de observar todos os membros da família, suas relações e suas índoles são de extrema importância para deixar a construção firme e adaptável.

Muitos membros não conseguem se adaptar e saem (às vezes antecipadamente) do núcleo familiar, buscando a própria vida. Nem sempre a energia do ambiente proporciona a paz que alguns espíritos precisam, devido à grande sensibilidade que têm. Outros, na revolta, acabam numa estrada fria e escura.

Chamamos família também quando reunimos todos aqueles que fizeram parte de nossas vidas na árvore genealógica. Cada um, com certas responsabilidades sobre a vida dos outros, causa uma onda de sua própria energia no todo, construindo ou destruindo vidas. Romantizar família é descartar toda dificuldade que existe no convívio com outras pessoas. Alguns são desleixados, outros extremamente caprichosos; alguns são grosseiros, outros amorosos. Nisso tudo, vêm dentro de cada um, sentimentos de desprezo, desatenção, mimos exacerbados, pouca conversa, educação baseada em força, além de ciúmes e inveja. Lembrando que para morar junto precisamos respeitar cada membro em seu momento de pensar, chorar, se irritar e estar só. É difícil manter uma rotina de convivência e bem-estar onde todos se sintam perfeitamente acolhidos, lembrados e respeitados. Afinal, existe uma vida única, numa vida em comum.

Contudo, é maravilhoso conseguir formar uma família na vida, pois estamos nos dando o direito de evoluir através do amor e também da dor. Hoje em dia, criamos vínculos afetivos também com amigos importantes em famílias comunitárias. O importante em tudo isso é trabalhar a paciência, a caridade e mais do que tudo, o amor. Afinal, no fim das contas, SOMOS TODOS UM.

NAMASTÊ 


quinta-feira, 14 de maio de 2026

SURPRESAS DIVINAS

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Interessante como Deus nos manda mensagens quando pedimos. O dia hoje foi um tanto quanto desgastante. O emocional tá abalado, o corpo dolorido e a vontade de ficar só foi enorme. Pensei muito em desistir de tudo que tinha programado e me entregar à quietude, só deixando o corpo se refazer da dor.

Mas resolvi ir fazer compras, mais para caminhar no sol, do que para gastar. E fui conversando com Deus, pedindo orientação, força e paz. Voltei, fiz meu almocinho e sentei para saborear a comida, quando toca meu telefone. Uma amiga e aluna de biodança pedindo um tempo para desabafar as dores que está sentindo, desde a última aula onde trabalhamos o movimento sistêmico com uma Consteladora. Mexeu muito com todas. Conversamos um pouco e decidimos marcar um encontro. 

Ao desligar, tive a sensação de que minha missão não podia ser esquecida, pois cheguei a pensar na possibilidade de deixar as aulas. Eu também precisava delas, disse meu coração. Com o corpo dolorido devido à somatização que tive fiquei entre cancelar a aula da tarde ou enfrentar meu cansaço. Novamente senti que mais pessoas precisavam das aulas e do que eu levaria aos seus corações e parti para a aula. Lá fui ensinada mais do que ensinei. Vi olhares sofridos, mentes confusas e espíritos buscando conforto. E meu corpo firme.

Ao sair, mensagens de amigos no whatsapp foram tão aconchegantes e amorosas que senti o acolhimento que precisava neste dia. Deus havia me acolhido através do coração de todas essas pessoas. Eu não estava sozinha como havia pensado. 

Às vezes, nos sentimos sem chão, mas Deus constrói o assoalho. Pode ser que o problema ainda exista, mas Ele ameniza com seus truques que desviam nossa atenção e nos ajudam a acreditar no amanhã. Eu confio e agradeço! Sei bem que Ele está presente, mas só quem aceita, consegue sentir suas obras. E as entende...

NAMASTÊ