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Coração Aberto

Quando decidi escrever me senti uma borboleta saindo do casulo. E junto com ela saíram os sentimentos e os pensamentos que muitas vezes não conseguimos transmitir. Descobri que ser poeta é opinar sem medo, escrever é desvincular-se de segredos e expressar-se é viver intensamente.

JosiLuA

terça-feira, 4 de agosto de 2026

ABRINDO A GUARDA

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Hoje percebi algo muito interessante e importante na minha vida. Não sei se isto acontece com todos. Faço tudo para estar bem, medito, rezo, me conecto com o universo e tento tratar bem as pessoas. Sei que nem todos fazem isso, muito menos estão com seu humor e equilíbrio em dia. Isto me faz apenas aceitar o que cada um é. Porém, notei que precisa muita força para fechar nossa aura e não permitir que a rudeza de certas pessoas não nos afetem.

Tive uma experiência a um tempo atrás que me fez surtar, depois de suportar conviver com alguém que reclamava o tempo todo. Percebi o quanto vibramos diferentes com relação à vida e ao que vivemos. E, no que esperava ser uma boa experiência, acabou me sufocando. Tive que trabalhar meu equilíbrio, mas deixei de sentir o prazer que esperava.

E hoje, sem mais nem menos durante uma conversa mal interpretada, abri minha guarda e recebi um soco no estômago invisível, mas com tal energia que pude sentir um apagão na minha aura. Só me dei conta disto quando percebi irritação, dor de cabeça e desânimo repentino em mim. Mas hoje em dia conheço essa vibração negativa e sinto muito que esteja despreparada ainda para este modo. E qual seria este modo?

É quando estamos tranquilos, acreditando nessas pessoas que estão interagindo conosco, sem armar a guarda, porque simplesmente amamos ou simpatizamos com elas. E talvez por isso o soco é tão intenso. E ficamos meio num vazio, sem entender onde foi que erramos, onde foi que estava escrito que meu limite é tão frágil ou que é tão fácil ultrapassar?

Precisa muito para me tirar do sério hoje em dia. Falo de virar a mesa ou chutar o pau da barraca. Porque eu era muito impulsiva antigamente e isso nunca me favoreceu como ser humano que busca evoluir. Vejo tantos falarem de boca cheia que não levam desaforos para casa, mas eu sei bem que isso não é medalha: é lixo! É colocar na bagagem energias pesadas e ser arrogante. Grande atitude para a vida, né?

Enfim, o texto é sobre como dar limites, sendo elegante e não acumulando raivas e frustrações. Opiniões são importantes, mas nem todos aceitam ou ouvem conforme são ditas. Então, o que fazer para se viver bem, quando nos decepcionamos com as pessoas? Talvez nos afastar delas, nos calar, encontrar espaço entre as relações, até que entendam a importância de pensar antes de falar e encontrem a linha do limite pessoal e do respeito por nós e nossa saúde. Caso contrário, o que realmente vale a pena? É para se pensar... Ainda bem que soube o que fazer para apagar.

NAMASTÊ 

sábado, 1 de agosto de 2026

O MOMENTO DE ACEITAR

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)


Em cada fase de nossas vidas só se evolui e cresce se mantivermos a humildade. Observar os mais velhos e experientes é uma prática saudável e inteligente para se alçar vôos. Hoje minha neta me viu costurando e perguntou como aprendi a fazer isto. Disse à ela que observei minha mãe e avós e fazia perguntas a elas. Também expliquei que as pessoas aprendem, quando têm interesse no assunto. Acrescentei que é o mesmo que cozinhar. Aprende-se com observação, tentativas e erros.

Na vida os momentos são muito importantes, principalmente se entendemos que aprender é fundamental, mas aceitar que estamos ficando mais defasados também. Num momento estamos ensinando, noutro aprendendo. E está tudo bem, pois a vida é um ciclo onde toda informação é muito rápida e avança mais que nossa capacidade de adaptação. Isto porque vamos preferindo outras atividades, assuntos e até o relaxamento mental. 

De repente, ensinar como costurar só servirá para aqueles que têm paciência e são precavidos. E os mais velhos, da mesma forma, podem aprender a tecnologia para sua própria sobrevivência. Devemos entender em que momento estamos e prestar atenção nas necessidades futuras ou que possam nos pegar de surpresa. Precisamos uns dos outros e a humildade em dizer "me ensina" é necessária, trabalhando nosso ego e a soberba em achar que sabemos tudo.

Crianças e jovens precisam observar, questionar e querer aprender com os mais velhos. E estes, precisam saber que chega um momento em que a mente cansada pode causar apagões, confusões e até problemas. Por que não aceitar que o corpo está dando sinais e pedir ajuda? Ter orgulho de ser forte é justamente um peso que carregamos por ouvir o tempo todo que temos essa força, mas às vezes só queríamos poder relaxar, sem ter que provar nada para ninguém. E também ter direito ao erro.

Em todas as idades passamos pelo momento de aceitação. A diferença é que em mais jovens, aceitar a ignorância é buscar aprender, entender a vida e ampliar os horizontes. Na velhice, aceitar o desconhecimento das coisas que ainda não se pôde aprender, significa resiliência e maturidade. Todos têm direito de aprender algo que interessa, seja lá em que idade estiver. Mas todos precisam ter consciência de ensinar os outros com respeito e paciência conforme essa idade. Só precisamos respeitar, ao invés de criticar, banalizar ou diminuir alguém. 

Isto transforma pessoas, isto aquece o mundo de amor. Tivemos quem nos ensinasse e agora somos ensinados. Isto é a beleza da vida e a sequência das gerações. É só aceitar o momento!

NAMASTÊ 

sexta-feira, 31 de julho de 2026

PROCURAR CABELO EM OVO

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)


As cobranças sobre nossas atitudes são fatores que mais nos afastam das pessoas. Todos já devem ter tido experiências, onde nos fazem perguntas sobre nosso comportamento que nem sabemos responder. 

Não levando em conta sentimentos de antipatia e vinganças, onde exercemos desdéns sobre aqueles que nos feriram, muitas pessoas vêem cabelo em ovo e começam a remoer dúvidas sobre as atitudes de alguém. E os questionamentos começam: Por que estava afastado? Por que não falou comigo? Por que não me responde? Esses são apenas alguns exemplos que surgem quando nos sentimos limitados ao grupo ou sem retorno.

Nossa mente é maquiavélica se nos deixarmos à mercê dos pensamentos. O problema é que vamos nutrindo frustrações e o coração começa a gelar. O pior é quando, ao imaginar tais coisas, procuramos fazer os outros acreditarem que tal pessoa está irritante, inoportuna e tediosa. Colocamos um crachá invisível nela, marcando-a com nomes que normalmente não tem a ver com seu momento ou vida.

O nome disto é difamação por conta da própria decepção. Não seria mais fácil perguntar se existe algum problema que se possa resolver juntos? A fofoca é exatamente isso. Queremos que os outros nos apóiem para que o sentimento de raiva se volte para quem, às vezes, nem sabe do que se trata. Talvez tais pessoas não estejam bem emocionalmente, talvez estejam conectadas aos seus próprios problemas, ou ainda estejam só sem vontade de interagir. 

Devemos parar de procurar cabelo em ovo e começar a respeitar o momento de cada um. Se nos sentimos desamparados ou marginalizados, temos duas saídas: uma é a porta e o caminho de casa, outra é tentar interagir normalmente. Muitos ficam sofrendo porque têm receio de ir contra a socialização, mas o respeito se faz quando primeiro respeitamos a nós mesmos. E criar estigmas sobre o comportamento alheio só mostra quem somos realmente: pessoas carentes buscando atenção forçada. Às vezes, por causa de um julgamento antecipado deixamos de conhecer melhor pessoas do bem e de ter com elas momentos que simplesmente apaguem aquele em que nos sentimos desprezados. O aprendizado nisto tudo é conhecer quando alguém realmente está magoado conosco ou quando tem mais assuntos a resolver do que nos agradar.

NAMASTÊ 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

QUEM VÊ CARA, NÃO VÊ DOM

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)


Se tiver uma plaquinha de médico numa mansão e ao lado a mesma placa numa simples casa de madeira, para qual você marcaria consulta? Pois te digo que ambas podem ter o dom da medicina, mas a sociedade desvaloriza quem não se apresenta profissionalmente com estilo, com roupas caras e ambientes sofisticados. Podemos cometer sérios erros em buscar o que enche os olhos. Estamos ficando arrogantes em não dar chance ao simples.

Porém, se você vai numa cartomante, normalmente é uma pessoa humilde, a não ser que seja aquela que te pede horrores para fazer um trabalho "espiritual". E procuramos por ela. Quem admira xamãs não se importa que morem em aldeias. Buscam para serem curados e não por causa da ostentação de roupas e materiais. Bruxas normalmente são as idosas que vivem mexendo em plantas e fazendo chás e amam o simples. Pedreiros usam roupas manchadas, mas são eles que consertam, que entendem pela prática e experiência. Literalmente colocam a mão na massa.

Não é sobre distinguir quem é ou não é por causa das finanças, mas sobre não se deixar levar pelo visual. Existem pessoas que trabalham pela cura, consertando ou realizando qualquer outra profissão que são extremamente capacitadas a fazer seu trabalho de forma digna e, às vezes, muito mais condicionadas pelo dom, do que aquelas que apenas focam na apresentação física ou material. Alguém resolveu que se você está mal vestido, não tem potencial para atender clientes ou pacientes. Mas quem vê cara, não vê dom. Precisamos dar chance para quem sabe, porém não se sente à vontade ou não faz seu estilo usar roupas luxuosas. São pessoas que usam o coração, ao invés da volúpia. Usam o dom, ao invés da vaidade. 

Estamos esquecendo quem são as benzedeiras, os verdadeiros curandeiros, trabalhadores braçais, para olhar requinte, beleza e ostentação.  Antigamente, os bons médicos faziam visitas em casa, o padeiro passava de carroça, o leiteiro deixava o leite no portão. Tudo tinha mais interação. O mundo mudou sim, mas não precisamos dispensar a sabedoria dos mais simples, focando nos conselhos de "coaches" que querem apenas encher seus bolsos e modificar a mente de todos. Cada um tem direito a ser o que é, assim como também escolher com quem trabalhar e acreditar. Mas pensar com o coração normalmente traz acertos, pois onde o dinheiro corre solto (mesmo afetando hoje em dia os antigos) é atirar num alvo com venda nos olhos. Às vezes a sorte pode estar a nosso favor, noutras não. O mal está em julgar o que está por fora, sem perceber o valor interior.

NAMASTÊ 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

TODO SILÊNCIO FALA

Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Eu queria que o silêncio pudesse ser ouvido. Ele diz tanto através de olhares e até mesmo na ausência. É como se a fruta mais bonita ficasse no topo da árvore, mas ela só servisse para aguçar nossa imaginação no sabor. Só que se conseguíssemos chegar até ela, estaria apodrecida, comida pelos pássaros.

Se as palavras que se escondem através do silêncio fossem desmascaradas, haveria alguma paz entre as pessoas? Todos fingimos suportar, aparentamos aceitar, simulamos falsos sorrisos e vivemos teatralmente buscando aceitação.  Nossos pensamentos não combinam com nossos atos ou palavras. E é triste observar que no momento da ausência somos a pauta da conversa, com julgamentos que em nossa presença só são feitos pelo silêncio.

Porém, quando entramos num processo de libertação (o que diga-se de passagem precisa muito mais que força), o silêncio parece gerar perspicácia e, cautelosamente vamos desatando nós e afrouxando relações. Nisto tudo, o difícil se faz em trabalhar a indiferença do que realmente sentimos. Fomos criados, ensinados e até amarrados aos padrões de vivenciar situações frustrantes, cujo silêncio grita pelo socorro que ninguém se dá ao luxo de ouvir. E as palavras saem em formato de impulsos psíquicos. Tal energia acaba por nos dar mal estar e os pesos da ansiedade  e fracasso. 

Que vontade de gritar aos sete cantos do mundo que eu sinto! E que sentir não é sinônimo de dramatizar, mas de perceber. Que posso me calar, mas não consigo parar de vivenciar o que dói. Afinal, ninguém quer existir por existir, mas sim fazer parte e estar no coração. O silêncio é só uma ferramenta de controle para que nada de bom se perca. 

Há muito mais no silêncio do que nas vozes. Estas mentem, aquele é verdadeiro. Palavras são ensaiadas para os aplausos e a admiração. O silêncio é o diretor da sinceridade, cujo corpo se torna o grande ator revelador - basta observar! Mas queremos ouvir e sermos ouvidos, imploramos e nos ajoelhamos para que o silêncio solte seu grito. Porém, o sábio o mantém a sete chaves, pois revelar todas as armas nos faz vulneráveis demais. E o mundo está repleto de feras, prontas a nos consumir e nos calar. Melhor falar silenciosamente.

NAMASTÊ