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Coração Aberto

Quando decidi escrever me senti uma borboleta saindo do casulo. E junto com ela saíram os sentimentos e os pensamentos que muitas vezes não conseguimos transmitir. Descobri que ser poeta é opinar sem medo, escrever é desvincular-se de segredos e expressar-se é viver intensamente.

JosiLuA

domingo, 14 de junho de 2026

O NÃO FAZER NADA

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Adoro o frio! A gente faz uma mistureba de roupas para se esquentar: é meia grossa listrada, calça xadrez, casaco ou roupão o dia todo. Parecemos um ser de outro mundo andando com chinelões, assoando o nariz e esfregando as mãos. Não estamos nem aí para moda, o que importa é estar quentinho, em casa, aconchegados e tranquilos. 

Vale tudo! Uma xícara de café ou chocolate quente, pinhão, sopa cremes e comidas bem aquecidas. Os finais de semana, então, são maravilhosos no frio! É pura morgação, principalmente se a gente já tá na fase de querer paz e sossego. E os acompanhamentos são escolhidos conforme cada um, podendo ser filmes, livros ou apenas estudar e conhecer mais sobre o mundo. Esperamos que todos queiram isso, sem bater em nossa porta dizendo: " vim tomar café"!

É interessante como esta estação traz recolhimento. É necessário ao corpo e à mente esses momentos exóticos de nossas vidas. Mesmo se resolver fazer algo na natureza, tudo é diferente. O ar gelado contrai o corpo e o aproveitamento é quase como se o tempo fosse mais rápido e não tão inspirador. Precisamos dar uma parada nos sonhos e acolher a pausa sem resistência. 

Hoje tá esse típico dia de chuvinha fraca, frio e preguiça. Não quero pensar no amanhã, apenas sentir a coberta macia afogando minha garganta e cobrindo as orelhas. Dar um tempo para o nosso tempo agitado é mais que necessário, é inteligente e benéfico. Posso até pensar no bingo da igreja, nos prêmios e nas guloseimas. E espero não me arrepender, mas meu lar é tudo para mim. E é nele que quero estar hoje, relaxando e fazendo nada.

NAMASTÊ 


terça-feira, 9 de junho de 2026

A COLMÉIA

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Toda colméia tem uma abelha rainha, cuja função é garantir a sobrevivência desta colméia. Diferente deste inseto, em nossa "colméia" não liberamos feromônios para neutralizar a reprodução dos demais participantes, mas ainda assim buscamos controlar o comportamento social dos indivíduos, preparando o grupo para o mundo.

Acontece que as colméias humanas podem ou não ter a sorte de serem estáveis, amorosas e participativas. Se olharmos para o passado, sem justificar ações ou erros, a rainha ou rei se esforçaram muito para dar ao núcleo o melhor que podiam. Conforme o desespero, até tiveram atos considerados escusos. A diferença das abelhas para nós é justamente o respeito pela rainha e o esforço em manter o grupo unido e sadio.

Sabemos que o papel executado foi honroso, quando o exército persiste num relacionamento de proteção e ajuda a cada membro, sem exceção.

Quando uma rainha deixa de viver, o grupo não luta pelo poder, mas alimenta as larvas para que se tornem rainhas. Assim deveria ser quando pais e mães se vão. Os filhos deveriam respeitar uns aos outros e continuar a se proteger e amar. Mas nossas vidas não têm laços de colméia, cada um segue um rumo diferente, buscando se salvar de um mundo tão controlador e competitivo. E a antiga colméia já não serve mais.

Muitas vezes, saem de seus abrigos e, voltar para visitar ou rever os que ficaram se torna um incômodo, pois preferem se livrar dos ensinamentos e verdades que agora só se tornaram pesos dos quais querem distância. E sentir a liberdade de escolher é viciante! 

Acontece que nada dura para sempre. Nem a rainha estará esperando no trono, nem a vida será tão satisfatória lá fora. Talvez a flexibilidade possa ser uma boa companheira para cada operário. Como seres humanos, podemos voar para onde quisermos, aprender com a própria vida, mas também ter gratidão por aqueles que construíram a colméia e nos acolheram por anos, muitas vezes sem olhar para si mesmos. 

E a vida passa muito rápido. Quando vemos, já foi o vigor da mocidade, as grandes oportunidades de realizar sonhos e queremos apenas estar em paz, sem precisar provar nada para ninguém. Tomamos o lugar dos donos da colméia e podemos sentir as mesmas dores do ninho vazio. Mas, se tiver sorte com seus filhos, este ninho terá sempre a visita, o carinho e a preocupação com quem lhes deu a vida. E este é o mais lindo papel da família!

NAMASTÊ 

domingo, 7 de junho de 2026

O QUE SE ESCONDE NAS PLANÍCIES

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Um dia a gente se dá conta de quão imenso é o mundo e que ele não é feito somente de planícies, mas também de montanhas. Além dos outros tipos de relevos, estes dois são os que mais se destacam, como se todo o restante fosse somente uma maquiagem para ambos. E nossas vidas parecem exatamente pertencer à energia destas geografias. 

Há um passado nas alturas e um presente nos vales, ou vice-versa. Nos perguntamos por que tudo muda tão rápido e o que parecia divertido, agora se esconde entre as lembranças. A paisagem de uns agora é muito mais ampla que de outros. Mesmo assim, nunca ninguém está realmente feliz, já que além da altura, podem haver outros detalhes como um cenário exuberante ou gelo, folhas secas e terra rachada.

Passamos por tantos territórios, que alguns ficam até esquecidos. Não são tão significativos, mas nos ajudaram a caminhar por entre pedras e espinhos. As ranhuras que ganhamos moldam o que somos hoje, sem dó, nem piedade. Com o tempo, começamos a apreciar o que está mais ao redor, sem exigir tanto esforço do nosso corpo que, cansado, machucado e até irritado, insiste em nos pedir calma e bom senso.

É uma caminhada longa a vida! Altos e baixos, alguns fazem questão de fincar a bandeira no topo mais alto, achando que serão donos dele. Iludidos com sua própria força, olham de cima para o vale e riem, como se o resto do mundo fosse um tapete aos seus pés. Um dia estarão mais baixo que qualquer planície fazendo parte das entranhas da terra. Isso é como o vento que sopra no pescoço de cada um, morno ou gelado.

É importante sentar e lembrar de quem fomos, o que fizemos, quem ajudamos ou prejudicamos. Que ferramentas utilizamos para escalar ou para derrubar alguém que estava no caminho. E responder por que fizemos tal coisa, por que traímos quem era ou é importante, por que precisamos acampar no lugar que estava reservado para outro. Respostas que não queremos dar a nós mesmos, pois ainda estamos no alto, olhando por cima, condicionados ao por-do-sol no horizonte, ao invés de apenas sentir a sombra cobrir o vale. Altos e baixos...!

Acontece que lá na montanha também esfria, se adoece, tem solidão e a rotina desgasta, da mesma forma que na planície. Onde quer que se esteja, somos complexos demais para só apreciar e ter falsos sorrisos. Nas sombras do corpo estão os segredos de uma vida turbulenta, arrogante e, no fundo, monstruosamente egoísta. Subimos e descemos, descemos e subimos, mudando o visual externo, mas carregando o interior de suspiros, culpas e arrependimentos. Tudo é só um grande teatro, onde as coisas materiais encobrem quem realmente somos. Porque enquanto brilhamos como um horizonte alaranjado, tiramos o foco do que se esconde nas entranhas da paisagem interna. E podemos sobreviver enganando aos outros, mas não a nós! E aí mora a verdade...

NAMASTÊ 


sábado, 6 de junho de 2026

APROVEITE CADA ESTAÇÃO

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



O inverno está chegando e as manhãs geladas já fazem parte do nosso despertar. O café quentinho é o que nos inspira a sair da cama aconchegante. Não importa a estação do ano, a vida continua e a maneira como cada um encara o dia continua sendo rotina.

Você já pensou em qual estação se sente melhor por dentro? Aquela que dá mais ânimo, inspiração e força para realizar, pensar e até mudar? Talvez devêssemos ter um tempo para nos recolher, como fazem os animais ou deixar ir o que só ocupa espaço para acolher o novo, como as plantas.

Fato é que o ciclo da vida nem sempre é respeitado por nós. Conforme o metabolismo de um e outro, fugimos para lugares mais quentes ou mais frios, não dando tempo para as transformações. Ou simplesmente ignoramos o que o corpo fala. E, se por acaso desfrutássenos mais do frio ficando um pouco mais aconchegados nas cobertas, talvez nos braços do amor, jogando prosa fora? Ou quem sabe abrir o armário e tirar a caixa empoeirada de fotos para apreciar junto com alguém os bons tempos de outrora, ajudasse o coração a esquecer brigas e rancores.

Todos os dias são como folhas se soltando numa grande árvore da vida. Talvez ela volte a brotar, talvez já esteja velha demais e só representará um espectro de galhos secos enfeitando uma paisagem verde, até que a própria natureza se encarregue de absorvê-la. Há sempre os mais sensitivos que se encantam com ela e a respeitam, mesmo sem a exuberância do colorido, pois ainda decora o ambiente.

Em moradas do nosso coração as quatro estações fazem parada constante. Nossos erros também são responsáveis por aprendermos como reagir às provas da vida. O amor se beneficia do calor humano e a frieza que lançamos mão pode congelar relações. Quando florescemos tudo parece mais significativo e o potencial também prospera. 

Cabe a nós entender a natureza da qual fazemos parte e sincronizar nossos relógios com ela para tirarmos benefícios de cada momento de nossas vidas. Sem pressa, nem desespero! Apenas deixando que mente e coração se unam com bom senso suficientes para que cada estação traga as mudanças que necessitamos dentro de nós e nosso tempo seja perfeito, a fim de darmos frutos numa próxima estação.

NAMASTÊ 

terça-feira, 2 de junho de 2026

HÁ UM AMOR QUE É ESPECIAL

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



O amor vem de onde não se espera. Ele surge como carinho, lembrança e aconchego. É bom se sentir amado! A vida parece mais fácil e a saúde agradece. Mesmo tendo o amor de pessoas especiais, ainda assim sentimos um vazio quando não recebemos daqueles que mais esperamos.

Como terapeuta, ouço muitas confissões sobre a falta de amor. As pessoas sofrem caladas, adoecem e, na pior das hipóteses, se entregam à depressão. Por mais que se auxilie através das terapias, a dor no coração só é curada com o melhor remédio existente em outro coração: o amor! 

Existem formas de fortalecer o pensamento, desviar o foco ou distrair a mente, mas enquanto aquele laço sagrado ainda estiver ligado a nós, voltaremos a esperar a cada dia um gesto de amorosidade, carinho ou atenção.  O que se faz para não desistir da vida em si é ter ideais, amizades, atividades que encham as horas e que enganem o cérebro a não ficar sempre com as mesmas memórias. Pois, se nos fechamos num casulo, a mente só lê o que deixamos escancarado na pauta.

Toda vida pertence a um ciclo: nossos órgãos trabalham com determinadas glândulas, cujas funções são diversas. A exemplo disto, falemos dos pulmões, ligado ao chakra do coração, já que é sobre isto nosso texto. Ele trabalha com a glândula timo e juntos defendem o organismo. Como ele é um receptáculo da tristeza, baixamos a imunidade com este sentimento, causando problemas pulmonares, gripes, asma, bronquite e outras. 

Se fizermos um mapeamento da vida de alguém e da falta de amor, chegaremos nas somatizações de doenças. Parece ilógico, mas somos energia e, se ela se desequilibra, precisamos mais do que remédios em frascos. Precisamos da essência do amor, vindo daqueles laços espirituais. 

Sabemos bem que a simples atenção nos faz sentir parte da vida. E, mesmo entendendo que o curso desta vida separa pessoas e que elas precisam de espaço para florescer, não queremos ser deixados de lado como uma velha máquina. Só precisamos que alguém, de vez em quando, coloque lenha na fornalha, ou limpe a ferrugem das peças para que haja força da musculatura voltar a sorrir, os olhos brilhar e as mãos se estenderem para acolher. Os que lembrarem de amar estarão em paz e, com certeza, serão abençoados, pois um dia estarão também no lugar das máquinas desgastadas e com sorte, terão lugar num espaço único e bondoso, preparado para lhes acolher com muito Amor.

NAMASTÊ