Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)
Eu queria que o silêncio pudesse ser ouvido. Ele diz tanto através de olhares e até mesmo na ausência. É como se a fruta mais bonita ficasse no topo da árvore, mas ela só servisse para aguçar nossa imaginação no sabor. Só que se conseguíssemos chegar até ela, estaria apodrecida, comida pelos pássaros.
Se as palavras que se escondem através do silêncio fossem desmascaradas, haveria alguma paz entre as pessoas? Todos fingimos suportar, aparentamos aceitar, simulamos falsos sorrisos e vivemos teatralmente buscando aceitação. Nossos pensamentos não combinam com nossos atos ou palavras. E é triste observar que no momento da ausência somos a pauta da conversa, com julgamentos que em nossa presença só são feitos pelo silêncio.
Porém, quando entramos num processo de libertação (o que diga-se de passagem precisa muito mais que força), o silêncio parece gerar perspicácia e, cautelosamente vamos desatando nós e afrouxando relações. Nisto tudo, o difícil se faz em trabalhar a indiferença do que realmente sentimos. Fomos criados, ensinados e até amarrados aos padrões de vivenciar situações frustrantes, cujo silêncio grita pelo socorro que ninguém se dá ao luxo de ouvir. E as palavras saem em formato de impulsos psíquicos. Tal energia acaba por nos dar mal estar e os pesos da ansiedade e fracasso.
Que vontade de gritar aos sete cantos do mundo que eu sinto! E que sentir não é sinônimo de dramatizar, mas de perceber. Que posso me calar, mas não consigo parar de vivenciar o que dói. Afinal, ninguém quer existir por existir, mas sim fazer parte e estar no coração. O silêncio é só uma ferramenta de controle para que nada de bom se perca.
Há muito mais no silêncio do que nas vozes. Estas mentem, aquele é verdadeiro. Palavras são ensaiadas para os aplausos e a admiração. O silêncio é o diretor da sinceridade, cujo corpo se torna o grande ator revelador - basta observar! Mas queremos ouvir e sermos ouvidos, imploramos e nos ajoelhamos para que o silêncio solte seu grito. Porém, o sábio o mantém a sete chaves, pois revelar todas as armas nos faz vulneráveis demais. E o mundo está repleto de feras, prontas a nos consumir e nos calar. Melhor falar silenciosamente.
NAMASTÊ




