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Coração Aberto

Quando decidi escrever me senti uma borboleta saindo do casulo. E junto com ela saíram os sentimentos e os pensamentos que muitas vezes não conseguimos transmitir. Descobri que ser poeta é opinar sem medo, escrever é desvincular-se de segredos e expressar-se é viver intensamente.

JosiLuA

sexta-feira, 19 de junho de 2026

AS DESCULPAS QUE MAGOAM

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Já reparou como temos mania de encontrar respostas para o desprezo ou erro das pessoas que amamos? "Ah, coitada, está muito cansada! Ele tá cheio de coisas na cabeça! Eles são assim meio estranhos! O marido ou a esposa não deixa ela ou ele ter atitude!" E por aí vão as desculpas. Protegemos naturalmente aqueles que nos são valiosos, mesmo sabendo que não é bem a verdade. Mas, nos conformarmos com as desculpas que damos para a ingratidão, descaso ou desfeita de tais pessoas, coloca um curativo no nosso coração entristecido amenizando a dor, mesmo sabendo que não é bem a verdade.

Ainda não somos verdadeiros o suficiente ao ponto de dizer "não quero fazer isto ou me encontrar com você neste momento". O jeito de falar é que muda tudo.  Normalmente, para nos impor e já colocar um ponto final no assunto, falamos num tom não muito acolhedor e isto acaba ferindo. Talvez por medo disto, por orgulho ou pela simples falta de coragem em dizer o que pensamos, inventamos histórias que nem sempre se encaixam perfeitamente no contexto. Ambos os lados sabem que há uma mentira naquela página, mas convivemos com ela para não criar intrigas.

Na verdade, o que acaba machucando mesmo é que criamos expectativas sobre o que gostaríamos de fazer com ou por alguém, mas nos deparamos com um bloqueio na estrada. Precisamos sofrer com isto? É a pergunta que vale ouro! Infelizmente, há uma série de sentimentos que começam a brotar sobre se somos amados, se nossa companhia é maçante, se somos um peso físico, emocional ou financeiro e isto tudo acaba nos levando a questionar a vida. Se não conseguimos nos desvencilhar disto tudo, entramos em depressão. E, mesmo se nos chamam, às vezes, não conseguimos mais ser autênticos, receando nos tornar incompreendidos. Isto acontece muito, mesmo que se negue ou se tente esconder com frases como "eu não estou nem aí", " eu não ligo, sou mais eu" ou "sempre tem quem me queira por perto". Da boca para fora somos poderosos, independentes e donos de si, porém no fundo da alma as lamentações fervilham e vão acumulando dores. 

Infelizmente, dores estas que desequilibram a energia vital, trazendo alguns problemas de saúde. Somos seres necessitados de conforto e amor. Gostamos de ser presentes e de sermos lembrados. Precisamos das oportunidades que nos façam sentir necessários e presentes na vida dos que amamos e até dos que nos rodeiam. Portanto, dê uma chance para quem quer te ajudar e estar contigo. Estará produzindo bem estar a um mundo tão egoísta e sem empatia. Essa transformação é sua, é minha, é nossa, sendo autênticos sobre os por quês. 

A dor invisível que afeta os corações é muito silenciosa. Ela vai se acumulando e precisa esforço diário para curar. E só a alegria de se sentir amado e presente na vida das pessoas, traz novamente a força de continuar. Precisamos realmente prestar atenção em nossas palavras e na forma com que saem da boca, sem afetar os que nos querem bem. E, antes que a companhia deles não seja mais possível, é necessário buscar um tempo para acolhê-los sempre que pudermos.

NAMASTÊ 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

É FÁCIL DESAPEGAR?

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Aprender a desapegar nem sempre é tão fácil. Talvez doar umas roupas, o brinquedo ou o livro não seja um incômodo, mas deixar para trás histórias e momentos, remexem muito com sentimentos que nos fizeram felizes, crescer e ensinar. É o caso de vender uma casa, por exemplo. Precisamos desapegar com felicidade, quando vemos que a vida seguiu rumos melhores, que a prosperidade veio ao nosso encontro.

Porém, nem sempre deixar o simples, o básico e o aconchegante por algo mais luxuoso nos fará tão ou mais felizes, do que aquele lugar onde encontramos a energia que se ajustava a nós. Podemos até sentir aquela pequena vaidade por ter algo que possa deixar os outros de boca aberta, mas às vezes, há um buraco no coração que não fecha. E nos sentimos meio deslocados quanto ao conforto, à praticidade ou algo mais profundo, como um ninho mais íntimo e cheio de histórias.

O desapegar tem a ver com toda bagagem que precisamos trocar da mente e do coração. Há um certo medo no novo, que pode ou não trazer a satisfação esperada. Acontece que se precisamos por algum motivo deixar para trás coisas e pessoas, talvez seja porque há necessidade de crescimento e sair daquele quadrado que já está saturado e sem vida. Nas relações isto sempre acaba mal, quando um dos dois ainda não desligou o botão seguir em frente, insistindo em transformar a vida numa guerra de força e poder.

Aprender a desapegar do que não serve mais, do que já não traz movimento e aprendizado na vida, parece ser uma diretriz para todos nós, já que o maior dos desapegos seja o espírito do corpo físico. E diga-se de passagem, muitos têm problemas com isso! Precisamos entender que deixar para trás não significa necessariamente esquecer, mesmo porque tudo está bem registrado na mente. Temos livros de dramas, terror, romance, comédia e tantos outros sentimentos, todos prontos a serem tirados de nossa biblioteca mental, desempoeirados e lidos. E é interessante notar que as lembranças surgem através de pequenas coisas como músicas, cheiros, imagens. E revivemos o que estava escondido, talvez na hora certa para ajustarmos as ações do aqui e agora.

Portanto, o deixar ir não se perde como imaginamos. Ele está escrito no arquivo do universo, pronto para ser resgatado, mostrando alegrias e tristezas, faltas cometidas que possam nos envergonhar, mas também atitudes enaltecedoras. Podemos lembrar de pessoas incríveis ou cuja energia só nos trouxe dor, de momentos agradáveis, lugares acolhedores, mas também de desespero e terror. O que precisamos é usar cada fato como um aprendizado para a vida, estando mais alerta para definir o melhor, através de uma consciência internalizada, adotando o aprendizado como uma melhora no próprio comportamento.

NAMASTÊ 

terça-feira, 16 de junho de 2026

CORTINA DE FUMAÇA

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Estava aqui tomando meu café num dia cinza e frio, vendo as notícias, que priorizam o futebol. Comecei a pensar quão interessante somos nós, tão absurdamente manipuláveis. Milhões de pessoas torcem cada uma por seus times e saem por aí atacando outras, porque são de  outro time. Chegam a se matar, destroem lugares e voltam à época das cavernas. De repente, as mesmas pessoas, vestindo outra camiseta da mesma cor e simbolo torcem juntas, se abraçando e se unindo numa mesma vibração.

A falta de bom senso sobre esporte, política e religião cria lutas onde deveria ser só torcida, estupidez onde poderia ter união, arrogância onde deveria ter respeito. Realmente, pensam que o divertido não é exatamente o esporte em si, mas a guerra, cujas palavras e atitudes fazem alguém ser diminuído e sofrer. 

Quanto à política e a religião então, nem se fala! E o pior é que quem se afasta disso é frio, enfadonho e sem graça, porque a humanidade está tão acostumada a ferir, que o simples fato de ter tudo na paz torna-se estranho.  Chegamos à triste conclusão de que as pessoas gostam da energia apimentada, de sentir o sangue ferver, de tomar posse da discussão ou situação, cheios de soberba. Algo me diz que isto está no DNA, já que se olharmos o passado, as arenas ficavam lotadas para verem outros serem arrasados.

É interessante como o vento nas velas muda rapidamente a direção do barco e, num mar tão cheio de opiniões, ficamos simplesmente a mercê do que pode nos beneficiar em dado momento. As roupas que vestimos identificam nossa pobre personalidade, inconstante e volúvel. É algo dentro de nós que instiga ser de determinado grupo,  bancando a "maria-vai-com-as-outras", sem ao menos entender ou conhecer realmente e a fundo onde estamos nos integrando.

Essa cortina de fumaça criada em nossas mentes tira o foco de nossa vida real, do que está acontecendo com o mundo e como agir para sobreviver. É uma tática antiga para aliviar as tensões do povo, enquanto alguns poucos planejam como avançar financeiramente. E acreditamos que isto é diversão e felicidade.

Enfim, meu café hoje foi filosófico e meio amargo. Mas me pergunto, por que temos a mania de abafar a realidade e esconder mais ainda o que sentimos? Talvez pela pura vontade de nos sentirmos parte do todo e, mesmo que por pouco tempo, fingirmos que algum grupo nos olha e aceita, sem questionar nada. E não tem conserto, pois a grande massa não quer entender, só aproveitar. Somos eternos aprendizes num curso que nunca acaba.

NAMASTÊ 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

ENSINAR É MAIS FÁCIL

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



É mais fácil ensinar do que colocar em prática o que ensinamos aos outros. Eis uma sábia frase que nos acompanha pela vida e que tem uma explicação coerente. Quando nos colocamos em uma posição perante a vida dos outros, sem que isso nos afete completamente, o modo "saber resolver a situação" liga rapidamente. Mas, por quê?

Simplesmente porque não estamos envolvidos emocional e fisicamente nos sentimentos e na mente delas. Há uma parte boa e outra ruim nisto tudo. Resolver problemas com tranquilidade e sem estar nervoso faz parte do mecanismo do cérebro que liga e desliga certas partes, conforme o estresse. Nervosos, o córtex frontal, que é onde planejamos a vida, desliga e a dificuldade de solucionar questões é dificultada.

Por isso, quando vemos alguém muito nervoso pedimos que respire, se acalme e leve oxigênio ao cérebro tentando ativar áreas necessárias para a solução dos problemas. Mas, como todos nós somos uma rede de informações neurais, às vezes é muito difícil controlar hormônios e sentimentos.

O lado bom é que quem está fora do problema, talvez possa auxiliar e nos dar opções que ainda não tivemos condições de pensar. Nem sempre conseguimos ouvir estes conselhos e ensinamentos, já que o corpo está no modo "lutar ou fugir", devido às tristezas e estresses encontrados pelo caminho. 

Talvez, antes de se iniciar uma aula, sempre se devesse acalmar a mente dos alunos, focando no aqui e agora, trazendo algo animador e que colocasse tais cérebros em função analítica e crítica. Cada pessoa traz dentro de si o que ouviu e viu desde que acorda até chegar na escola, no trabalho ou dos assuntos ainda não resolvidos e que incomoda e desvia o pensamento do que seria necessário focar.

Voltando à frase inicial, isto também é válido para quem sempre tem uma solução para os problemas alheios. Na hora de resolver os seus, se recolhe em lágrimas e o desespero toma conta, mesmo que já tenha aconselhado alguém sobre o mesmo problema. Tendemos a nos distanciar emocionalmente dos desafios tendo uma postura de quem sabe muito bem como resolver, mas sofremos calados.

Com tudo isso, é bom aprender a ouvir quando estamos fatigados. Talvez nem todos tenham bons conselhos, mas ter opções que possamos usar ou testar tragam saídas que não enxergávamos. E lembrar que pensar com calma pode trazer melhores resultados sobre tudo na vida. Resumindo: tudo o que fizermos, deve ser feito quando nosso corpo estiver orientado a focar o aqui e agora, com os mecanismos necessários a nos levar à satisfação de acharmos saídas seguras de sobrevivência. O problema é aprender e colocar em prática.

NAMASTÊ 

domingo, 14 de junho de 2026

O NÃO FAZER NADA

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Adoro o frio! A gente faz uma mistureba de roupas para se esquentar: é meia grossa listrada, calça xadrez, casaco ou roupão o dia todo. Parecemos um ser de outro mundo andando com chinelões, assoando o nariz e esfregando as mãos. Não estamos nem aí para moda, o que importa é estar quentinho, em casa, aconchegados e tranquilos. 

Vale tudo! Uma xícara de café ou chocolate quente, pinhão, sopa cremes e comidas bem aquecidas. Os finais de semana, então, são maravilhosos no frio! É pura morgação, principalmente se a gente já tá na fase de querer paz e sossego. E os acompanhamentos são escolhidos conforme cada um, podendo ser filmes, livros ou apenas estudar e conhecer mais sobre o mundo. Esperamos que todos queiram isso, sem bater em nossa porta dizendo: " vim tomar café"!

É interessante como esta estação traz recolhimento. É necessário ao corpo e à mente esses momentos exóticos de nossas vidas. Mesmo se resolver fazer algo na natureza, tudo é diferente. O ar gelado contrai o corpo e o aproveitamento é quase como se o tempo fosse mais rápido e não tão inspirador. Precisamos dar uma parada nos sonhos e acolher a pausa sem resistência. 

Hoje tá esse típico dia de chuvinha fraca, frio e preguiça. Não quero pensar no amanhã, apenas sentir a coberta macia afogando minha garganta e cobrindo as orelhas. Dar um tempo para o nosso tempo agitado é mais que necessário, é inteligente e benéfico. Posso até pensar no bingo da igreja, nos prêmios e nas guloseimas. E espero não me arrepender, mas meu lar é tudo para mim. E é nele que quero estar hoje, relaxando e fazendo nada.

NAMASTÊ