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Coração Aberto

Quando decidi escrever me senti uma borboleta saindo do casulo. E junto com ela saíram os sentimentos e os pensamentos que muitas vezes não conseguimos transmitir. Descobri que ser poeta é opinar sem medo, escrever é desvincular-se de segredos e expressar-se é viver intensamente.

JosiLuA

segunda-feira, 20 de abril de 2026

COMO MEDIR A DOR

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)


Estou esperando atendimento num hospital e me dei conta de quanto sou abençoada. Passam por mim pessoas mancando, sofrendo dores terríveis, cujas vidas foram tolhidas de algumas atividades, esperançosas de uma solução para seus problemas. Cada pessoa mede sua dor não só pela dor física, mas também por tudo que vem com ela: medo, frustração e dúvidas.

Alguns podem exagerar na dor física, porque no fundo estão precisando de atenção, de carinho e acolhimento, mais que de remédios. Sofrer fisicamente é uma maneira de chamar a atenção do mundo para a vida que estamos levando arduamente em sigilo. Quando estamos felizes, mas com dor, não ficamos no foco da atenção e a dor emocional começa a surgir.

A questão está no cérebro e na forma como pensamos. Quanto mais sentimos pena de nós, mais nos entregamos às dores físicas que, aos poucos ficam sem controle. Obviamente, o corpo pode "estragar" de alguma forma, sejam por acidentes, pelo que exageramos em ingerir, como por pensamentos deteriorantes. Alguns podemos controlar, outros nem tanto.

Quando um médico pede para medirmos a dor de 1 a 10, por exemplo, é para que ele imagine a urgência do tratamento, mas na verdade, esse número que damos não contabiliza a dor emocional que vem junto à física. Olho para todos ao meu redor e noto nos olhos e na neurolinguística corporal quem sofre além do que se vê, e sinto que tantas pessoas têm problemas diversos com os quais precisam lidar, talvez sem ajuda emocional e espiritual. 

Se observássemos mais o mundo, talvez fôssemos mais gratos por termos a abundância que muitos não conseguem ter, porque esqueceram de viver, de existir, de se libertar da autocomiseração. Não é a questão de não ter dor, pois esta também é um sinal de alerta. Mas de ter dor e começar a buscar a real causa da dor, ajustando a vida para que o tratamento seja completo. Tem pessoas que têm raiva do mundo, culpando o mesmo pelas suas dores, porque não quer aceitar seus erros e suas decisões. Desse jeito, nunca encontrará a verdadeira cura, pois ela não está no mundo, mas em nós. 

Somos seres prontos a nos adaptar fisicamente, mas a mente controla como iremos nos portar perante as adversidades físicas e emocionais que a vida apresenta. Um sempre é reflexo do outro e esse sistema é poderoso demais para descuidar de um deles. Busquemos hospitais, mas também entender quem somos!

NAMASTÊ 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

PRECISAMOS AGIR

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Precisamos ser muito fortes, para suportar o medo, para não desistir da luta, para não abandonar o indiferente.

Precisamos tomar cuidado, com nossos pensamentos, com nossas atitudes, com nossa impaciência.

Precisamos alimentar a alma, de orações cotidianas, de momentos de solitude, de passeios ao ar livre.

Precisamos usar a criatividade, para produzir o bem, para embelezar o mundo, para melhorar a vida e os recursos.

Precisamos nos ajoelhar às vezes, para perceber nossa pequenez diante do mundo, para exercitar os joelhos, para que Deus entenda nosso suplício.

Precisamos abrir os braços, para encher mais os pulmões de ar, para acolher quem está perdido, para abraçar a vida.

Precisamos desligar o modo automático, para acordar para novidades, para sair da caixa que entramos, para nos esforçar nas descobertas.

É preciso ser forte! Mas necessário se faz tomar cuidado!

Cada dia pode ser um quadro novo para a criatividade que está pulsando dentro de nós.

Experimentar orar de joelhos e ter a alma tranquilizada faz falta para o mundo hoje em dia. Talvez abrir os braços na natureza, ou para a família possa mudar muita coisa dentro de nós.

Desligar o automático não significa só fazer o mesmo quando chega um feriado. Significa mudar o rumo, pensar diferente, olhar por outro ângulo e até reconstruir seu modo de agir e ver as coisas.

Precisamos parar! Parar de verdade, sentar numa pedra e só observar, deixando a intuição se aproximar. Perceber as dúvidas e as respostas que, estranhas ou não, podem ser a solução. Esquecer um pouco o analítico e usar mais o holístico. Talvez o erro seja acreditar demais no exato e desacreditar no que está fora do contexto. Por trás da névoa pode estar o grande sol que ilumina a vida. 

O problema está dentro e não fora. Mas a solução, também!

NAMASTÊ 


quinta-feira, 16 de abril de 2026

SINAIS DE DEUS

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Hoje, ao sair de dentro de casa por volta das 6:00 da manhã, me deparei com um céu magnífico, de encher não só os olhos, mas o coração de esperança e felicidade. E, como minha mente viaja rapidamente pelo espiritual, as questões da vida começaram a borbulhar e não consegui sossegar, sem escrever sobre este sentimento.

Não é o fato em si, mas o quadro geral das cores, energias e mistérios da vida, que ainda a ciência orgulhosa não consegue dar respostas. Talvez muitos olhem e nada sintam, outros se inspirem e rezem e outros nem reparem. Tudo é uma questão de sintonia. Para mim, Deus está no comando de cada amanhecer, jogando para quem quiser receber, a beleza de seus atos. 

Um simples amanhecer colorido pode trazer paz para quem acordou sem esperança, pode dar idéias ao designer e ao fotógrafo, pode acalmar o coração do acamado no hospital que olha pela janela, pode iluminar o café da manhã em tons de laranja. É como se Deus jogasse purpurina e só quem está com a mente e o coração abertos possam aproveitar o brilho e fazer dele um mar de oportunidades.

Há sinais a todo momento das graças divinas! A fome pode ser saciada com a gentileza de alguém em repartir seu alimento. O choro pode ser solto da garganta ao se receber um abraço. A música vinda do interior da igreja pode nos remeter ao perdão. O dia exaustivo e cheio de rudezas pode terminar com o olhar ou palavras de alguém inesperado, mas que está cheio de luz. As idéias podem ser mais organizadas depois de passar as mãos pela natureza. Cabe a nós entender e despertar para cada ato que consideramos normais ou corriqueiros, mas que no fundo têm propósitos.

Já me importei em ser rotulada de sonhadora, maluca e diferente. Hoje acho todos esses rótulos elogios para minha alma livre, pois aprendi que esta vida que vivo é só minha. Quem não compreende a energia ou não encontra tempo para senti-la continuará lamentando o ambiente, as pessoas, o caminho. Enquanto isso, estarei agradecendo a Deus por enviar seus sinais e ajudar meu despertar.

NAMASTÊ 


quarta-feira, 15 de abril de 2026

O RECONHECIMENTO

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Todo ser humano tem dentro de si a necessidade de aprovação social, perante seu esforço de fazer algo em prol da humanidade, da sua comunidade, de sua família ou de uma única pessoa. Isto é natural e se situa no cérebro, em áreas interligadas pelas emoções e pelo prazer. Queremos, mesmo que inconscientemente, ser reconhecidos. Faz parte de nós!

De certa forma, esse reconhecimento traz para cada pessoa uma transformação de sua personalidade, afetando mais ou menos a maneira como se encara a gratidão. Uns aceitam e continuam humildes, acreditando que podem melhorar o próprio esforço, enquanto outros estacionam, levando consigo a marca que os fez ter algum sucesso na vida, como um instrumento de soberba e de certa forma, inclusão social. 

Mas, a necessidade de sermos reconhecidos, mesmo pelos pequenos atos diários, externam rapidamente quando sentimos ingratidão, às vezes até de maneira grotesca e injusta, cobrando o que fizemos por eles. Seria normal essa ânsia pelo reconhecimento, ou deveríamos apenas fazer nossa parte, sem esperar que o outro lembre e seja grato por tudo? Até que ponto fazemos por amor ou apenas para ter nossa consciência tranquila?

Fato é que o reconhecimento é uma maneira de estímulo aos próximos atos. Elogiar, parabenizar e valorizar o tempo e as atitudes de qualquer pessoa, faz o cérebro entender que se está no caminho correto para se tornar um ser humano útil e melhor. Toda pessoa que recebe a gratidão acaba por liberar para seu corpo a dopamina, cujo efeito é de bem estar com a vida. Isto pode estimular cada vez mais a vontade de sentir essa sensação e desenvolver a capacidade de transformar a forma de ver o mundo, ajudando na ansiedade, na frustração e até na própria solidão.

Precisamos reconhecer os bons atos e parar de cobrar que reconheçam os nossos, deixando que apenas o amor, a preocupação ou a vontade de ver mudanças que possam ajudar pessoas pelo mundo sejam o foco principal das nossas ações. Cabe a cada pessoa lembrada, trabalhar na sua evolução espiritual e aprender a reconhecer que, se alguém lhe ajuda, não é por obrigação e precisa haver gratidão. Ou também, reconhecer aqueles que realmente fazem algo para melhorar a vida, a evolução e o progresso do planeta, enaltecendo e aplaudindo seus trabalhos, ao invés de achar defeitos, ou desmoralizar seus esforços. Antes de mais nada, comece a reconhecer quem realmente você é! E, quando analisar isso, perceberá se os julgamentos que faz são realmente cabíveis no contexto.

NAMASTÊ 

sexta-feira, 10 de abril de 2026

O LUTO

Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Quando alguém que faz parte da nossa vida nos deixa, o dia fica diferente. Esse dia é silencioso, por mais que o mundo continue a se movimentar. Se tem sol, não aquece, se é frio, parece perdidamente triste e se é nublado, combina com o que sentimos.

Por mais que continue a vida, há um vazio inexplicável como se no canto faltasse um vaso. Mesmo que não reparássemos diariamente no formato, na beleza e na serventia do vaso, sabíamos que ele fazia parte da decoração, do contexto e do lugar que ele ocupava, mas que nenhum outro poderá ocupar. Esse vazio é uma sensação estranha, como se todo o mundo não tivesse mais o mesmo aspecto, o mesmo jeito. Como se sacudissem novamente os dados nas mãos e, ao cair, eles agora somassem a ausência, ficando um dos lados em branco.

Ao perder alguém da família hoje, me deparei com esse dia novamente e voltei a sentir essa pausa cinzenta, onde tudo que queremos é nos recolher e pensar. E nos esbarramos com por quês de tantas formas e tamanhos que sequer temos tempo de responder. Há até uma certa culpa por não ter aproveitado melhor o tempo com quem se foi. Talvez aprendido, valorizado as oportunas lições que aumentariam nosso portfólio e tido humildade de reconhecer as diferenças que poderiam ensinar coisas novas.

Mas nossas vidas e o orgulho de sermos ocupados demais, ofusca o mais relevante: o tempo de nos aprofundarmos nas relações importantes. Talvez por isso, o vazio! Porque enchemos o copo e esquecemos de beber, deixando longo tempo parado, sem perceber que vai evaporando aos poucos. Quando nos damos conta, o vazio está lá. E não há mais como encher o copo, porque ele rachou.

Há muitos buracos ao nosso redor. Buscamos preencher, não os buracos, mas a mente que, ocupada, aos poucos só se importará com as belas lembranças. O vazio é inservível. E, o luto, se transforma na árvore espiritual, cujos galhos balançam com tristeza e as folhas lacrimejam a saudade.

NAMASTÊ 

In memoriam...