Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)
Resolvi fazer uma limpeza nas caixas de documentos e lembranças. Elas eram interessantes enquanto eu imaginava um cenário mais longevo para minha vida. Encontrei muitas recordações e percebi quanta história temos para relembrar que nem fazem mais parte do subconsciente. Estavam escondidas no fundo da biblioteca mental, já empoeiradas.
Ao mesmo tempo ri e chorei, me entristeci e fiquei satisfeita, e constatei uma luta que já nem lembrava. Preciso ter orgulho de mim e saber que o caminho foi bem longo, cheio de boas e más experiências. Bilhetinhos, cartões, emails, convites e ingressos me transportaram no tempo. Sim, guardei muita coisa e foi bom, pois esse momento, além de me distrair, me mostrou um mundo de amores e traições, elogios e maldades, carinho e estupidez, divertimento e dor.
Na saúde tive momentos em que precisei estar consciente de minhas limitações. No amor, tive que enfrentar a lembrança de sabotagem disfarçada de amizade, justamente de pessoas que jamais imaginava que teriam capacidade e tempo para tal apunhalada pelas costas. Ainda tenho tudo guardado. Na vida social, queridos amigos e pessoas que acolhi como filhos, mandando cartas e deixando seu apreço.
Muita coisa resolvi separar para que o fogo leve embora e se desfaça no astral, apesar de que ficarão registrados na eterna biblioteca akashica. Guardei ainda algumas coisas que possam ser úteis enquanto eu viver ou talvez depois que eu me for. Mas mexer nesta energia é de certa forma uma libertação, uma limpeza.
Eu tive muitos sentimentos fazendo isso: tristeza, orgulho, raiva, carinho, alegria, mas sobretudo amor pela minha vida. E agora entendo a inveja que jamais compreendi. Fui e continuo sendo uma guerreira solitária. Nunca precisei me ancorar em alguém para ter o que tive. Sim, ajudei e fui ajudada, mas essa garra que tive em exercer meu potencial, sem me deixar afetar pelos julgamentos, fez muita gente roer as unhas. E, mesmo sofrendo injúrias, boicotes e energias pesadas, cheguei até aqui com uma família maravilhosa, onde meus filhos seguiram um caminho que me dá orgulho e descanso. São pessoas do bem e lutadores.
Juntei todos os bilhetinhos de "eu te amo" de filhos e netas para saborear ainda em vida. E encontrei um em especial que recebi no dia da mulher de 1993 de meu pai. Ele jamais deixava de dar uma rosa. Amanhã será o dia de queimar papéis que já não trazem nada de interessante ou bom. Isso será divertido, com muitas ervas para dar um toque especial de limpeza energética.
E assim se encerra alguns ciclos, abrindo as janelas e deixando a luz entrar. Experimente mexer na gaveta ou na caixa guardada no fundo do armário. É como um filme que nos mostra nossa história. Sempre tem o drama, o romance, o terror e a comédia. Somos verdadeiros atores num roteiro feito exclusivamente para nós. Nem sempre se ganha o prêmio da academia, mas cada história é única e tem um lugar especial na árvore da vida. Alguns aplaudem, outros nos vaiam. Mas cumprimos o papel escrito em nosso coração.
NAMASTÊ




