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Coração Aberto

Quando decidi escrever me senti uma borboleta saindo do casulo. E junto com ela saíram os sentimentos e os pensamentos que muitas vezes não conseguimos transmitir. Descobri que ser poeta é opinar sem medo, escrever é desvincular-se de segredos e expressar-se é viver intensamente.

JosiLuA

sexta-feira, 10 de abril de 2026

O LUTO

Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Quando alguém que faz parte da nossa vida nos deixa, o dia fica diferente. Esse dia é silencioso, por mais que o mundo continue a se movimentar. Se tem sol, não aquece, se é frio, parece perdidamente triste e se é nublado, combina com o que sentimos.

Por mais que continue a vida, há um vazio inexplicável como se no canto faltasse um vaso. Mesmo que não reparássemos diariamente no formato, na beleza e na serventia do vaso, sabíamos que ele fazia parte da decoração, do contexto e do lugar que ele ocupava, mas que nenhum outro poderá ocupar. Esse vazio é uma sensação estranha, como se todo o mundo não tivesse mais o mesmo aspecto, o mesmo jeito. Como se sacudissem novamente os dados nas mãos e, ao cair, eles agora somassem a ausência, ficando um dos lados em branco.

Ao perder alguém da família hoje, me deparei com esse dia novamente e voltei a sentir essa pausa cinzenta, onde tudo que queremos é nos recolher e pensar. E nos esbarramos com por quês de tantas formas e tamanhos que sequer temos tempo de responder. Há até uma certa culpa por não ter aproveitado melhor o tempo com quem se foi. Talvez aprendido, valorizado as oportunas lições que aumentariam nosso portfólio e tido humildade de reconhecer as diferenças que poderiam ensinar coisas novas.

Mas nossas vidas e o orgulho de sermos ocupados demais, ofusca o mais relevante: o tempo de nos aprofundarmos nas relações importantes. Talvez por isso, o vazio! Porque enchemos o copo e esquecemos de beber, deixando longo tempo parado, sem perceber que vai evaporando aos poucos. Quando nos damos conta, o vazio está lá. E não há mais como encher o copo, porque ele rachou.

Há muitos buracos ao nosso redor. Buscamos preencher, não os buracos, mas a mente que, ocupada, aos poucos só se importará com as belas lembranças. O vazio é inservível. E, o luto, se transforma na árvore espiritual, cujos galhos balançam com tristeza e as folhas lacrimejam a saudade.

NAMASTÊ 

In memoriam...


quinta-feira, 9 de abril de 2026

A TRANSPARÊNCIA

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



E se fôssemos de vidro transparente, como será que iríamos reagir ao ver  tudo que colocamos no interior das pessoas com nossas palavras, expressões e atitudes e como isso transforma a imagem delas? Talvez o peso em perceber o que causamos fosse desastroso, pois veremos muitos pontos obscuros, corações partidos, órgãos afetados, cérebro com miasmas astrais e por aí vai.

Somos responsáveis por tudo que causamos tanto em nós, com nosso pessimismo, estagnação e baixa auto-estima, quanto nos outros com comentários desnecessários e sem limites. Chegamos ao mundo com brilho e transparência e vamos nos sufocando e ofuscando na sujeira que recebemos na vida.

Porém, quem busca sua limpeza, aprende também a ter mais compreensão e paciência com o vidro do outro, entendendo a dificuldade que há para a auto-purificação. Nem todos têm prática, nem todos entendem por que se sentem desgostosos, cansados e frustrados com a vida. Afinal, flores não resistem a águas sujas.

Infelizmente, sabemos que uma grande parte da humanidade só quer saber de seu próprio brilho e pior, não querem ver os outros reluzir, pois se sentem ameaçados. Mal sabem eles que iluminar o mundo faz parte de uma teia poderosa, onde cada um têm oportunidade de contribuir com seu dom, seu trabalho, sua luz para todos.

Se conseguíssemos enxergar o interior de cada pessoa, entenderíamos seu amargor, sua raiva, sua falta de fé. A bagagem interior nefasta, transforma pessoas. E todos somos culpados pelo que sai de nós e entra nelas. Mas elas também são quando, ao se sentirem desconfortáveis no mundo, não buscam mudar, se expandir e se curar.

Muitos vasos com flores murchas andam de um lado para outro nas ruas e nem nos damos conta disso. Às vezes, um sorriso, uma mão estendida, uma palavra de carinho e ânimo, uma ajuda, pode colocar naquele vasinho água fresca e fazer tal flor renascer. Sejamos empáticos!

E quanto a nós, precisamos aprender a trocar a água suja do nosso vaso através do perdão, da compreensão e da busca por trabalhos transformadores que ajudem a alma a se elevar. O jardim do universo é infinito e não necessitamos tolher ou eliminar flores ao nosso redor. Será muito mais belo florescer com cores, tamanhos e formas de todos os tipos, que juntos embelezam ainda mais o mundo.

NAMASTÊ 


segunda-feira, 6 de abril de 2026

PESSOAS DIFÍCEIS

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Pessoas difíceis são aquelas que ganham esse adjetivo porque carregam dentro delas sentimentos endurecidos pelas próprias experiências de vida. Às vezes, nem elas se dão conta do quanto são complexas. Nem sempre têm culpa, se levarmos em consideração a falta de meios ou ajuda para se transformar.

São pessoas que nada as agrada, acham defeitos em tudo e normalmente são carrancudas. Reclamam o tempo todo, seja do tempo, das pessoas e do jeito delas, da comida, do barulho, da alegria exagerada e por aí vai. Quase sempre ficam pelos cantos observando e não compartilham idéias, a não ser que sejam questionadas. Seu sorriso é amarelo, seu semblante endurecido. Chegamos a ter medo e pena delas ao mesmo tempo.

São tão orgulhosas, que choram sozinhas, sem buscar consolo em um ombro amigo. Com o tempo, se sentem sufocadas em qualquer ambiente, pois acham que todos são felizes, menos elas. Na verdade, realmente são infelizes, sem conseguir se soltar para expandir sua beleza interior.

Talvez, sofreram demais e desacreditaram no seu poder pessoal, na sua luz, na sua essência. O orgulho tomou conta e não conseguem fluir, deixar livre os pensamentos e mudarem o rumo da raiva. Arrumam desculpas para o que as perturba, falando que outras pessoas ficam incomodadas, mas no fundo são só elas mesmas.

Pessoas difíceis não ouvem, elas cortam as outras nas opiniões ou idéias, sempre sendo negativas. Não vêem nem beleza, nem oportunidades, mas muitos obstáculos e defeitos. São tóxicas em excesso e contaminam ambientes de tal maneira, que acabam silenciando a alegria e a vontade das outras. Quase nunca sai um elogio ou uma frase de esperança de suas bocas. Se elas não conseguem, ninguém pode conseguir.

Elas se afastam tanto, que com o tempo passam despercebidas e sofrem ainda mais. Até seu corpo começa a dar sinais do cansaço e dos sentimentos ruins que carrega. Como a maioria quer ser feliz (e elas também, mas bloqueiam a própria felicidade), elas precisam ser atendidas com amor, mostrando um mundo rico em novas histórias, com cura para toda alma que deseja ser curada.

Se temos compaixão e amorosidade, precisamos achar um jeito de furar este bloqueio e ajudar estas pessoas para que seu processo seja transformado e elas possam se expandir. Afinal, nem todos sabem como construir um ambiente livre das más energias, nem todos acreditam que podem se libertar da dor e nem todos ainda estão no tempo destas descobertas. Parece fácil soltar um balão e deixá-lo voar, mas necessita de engenharia suficiente para os detalhes. Ou ele poderá ser pesado demais, pegar fogo rapidamente ou nem sair do chão. 

NAMASTÊ 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

PRECISAMOS AGRADAR A TODOS?

Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Às vezes, não vale à pena tanto esforço para fazer alguém simpatizar ou gostar de nós. Gastamos energia, tempo e mesmo assim acabamos nos frustrando com o retorno. Acontece que cada um cultiva sua própria vibração e nem sempre sintonizamos com ela.

Tem horas que essas vibrações  são como ondas de rádio que, dependendo do lugar, encontram obstáculos e o que se ouve são chiados durante as transmissões. Assim acontece com algumas relações em que um dos lados não faz a mínima questão de acolher o que transmitimos. Escutam, mas não nos ouvem. Aceitam nossa presença como se fôssemos apenas um objeto inanimado. Nossas opiniões não importam. E, sem perceber, a frustação chega e nos sentimos tristes e até energeticamente desgastados, porque precisamos que gostem de nós.

Esses sentimentos são sentidos por pessoas com vontade de ter boas relações, participar da sociedade em si e colaborar com um mundo mais acolhedor. Porém, a vida nos ensina que existem polos que se atraem e outros que simplesmente não. A imagem que passamos faz toda a diferença! E, às vezes, estamos num grupo que não combina conosco, nossos pensamentos e atitudes.

Quando se ilumina o ambiente com sabedoria, alegria ou apenas com o sábio silêncio, os que invejam isso tendem a chacotear e se afastar. Ao mesmo tempo, o interesse em sugar o  conhecimento para uso próprio, faz muitos bajularem aqueles que oferecem isso. Mas, quem lida com energia, acaba por definir bem o real aluno que tem interesse em evoluir, daquele que só investiga para fazer pouco de nós, falando de nosso jeito e crenças para os outros, com intuito de desfazer o brilho de nossa alma.

Então, vale a pena o esforço de agradar? Precisamos aprender a ter relações com quem possa nos ajudar a saber mais, a evoluir e a nos entregar paz no coração de forma amorosa e gentil. Forçar relações onde o fio está desemcapado pode resultar em muitos choques que não estamos a fim de levar. Talvez o simples fato de deixar as pessoas decidirem o momento de quererem despertar faça a diferença nas relações. Porque uma hora chega a vontade de jogar por terra o ciúmes, a inveja e o orgulho para aprender mais com quem tem mais a oferecer.

Enquanto cultivar esses sentimentos tão nocivos, a vida se torna pesada e, mesmo sendo o centro das atenções com piadinhas ou soberba, o sentimento de que falta algo mais dentro de si mesmo, continua. E, para aqueles que não são ouvidos ou não têm importância para o grupo, só precisam esperar, pois na hora da escuridão são esses que estarão lá para clarear. Não precisamos agradar a todos, mas precisamos aprender a sintonizar o que e quem nos faz bem e nos deixa ter paz de espírito.

NAMASTÊ 


segunda-feira, 30 de março de 2026

O AMANHÃ PODE NÃO EXISTIR

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Amanhã posso não estar mais aqui. Posso ter cumprido minha missão e me retirado para outro estágio do meu espírito. 

Posso não abrir mais o portão e te abraçar sorrindo, te recebendo com alegria.

Posso não poder te entregar o pão quentinho saído do forno ou um pedaço generoso do bolo que fiz pensando em você.

Amanhã minha cozinha poderá estar vazia, meu quarto arrumado e minhas roupas prontas para serem doadas.

Ninguém me verá carregar sacolas de supermercado, nem ajeitar meu jardim. 

Não estarei suja de tinta por fazer arte, nem conseguirei o tempo para visitar o lugar que tanto sonhei.

Amanhã serão só lembranças! Minhas e suas. Surgirão memórias que não soubemos aproveitar, risos guardados em gavetas cheias de cupins e carinhos cozidos no amargor. 

E hoje, me pergunto por quê? Se sabemos que nada é certo, que o amanhã está batendo na porta e se amar é maravilhoso, por que não fazemos com que cada minuto seja recompensa e não transtorno?

O que há dentro de nós que não combina com a essência de ser maior que uma simples semente que não germina, mas fica dormente, sem vontade de simplesmente florescer e se manifestar em sua totalidade?

Amanhã pode ser tarde para novamente me olhar nos olhos e conhecer o que sou de verdade. Entender meus sentimentos e aprender, não sobre minha teimosia, mas sobre minha história escondida nesta teimosia. Afinal, ainda estou aqui, tentando chamar a atenção, não com raiva, mas com medo. 

Sim, medo de perder você de vista, de não poder mais sentir o cheiro do teu perfume, tuas mãos que quase não toco e teu sorriso tão guardado, sem se abrir para a beleza da vida.

A cada manhã agradeço mais uma oportunidade de abrir portões, de fazer bolos e de ouvir sua voz. Agradeço o ir e vir e cada pedacinho do dia que criei, inventei, organizei e existi.

A vida é um fio passando pela agulha de costura. Precisamos usar os instrumentos certos para conseguir costurar: nem agulha fina para fio grosso, nem agulha muito grossa para tecido delicado. É a tenacidade das ações que transformam vidas secas em momentos inesquecíveis, porque amanhã pode ser tarde demais para se dizer o quanto se ama e o quanto fazemos falta um para o outro. 

Um dia, algum dos lados deixará de existir, mas se durante a vida houver o necessário para que os corações sejam agraciados com ternura, não haverá culpa, nem arrependimentos. Somente a linda imagem de algo que nenhum pintor conseguirá projetar na tela, pois essências são guardadas em frascos no universo. E cada linda história viverá eternamente na árvore da vida. Só aproveite o tempo para sentir e deixe-se amar, sabendo amar.

NAMASTÊ