Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)
Um dia a gente se dá conta de quão imenso é o mundo e que ele não é feito somente de planícies, mas também de montanhas. Além dos outros tipos de relevos, estes dois são os que mais se destacam, como se todo o restante fosse somente uma maquiagem para ambos. E nossas vidas parecem exatamente pertencer à energia destas geografias.
Há um passado nas alturas e um presente nos vales, ou vice-versa. Nos perguntamos por que tudo muda tão rápido e o que parecia divertido, agora se esconde entre as lembranças. A paisagem de uns agora é muito mais ampla que de outros. Mesmo assim, nunca ninguém está realmente feliz, já que além da altura, podem haver outros detalhes como um cenário exuberante ou gelo, folhas secas e terra rachada.
Passamos por tantos territórios, que alguns ficam até esquecidos. Não são tão significativos, mas nos ajudaram a caminhar por entre pedras e espinhos. As ranhuras que ganhamos moldam o que somos hoje, sem dó, nem piedade. Com o tempo, começamos a apreciar o que está mais ao redor, sem exigir tanto esforço do nosso corpo que, cansado, machucado e até irritado, insiste em nos pedir calma e bom senso.
É uma caminhada longa a vida! Altos e baixos, alguns fazem questão de fincar a bandeira no topo mais alto, achando que serão donos dele. Iludidos com sua própria força, olham de cima para o vale e riem, como se o resto do mundo fosse um tapete aos seus pés. Um dia estarão mais baixo que qualquer planície fazendo parte das entranhas da terra. Isso é como o vento que sopra no pescoço de cada um, morno ou gelado.
É importante sentar e lembrar de quem fomos, o que fizemos, quem ajudamos ou prejudicamos. Que ferramentas utilizamos para escalar ou para derrubar alguém que estava no caminho. E responder por que fizemos tal coisa, por que traímos quem era ou é importante, por que precisamos acampar no lugar que estava reservado para outro. Respostas que não queremos dar a nós mesmos, pois ainda estamos no alto, olhando por cima, condicionados ao por-do-sol no horizonte, ao invés de apenas sentir a sombra cobrir o vale. Altos e baixos...!
Acontece que lá na montanha também esfria, se adoece, tem solidão e a rotina desgasta, da mesma forma que na planície. Onde quer que se esteja, somos complexos demais para só apreciar e ter falsos sorrisos. Nas sombras do corpo estão os segredos de uma vida turbulenta, arrogante e, no fundo, monstruosamente egoísta. Subimos e descemos, descemos e subimos, mudando o visual externo, mas carregando o interior de suspiros, culpas e arrependimentos. Tudo é só um grande teatro, onde as coisas materiais encobrem quem realmente somos. Porque enquanto brilhamos como um horizonte alaranjado, tiramos o foco do que se esconde nas entranhas da paisagem interna. E podemos sobreviver enganando aos outros, mas não a nós! E aí mora a verdade...
NAMASTÊ




