Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)
Quando a gente faz as refeições sozinhos, no silêncio da manhã chuvosa, os fantasmas do pensamento nos assombram sem piedade. É como se a vida fosse uma roda gigante e em cada cadeirinha estivesse sentada uma pessoa que amamos e nos preocupamos. Ela gira muito lentamente e a história de cada uma aparece na tela mental.
E surgem aquelas interrogações tão comuns: por quê? como? o que fazer? As respostas racionais aparecem rapidamente, mas as espirituais sacodem o coração e nos acolhem na fé. É nesta hora que as mãos atadas se mostram para o mundo. Um mundo incrivelmente maravilhoso, mas cheio de dúvidas, medos e injustiças. O estômago dói porque sentimos a energia tentando se afastar das incertezas.
Nosso corpo é tão ajustado para nos curar, porém o sofrimento demasiado desequilibra tudo e caímos numa armadilha cheia de dores, doenças e remédios que acabam intoxicando ainda mais nossa bela máquina. Sofrer por aquilo que dá errado, que não conseguimos realizar ou pela perda é externar a dor que vem das entranhas, mas que muitas vezes não consegue achar a saída.
É normal sofrer, pois faz parte de um mecanismo emocional, cuja finalidade é abrir nossos olhos para certas circunstâncias. Porém, deixar que o sofrimento seja algo natural nas nossas vidas é aceitar que não merecemos a felicidade e isso torna-se um perigo para o que se considera saudável.
O sofrimento vem de fontes diversas, desde falta de amor, de inclusão social, de comparações com outras vidas e de saúde. Não parece, mas sofrer em demasia pode causar comportamentos autodestrutivos, isolamento, raiva exacerbada da vida e das pessoas e até agressividade. O sofrimento silencioso pode até causar a morte daquele corpo, por não conseguir reagir mais e se entregar.
Podemos sofrer por conta de acontecimentos atuais, como por traumas passados, muitas vezes escondidos num subconsciente destruidor, causando muitos males na forma de agir e pensar. O sofrimento parece cancelar do cérebro a coerência, o bom senso e o discernimento, agindo sem escrúpulos nas ações de quem sofre, tornando a pessoa confusa ou insana. Ela precisa fazer algo para "parar de sofrer", mas não pensa nas consequências de seus atos. E, infelizmente, isto causa uma onda de energia de sofrimento para tudo ao redor dela.
Vários hormônios responsáveis pelo equilíbrio do corpo podem afetar nossos sentimentos, mas especialmente o cortisol elevado que, além de causar esgotamento físico e mental, acaba por aumentar nossa pressão e gordura corporal e baixa a imunidade. Não tem um botão de liga/desliga para o sofrimento, mas dentro deste sentimento podemos ao menos tentar viver melhor. Devemos buscar estar em grupos de pessoas praticando exercícios, fazer caminhadas meditando, estar mais em contato com a natureza, ler bons livros que inspirem a vida, abrir o coração para pessoas que nos amam e possam orientar, enfim, não focar no problema dia e noite.
Isto irá criar uma vida melhor para si e todos ao nosso redor, pois o sofrimento faz toda uma estrutura ruir junto. E esta energia de dor, tristeza e silêncio é um templo de seres espirituais prontos a atacar e sugar de vez toda energia. Por mais dolorido que esteja, não devemos deixar de orar, sorrir e mais que tudo, amar. Sofrer faz parte, o que não faz parte é deixar de buscar a felicidade e aproveitar a própria vida, mesmo que isso signifique apenas bons momentos de distração, risos e abraços.
NAMASTÊ




