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Coração Aberto

Quando decidi escrever me senti uma borboleta saindo do casulo. E junto com ela saíram os sentimentos e os pensamentos que muitas vezes não conseguimos transmitir. Descobri que ser poeta é opinar sem medo, escrever é desvincular-se de segredos e expressar-se é viver intensamente.

JosiLuA

sexta-feira, 31 de julho de 2026

PROCURAR CABELO EM OVO

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)


As cobranças sobre nossas atitudes são fatores que mais nos afastam das pessoas. Todos já devem ter tido experiências, onde nos fazem perguntas sobre nosso comportamento que nem sabemos responder. 

Não levando em conta sentimentos de antipatia e vinganças, onde exercemos desdéns sobre aqueles que nos feriram, muitas pessoas vêem cabelo em ovo e começam a remoer dúvidas sobre as atitudes de alguém. E os questionamentos começam: Por que estava afastado? Por que não falou comigo? Por que não me responde? Esses são apenas alguns exemplos que surgem quando nos sentimos limitados ao grupo ou sem retorno.

Nossa mente é maquiavélica se nos deixarmos à mercê dos pensamentos. O problema é que vamos nutrindo frustrações e o coração começa a gelar. O pior é quando, ao imaginar tais coisas, procuramos fazer os outros acreditarem que tal pessoa está irritante, inoportuna e tediosa. Colocamos um crachá invisível nela, marcando-a com nomes que normalmente não tem a ver com seu momento ou vida.

O nome disto é difamação por conta da própria decepção. Não seria mais fácil perguntar se existe algum problema que se possa resolver juntos? A fofoca é exatamente isso. Queremos que os outros nos apóiem para que o sentimento de raiva se volte para quem, às vezes, nem sabe do que se trata. Talvez tais pessoas não estejam bem emocionalmente, talvez estejam conectadas aos seus próprios problemas, ou ainda estejam só sem vontade de interagir. 

Devemos parar de procurar cabelo em ovo e começar a respeitar o momento de cada um. Se nos sentimos desamparados ou marginalizados, temos duas saídas: uma é a porta e o caminho de casa, outra é tentar interagir normalmente. Muitos ficam sofrendo porque têm receio de ir contra a socialização, mas o respeito se faz quando primeiro respeitamos a nós mesmos. E criar estigmas sobre o comportamento alheio só mostra quem somos realmente: pessoas carentes buscando atenção forçada. Às vezes, por causa de um julgamento antecipado deixamos de conhecer melhor pessoas do bem e de ter com elas momentos que simplesmente apaguem aquele em que nos sentimos desprezados. O aprendizado nisto tudo é conhecer quando alguém realmente está magoado conosco ou quando tem mais assuntos a resolver do que nos agradar.

NAMASTÊ 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

QUEM VÊ CARA, NÃO VÊ DOM

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)


Se tiver uma plaquinha de médico numa mansão e ao lado a mesma placa numa simples casa de madeira, para qual você marcaria consulta? Pois te digo que ambas podem ter o dom da medicina, mas a sociedade desvaloriza quem não se apresenta profissionalmente com estilo, com roupas caras e ambientes sofisticados. Podemos cometer sérios erros em buscar o que enche os olhos. Estamos ficando arrogantes em não dar chance ao simples.

Porém, se você vai numa cartomante, normalmente é uma pessoa humilde, a não ser que seja aquela que te pede horrores para fazer um trabalho "espiritual". E procuramos por ela. Quem admira xamãs não se importa que morem em aldeias. Buscam para serem curados e não por causa da ostentação de roupas e materiais. Bruxas normalmente são as idosas que vivem mexendo em plantas e fazendo chás e amam o simples. Pedreiros usam roupas manchadas, mas são eles que consertam, que entendem pela prática e experiência. Literalmente colocam a mão na massa.

Não é sobre distinguir quem é ou não é por causa das finanças, mas sobre não se deixar levar pelo visual. Existem pessoas que trabalham pela cura, consertando ou realizando qualquer outra profissão que são extremamente capacitadas a fazer seu trabalho de forma digna e, às vezes, muito mais condicionadas pelo dom, do que aquelas que apenas focam na apresentação física ou material. Alguém resolveu que se você está mal vestido, não tem potencial para atender clientes ou pacientes. Mas quem vê cara, não vê dom. Precisamos dar chance para quem sabe, porém não se sente à vontade ou não faz seu estilo usar roupas luxuosas. São pessoas que usam o coração, ao invés da volúpia. Usam o dom, ao invés da vaidade. 

Estamos esquecendo quem são as benzedeiras, os verdadeiros curandeiros, trabalhadores braçais, para olhar requinte, beleza e ostentação.  Antigamente, os bons médicos faziam visitas em casa, o padeiro passava de carroça, o leiteiro deixava o leite no portão. Tudo tinha mais interação. O mundo mudou sim, mas não precisamos dispensar a sabedoria dos mais simples, focando nos conselhos de "coaches" que querem apenas encher seus bolsos e modificar a mente de todos. Cada um tem direito a ser o que é, assim como também escolher com quem trabalhar e acreditar. Mas pensar com o coração normalmente traz acertos, pois onde o dinheiro corre solto (mesmo afetando hoje em dia os antigos) é atirar num alvo com venda nos olhos. Às vezes a sorte pode estar a nosso favor, noutras não. O mal está em julgar o que está por fora, sem perceber o valor interior.

NAMASTÊ 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

TODO SILÊNCIO FALA

Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Eu queria que o silêncio pudesse ser ouvido. Ele diz tanto através de olhares e até mesmo na ausência. É como se a fruta mais bonita ficasse no topo da árvore, mas ela só servisse para aguçar nossa imaginação no sabor. Só que se conseguíssemos chegar até ela, estaria apodrecida, comida pelos pássaros.

Se as palavras que se escondem através do silêncio fossem desmascaradas, haveria alguma paz entre as pessoas? Todos fingimos suportar, aparentamos aceitar, simulamos falsos sorrisos e vivemos teatralmente buscando aceitação.  Nossos pensamentos não combinam com nossos atos ou palavras. E é triste observar que no momento da ausência somos a pauta da conversa, com julgamentos que em nossa presença só são feitos pelo silêncio.

Porém, quando entramos num processo de libertação (o que diga-se de passagem precisa muito mais que força), o silêncio parece gerar perspicácia e, cautelosamente vamos desatando nós e afrouxando relações. Nisto tudo, o difícil se faz em trabalhar a indiferença do que realmente sentimos. Fomos criados, ensinados e até amarrados aos padrões de vivenciar situações frustrantes, cujo silêncio grita pelo socorro que ninguém se dá ao luxo de ouvir. E as palavras saem em formato de impulsos psíquicos. Tal energia acaba por nos dar mal estar e os pesos da ansiedade  e fracasso. 

Que vontade de gritar aos sete cantos do mundo que eu sinto! E que sentir não é sinônimo de dramatizar, mas de perceber. Que posso me calar, mas não consigo parar de vivenciar o que dói. Afinal, ninguém quer existir por existir, mas sim fazer parte e estar no coração. O silêncio é só uma ferramenta de controle para que nada de bom se perca. 

Há muito mais no silêncio do que nas vozes. Estas mentem, aquele é verdadeiro. Palavras são ensaiadas para os aplausos e a admiração. O silêncio é o diretor da sinceridade, cujo corpo se torna o grande ator revelador - basta observar! Mas queremos ouvir e sermos ouvidos, imploramos e nos ajoelhamos para que o silêncio solte seu grito. Porém, o sábio o mantém a sete chaves, pois revelar todas as armas nos faz vulneráveis demais. E o mundo está repleto de feras, prontas a nos consumir e nos calar. Melhor falar silenciosamente.

NAMASTÊ 

domingo, 26 de julho de 2026

VONTADE DE NÃO FAZER NADA


 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)


Hoje não tô com vontade de nada. Estou com aquela sensação de melancolia, saudades de quem já se foi e que eu não posso mais sentir fisicamente o abraço. Nestes dias cinzas isso acaba acontecendo. Nossos corações se cobrem de lembranças, aquecendo a vida e diminuindo a agitação habitual. E está tudo bem!

Desacelerar é saudável também. A gente entra no modo recordações e vários sentimentos começam a brotar. Viajamos pelo tempo e alcançamos espaços esquecidos, mas que são sempre bem-vindos para lembrar quem somos e de onde viemos. Atitudes que marcaram nossa história e que nos fazem pensar, agir e dar um novo recomeço.

Preciso fazer um bolo para deixar a cozinha cheirosa, com cara de amor. Olho para minhas plantinhas e lembro da beleza que era ver algumas na entrada e nas paredes da casa dos avós. Entendo completamente de onde vem minha paixão pela natureza.  

Minhas raízes são profundas, sinto a terra me acolhendo e fortalecendo a seiva de todas as minhas veias. Me sinto parte de algo maior do que o que vejo. Isto é simplesmente esplêndido! Parar, sentir e absorver o momento, a vida e a beleza da existência.

O sol tenta iluminar minha casa, com raios tímidos e tudo fica ainda mais divino. Só me deixo voar nos pensamentos, dançando com a energia que se esconde dos olhos, mas que age no coração. E sinto presenças, risos e olhares amorosos construindo uma clareza de amor e alegria na vida.

A vontade de nada é cheia de tudo. Coisas que deixamos passar, desde emoções, até sentimentos que já esquecidos, afloram com intenções definidas em nos transformar e libertar. Que venha toda essa libertação! Está tudo escrito nas estrelas, nos raios de sol, no cheiro da mata, no barulho da água correndo entre as pedras, na areia fina deslizando sobre nossos pés. O que precisamos é colocar em nossa agenda: hoje não vou fazer nada, vou me encontrar com meu Eu e me entregar ao que Sou em essência.

Precisamos aprender a respeitar este dia na vida dos outros. Deixá-los fluir, buscando recarregar algo que não se faz com pressa, nem barulho. Porque também nós precisamos e sentimos esta necessidade. Cada alma sabe bem quando precisa se conectar com o Divino. E não temos fios instalados na parede, mas conexões alimentadas pelo amor que temos, com vontade de se expandir pelo cosmos.

NAMASTÊ 

...vou fazer o bolo😍


sexta-feira, 24 de julho de 2026

VERDADEIRA IDENTIDADE

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Como tudo na vida, o tempo nos causa transformações e estas vêm acompanhando aprendizados, manias, mudanças físicas e maturação. Acontece que tudo isto não é uma transformação coletiva igualitária. Uns se destacam mais, outros não buscam o conhecimento em alguma ou nenhuma área.

Se pensarmos que a vida é feita de estágios, vamos envelhecendo levando em nós toda uma história que fica guardada em cada parte do nosso corpo. Nas lembranças está nossa infância, adolescência, juventude, a fase adulta e cada momento de nossa velhice. Casa fase, com novas descobertas e vivências criam mudanças corporais e mentais. 

A diferença entre as pessoas é justamente quando se dão ou não conta de tais mudanças, que no fundo é o normal da vida. Uns ficam estacionados na sua ignorância ou na criança birrenta, enquanto outros precisam lidar com o excesso de adultismo. Usar os papéis que tivemos durante a vida pode ajudar a tornar a vida séria ou divertida, quando necessário. E é por isso a importância de ter limites e respeitar a vida do outro, sem impor o que achamos correto com ignorância e sendo ditadores.

Na verdade, nossa verdadeira identidade é uma mistura de tudo que somos, nos transformando em pessoas únicas, especialmente agradáveis ou excessivamente irritantes. A cura sempre está na humildade e em aceitar a falta da própria autoconsciência, buscando uma forma saudável em evoluir com mudanças internas. Nunca é tarde demais para deixar de ser arrogante e entender que sua suposta forma de ser "dono de si" é apenas um escudo de controle sobre sua vida e a dos outros.

Quando aceitamos cada fase das idades e levamos o melhor das anteriores conosco, nos convertemos em pessoas conscientes, inteligentes e preparadas para o mundo. Isto inclui boas experiências, a força da busca autônoma, sem viver como ganchos pendurados nos outros. A alegria e os bons sentimentos, sem querer superar os outros na forma como eles são, somente por egocentrismo, e usar o que temos para crescer em corpo, mente e espírito, completam o ciclo de nossas vidas. Lembrando que o que vemos no espelho, não é exatamente o que o outro vê sobre nós. Pois o espelho não mostra nosso interior, mas os outros percebem através de nossa forma de ser, das palavras que saem de nós e das atitudes que temos ao interagir. 

E, lá na frente, teremos orgulho real da vida que tivemos na Terra se entendermos o verdadeiro significado de ser, através da busca em evoluir.

NAMASTÊ 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

PRESTE MAIS ATENÇÃO

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



É, o tempo parece que está voando mesmo. Fui até a panificadora e comecei a reparar que meus vizinhos estão indo embora. Aqueles que passaram grande parte da vida nos cumprimentando, parando para conversar ou nos ajudando de alguma forma. Algumas casas estão com placas de "vende-se" e as casas estão vazias. Uns estão doentes e precisando da família, outros simplesmente não querem mais ficar sozinhos.

Comecei a pensar que este ano alguns familiares e conhecidos deixaram de viver e que aquela época em que nem pensávamos nisso foi embora. Uma nova geração começa aos poucos a se despedir, uns muito rápidos e outros silenciosamente. E estou entrando nesta geração, me preocupando em como tudo irá ficar para trás. Percebo que a gente apenas deixa de existir e a vida continua normalmente. Tem que continuar! 

Seria bobagem escrever sobre como queremos que seja nossa despedida? Na verdade, velórios são tão frívolos que sempre achei meio constrangedores. Mas, voltando ao tempo, essas casas vazias e pessoas antigas colocando suas posses em caminhões de mudança trazem uma certa melancolia. Nos acostumamos com aquela vizinha das plantas, ou o senhor que costuma sentar-se embaixo da árvore em frente de casa, num painel decorativo para nossas vidas. De repente, eles somem como se alguém resolvesse passar o pincel na tela.

Esses "amigos" da vida deixam suas histórias que nos contavam com alegrias ou desespero. Nossas casas vão passando para outras mãos que, ou são transformadas completamente, ou os novos se instalam apenas, dando uma nova personalidade. Os que ficam aprendem a receber os que chegam tímidos, ou percebem o antisocial tentando ser gentil. Sim, a vida é um carrossel girando sem parar e alguns vão caindo fora na força centrífuga. 

Como sou meio nostálgica, certos acontecimentos me fazem pensar na vida e em como o frenesi nos afasta dos bons tempos em que os avós, pais e vizinhos traziam as cadeiras para frente das casas, fumavam os palheiros ou tomavam o chimarrão, contando causos, enquanto a criançada se encontrava na rua para correr e brincar. Isto ia até o sol se pôr, mas nas cidades grandes não se vê mais. Talvez ainda no interior.

Enfim, uma simples caminhada até a panificadora me inspirou a perceber melhor a vida. Portanto, sugiro deixar o carro na garagem e aproveitar melhor a sua ida às compras, observando as pessoas e os acontecimentos que estão ocorrendo. Aproveite! Tem muita história para sonhar e viver!

NAMASTÊ 

QUAL É A SAÍDA?

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Estamos todos dentro da aura da Terra. Vivemos com as emanações do planeta, com a energia de cristais, da força telúrica e cósmica. Todos recebem o mesmo, mas nem todos têm consciência destas forças. Como os pensamentos se unem ao nosso redor, captamos diversos tipos de energia, desde as boas, até as piores possíveis.

Os mais sensíveis costumam se afastar de locais fechados e tumultuados por não se adaptarem a algumas dessas energias. Muitas vezes nem sabem e arrumam desculpas para não participarem dos eventos tentando se preservar do incômodo. Outros levam consigo dores de cabeça ou mal-estar. Há uma mistura grandiosa de fontes energéticas por todo lado e só precisamos entender e estar atentos a elas. Isto não significa que precisamos nos isolar, mas que precisamos conhecer com quem interagimos, onde vamos e como fazer proteções.

Vivemos diariamente fechados em escritórios, ambientes públicos, igrejas, meios de locomoção e até nossas casas. Esta última é a principal fonte de preservação de nossas vidas. Precisamos abrir janelas, movimentar a energia e fazer limpezas, tanto físicas como espirituais sempre que possível. O ar acumulado vai deteriorando e começamos a ter sintomas de insônia, dores de cabeça, desânimo. Necessitamos reciclar e proteger nossa força vital sempre que possível. Alguns sentem muito mais que outros e a antipatia não significa falta de amor, nem isolamento, mas instinto de preservação.

Respeitar a ausência de alguns é entender a sensibilidade ou necessidade dessas pessoas não quererem se expor ou até não se sentirem à vontade com tanto barulho. E o barulho pode vir de uma única pessoa que não pára de falar. Com o tempo, mudanças ocorrem no padrão de comportamento de alguns, conforme estudos e técnicas de autoconhecimento e, o que antes era diversão, hoje pode se transformar em algo penoso e acabamos esponjas. Precisamos escolher entre agradar a nós ou a muitos. Isso implica em desagradar pessoas e virar alvo de comentários. Mas, até onde isto afeta? Obviamente, é um motivo para mais uma limpeza energética.

É difícil encontrar a saída para uma sociedade exigente, que nem sempre aceita ser enfrentada com mudanças. Na desculpa do amor, obrigam pessoas a ser o que não são, irem onde não querem ou fazer o que não sentem vontade. E a prisão emocional é uma das piores para se viver. O amor não está na obrigação, mas no sentimento diário de acolhimento, ajuda e atenção. 

Presos estamos todos na energia da Terra até nosso último suspiro. Mas não precisamos tornar nossas vidas acumuladas de pesos e prisões emocionais para apenas satisfazer egos e padrões. A fluidez do ir e vir quando se sente vontade é o melhor remédio para relacionamentos sadios. Mas ainda nos sentimos juízes e algozes das decisões alheias, mesmo não sabendo realmente o que se passa em cada coração. Porém, quando se trata de nós, inventamos rapidinho motivos para desfazer encontros e convites. Pense nisso!

NAMASTÊ 

terça-feira, 14 de julho de 2026

DECISÕES ERRADAS

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Este texto é sobre carregar pesos desnecessários. Aqueles que nossa intuição já apontava, mas que as dúvidas sobre ser ríspida demais ou duvidar do próprio coração nos fazem desviar do caminho certo. Isto acontece sempre em nossas vidas, se o orgulho nos domina ou se não confiamos o necessário nas nossas possibilidades.

Precisamos ter coragem de realizar os sonhos sem intervenções e palpites, ainda mais quando ouvimos dentro de nós uma dúvida sobre a quem contar ou nos fazer companhia. Muitas e muitas vezes, trilhar o caminho solitário é necessário para aproveitar melhor os presentes deixados pelo universo. Se sentimos o chamado precisamos ir com fé e consciência de que lá estará tudo que precisamos para cuidar de nós. 

Já provei isto em várias ocasiões na vida e fui abençoada com anjos pela estrada, aprendendo a ter paciência, resiliência e dinamismo. Ainda assim insistimos fazer as coisas um pouco diferentes, mesmo tendo dentro de nós um rumor pedindo que continue na trilha já aberta por aqueles que nos protegem. E pagamos o preço por não ouvir.

Quando queremos algo mais do que apenas conhecer pessoas e lugares, precisamos da conexão com a divindade. E isto se faz na introspecção e respeito, atributos que nem sempre encontramos, principalmente quando pensamos ajudar aqueles que são medrosos, ansiosos ou controladores, mas ainda não estão suficientemente abertos para o processo. 

Talvez tudo seja parte de um plano maior, onde tal bagagem nos ensine a lidar com os desajustes da vida. Precisamos estar preparados para eles! Não há crescimento sem saber como o mundo fora de nós funciona. Não podemos nos acomodar só com acertos, pois nossos erros são necessários para equilibrar o peso na balança. Acontece que depois precisamos agir com precisão e retirar estas sobrecargas emocionais que nos corroem cada vez que nos culpamos ou pensamos no assunto. Esta limpeza é necessária, porém seria ótimo se conseguíssemos apagar pensamentos e lembranças. 

Mas podemos seguir em frente, certos de não repetir os erros, de ouvir a intuição e de andar no caminho com pessoas que respeitem nossas pegadas, se as convidarmos para conhecer nossa jornada. Não é sobre ignorar ou ter soberba, mas sobre nossa missão construída com quem nos olhe e compreenda, conectando energias que se completam.

NAMASTÊ 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

ENQUANTO A VIDA TEM CHANCE

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Enquanto ela chora, alguém se admira com a novidade.

Enquanto um se assusta com um golpe, outro recebe de volta o que emprestou.

Enquanto uns preparam o velório,  outros recebem uma nova vida na Terra.

Enquanto uns esperam pacientemente, outros se apressam sem perceber os detalhes.

Enquanto uns nem percebem os gastos, outros contam moedas para suprir suas necessidades.

Enquanto uns passam horas estudando uma nova descoberta, outros passam horas bebendo nos botecos.

A vida se disfarça e nos pega de surpresa. Os acontecimentos chegam pé ante pé ou como aviões supersônicos. O que muda é o destino de cada um, ou o que há dentro de nós? É a intenção, ou a natureza, o espírito, ou o caráter?

Por mais que admiremos alguém, não seremos igual, pois não é só o jeito, mas os sentimentos, a inteligência, a vontade que cada célula carrega. A singularidade é o que há de mais belo na criação. Preenchemos vazios, acalentamos a tristeza e admiramos o que só nossos olhos conseguem ver. 

Nem todos gostam do azul, nem todos usam vermelho. Porém, em algum momento podemos experimentar o que a oportunidade sugere, o que o coração transborda ou a mente recria. Mas, enquanto uns constroem, outros usam as fichas apostando em destruir, implantar medo e forçar situações.

Talvez hajam filas de valores ao vir para a Terra e cada um escolhe em qual deseja encarnar. Almas ainda testando a evolução e definidas em suas próprias consciências. Ao olhar para o mundo só enxergamos diferenças, algumas bem definidas, outras fantasiadas a fim de tentar ser o que sonham. A questão é que quando a humildade estiver sendo cultivada e a força for companhia, talvez a gente chegue onde quer, sem ter que afastar de ninguém a estrada que ele está a construir. 

Então, enquanto uns descobrem a cura, outros poderão ser curados. Mas isto é um mundo novo, onde a fila da virtude será uma só.

NAMASTÊ 


domingo, 12 de julho de 2026

O GRITO DA SAUDADE

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Quando a saudade se instala no peito, imediatamente a mente forma imagens, seja do lugar ou da pessoa. Cenários se tornam lembranças, palavras surgem como nuvens no céu e o coração chega a doer. A vontade é viver novamente aquilo que um dia marcou. É um olhar, um abraço, o sol batendo no lago, a paz em cima da montanha.

E, quanto mais pensamos e imaginamos tal época, mais externamos uma energia que, ao mesmo tempo é frustrante e impulsiva. O desejo de reviver alguns momentos é como néctar na experiência da vida. Tal energia é emanada pelo ar e viaja no espaço-tempo indo ao encontro de quem sentimos saudades. 

Não é à toa que os mais sensíveis e conectados espiritualmente acabam sentindo essa energia e entram em contato conosco, ou também pensam em nós ao mesmo tempo. No caso de momentos em determinados locais, estamos emitindo certa melancolia a eles. Da mesma forma que podemos sentir lugares cuja energia tem maldade e tristeza, outros têm paz e força.

É bom termos saudades! Isto significa que amamos aquele momento da vida, amamos tais pessoas e queremos novamente poder estar com elas. Saudades parece explicar o desejo de estar junto, de tocar, ouvir e olhar para alguém que estimamos. Se esta pessoa já não faz mais parte da vida é possível que estejamos nos conectando com sua energia espiritual. Não deixa de ser um momento em que há um reencontro através da imagem registrada na mente.

Lembrar não é o mesmo que sentir saudades. Esta é um coquetel de sensações boas no corpo, quase impulsiva o suficiente para que nos entreguemos a loucuras. Porém, ao mesmo tempo, quando acordamos e tomamos consciência do aqui e agora, nos sentimos desapontados, pelo menos momentaneamente, já que não podemos ter novamente aquele instante tão marcante. 

A saudade ajuda-nos a agir e, se realmente queremos, vamos nos inspirar, abrir caminhos e vencer obstáculos para que pessoas e lugares possam ser revisitados. Talvez nos inspire a rezar para alguém que precise de tal energia. Fato é que ter saudades não deixa de ser um sinal que a vida nos dá para que nosso coração possa ficar em paz, com a certeza de que o que é bom pode ser repetido, se movimentarmos o que parece impossível através da energia que enviamos. 

NAMASTÊ 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

CUIDE DO QUE PENSA

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)

Nos momentos de raiva, cansaço extremo ou desilusões, deixamos a mente descontrolada, sem um raciocínio condizente com o que sentimos por alguém. Apesar do momento cheio de fúria, sabemos exatamente o amor que sentimos. Talvez por causa deste amor tão intenso, não controlamos a frustração e nos deixamos levar pelo próprio orgulho da falta de equilíbrio em tudo.

Acontece que pensamentos são energia e, se não temos paciência para mudá-los, acabam afetando mais ainda as relações estremecidas e já deterioradas. Cuidar do que pensamos e falamos é necessário quando não conseguimos ser o ideal nos papéis que exercemos e que imaginamos. Isto é necessário para que um dia a culpa não nos corroa e o arrependimento por não ter sido mais amoroso no tempo certo seja a oportunidade perdida.

Seria mais fácil amar, se todos conseguissem ser perfeitos, mas tal perfeição vem de como a vida tem nos tratado. Muitos não se conformam com o que tem e se sentem angustiados, outros já sofreram tanto, que tornam-se amargos. Infelizmente, a busca por trabalhar sentimentos através da espiritualidade, ainda é inabitual. Deixar ir o passado é limpar tais pensamentos, colocar sonhos e projetar beleza na própria vida. Precisamos nos estimular a fazer isso.

A medicina usa drogas para acalmar os pensamentos, mas não os elimina. E a pessoa apenas amortece a vida, sem ter chance de expandir a própria consciência com a oportunidade de sentir a felicidade real. Enviar a energia de maus pensamentos para alguém que nem tem a sorte de poder se defender é realmente algo irresponsável, principalmente se sabemos o amor que temos por ela. 

Nossos pensamentos fazem mal também a nós mesmos, já que a energia é absorvida pelas células. A própria oração que o Senhor nos ensinou diz: " livrai-nos do mal, amém"! Este mal que o ser humano alimenta dentro de si e que vai se expandindo por tudo, até que ao olharmos no espelho, veremos nossa face sem luz, sem brilho e sem felicidade. O corpo aos poucos se acostuma com tal energia e vivemos fingindo que a vida é feliz, com extremo consumismo, vaidade e ilusões, mas por dentro vivemos uma deterioração que o tempo irá cobrar. 

Portanto, comece hoje a acreditar, a ser mais amoroso, a ter melhores escolhas nos próprios pensamentos, mesmo que pareça impossível. Porque só no tempo de Deus as coisas serão resolvidas e a vida de todos poderá ser mais leve. Acredite em si, ajude quem precisa de apoio ao invés de exterminar chances de recuperação, tanto física, quanto espiritual.

NAMASTÊ 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

VOLTAR TAMBÉM É BOM

 Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)



Amo viajar, ir para lugares que nunca conheci, principalmente aqueles que me ensinam algo. Quando viajamos, entendemos que somos maiores, que nossa energia é expansiva e que podemos ser mais do que o que somos diariamente. Não é sobre soberba, mas sobre despertar. Há uma grande diferença entre viajar para se libertar e viajar para mostrar poder.

A escolha de lugares diz tudo sobre cada um. Prefiro os simples que tenham muita natureza e os que me ensinem algo sobre a vida, o passado e as pessoas. Porém, cada um sabe como atingir seus sonhos e o que quer trazer na bagagem. Cada pessoa está no seu processo de despertar.

Uma viagem tem que dar sabor, tem que dar paz e aprendizado. Devemos voltar sempre com certezas. Algumas mudanças nas escolhas, no estilo ou na maneira de se ajustar podem ser necessárias para dar mais certo o encantamento e a leveza dos momentos. Viajar também é experienciar o mundo! Um mundo muito mais amplo do que o da nossa rotina. E quanto mais se viaja, mais entendemos pessoas e as conhecemos fora de seus padrões habituais.

Não sei os outros, eu amo viajar, porém também amo voltar para o meu ninho. Chega uma hora que estar junto a tudo que faz parte da minha vida é necessário, é pacífico e fortalece o coração. Ao visualizar da janela do avião a chegada em Curitiba, minha cidade querida, com um horizonte digno de um quadro de proporções infinitas, senti gratidão.

As cores iam do vermelho, laranja, amarelo, verde claro e azul, numa linha imensa, acolhendo a capital paranaense que já se iluminava com a luz nas ruas e casas. Senti libertação e paz! Fui grata a Deus por cuidar de mim e de todo o caminho que percorri, me trazendo de volta ao convívio do lar. Ao desfazer as malas, as lembranças físicas e emocionais que trouxe ficarão para sempre, contando cada passo que dei e cada lugar que me acolheu, com pessoas maravilhosas. E com a graça divina sempre encontro os anjos pelo caminho.

Mas como ninho é ninho, aquele lugar todo nosso, onde sabemos exatamente onde tudo está, com nosso calor e cheirinho, com toda energia e carinho, voltar é um dos melhores momentos da viagem. Sim, a rotina reinicia, desligamos o modo avião e voltamos a nos conectar com o aqui e agora. Mas tudo isso é parte de uma vida de crescimento, cuja maturidade só vem com o tempo, a consciência e a amplitude de um espírito livre. E o mais importante e transformador é a sensação de pertencer ao lugar. Sensação esta que nos ensina a dar valor ao que somos em essência.

NAMASTÊ