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Coração Aberto

Quando decidi escrever me senti uma borboleta saindo do casulo. E junto com ela saíram os sentimentos e os pensamentos que muitas vezes não conseguimos transmitir. Descobri que ser poeta é opinar sem medo, escrever é desvincular-se de segredos e expressar-se é viver intensamente.

JosiLuA

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

O FINAL DE ANO

Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)

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O que acontece nesta época, afinal? Tudo continua sendo o mesmo: o trabalho, as amizades, a família. Mas tem algo inexplicável com o final de ano. É diferente dentro da gente. É como se o peso das costas fosse amenizando, não aumentássemos tanto o valor das preocupações e relaxássemos o espírito. Espera! Será esse o tal "espírito de natal"?

Acho que tudo começa com as férias escolares, onde a correria da manhã e gritos de "pegue o casaco", " toma logo seu café", fosse trocado por uma boa espreguiçada e abraços de bom dia! Ah, como o mundo devia ser exatamente assim todos os dias!

O trânsito nas cidades vai diminuindo por conta da ausência dos estudantes, os ônibus vão menos lotados e os motoristas desestressam, conseguindo até ouvir e cantar a música no rádio. E o ambiente nas empresas parece até melhorar. As pessoas tornam-se felizes, falando sobre presentes e amigo secreto. A preocupação financeira ainda existe, mas com o sabor de mais um salário, o alívio para pagar ou adiantar aquela conta vai deixando a mente mais leve.

Eu não sei exatamente o que é, mas há alguma energia envolta em tudo isso. Ou talvez seja a soma de todas as energias do mundo, que vão aliviando e transformando a vida mais relaxada e feliz. Será o clima de festa universal que faz isso tudo? Luzes, enfeites e planos para juntar a família numa Noite Feliz?

Para mim, o final de ano é especial. Parece tocar o fundo do coração, trazendo lembranças e sentimentos de uma pureza imensurável. Quisera sentir essa coisa meio relaxada durante todo o ano. Talvez a vida fosse mais delicada. E não é especificamente por causa da festa de Natal. É algo maior, que está no ar, nas pessoas, na vida. Isso é o que faz tudo ser divinamente gracioso.

Em alguns lugares do mundo, a neve chega. Aqui para o sul do equador, inicia o verão. E com ele vem as manhãs ensolaradas, cheias de cantos dos mais diversos pássaros. O passeio nas ruas é mais vaporoso, observamos mais e não há pressa. Delícia de tempo!

O que acontece, talvez, é que as pessoas criam dentro de si algo como a chegada. A corrida está no fim e estou prestes a cruzar a faixa. Não interessa se na frente ou por último. O que importa é que estou correndo, estou no jogo. E estou pronto a recomeçar o desafio, cheio de esperanças e idéias para melhorar minha própria vida. Parece que durante a jornada isso não é possível. Por quê? Por que a força em nós é muito mais potente no final do ano?

É como se pudéssemos esquecer o passado e criar um novo mundo, só pelo simples fato de que após a meia-noite, tudo será diferente. Essa força é incrivelmente bela. É uma pena que a dispensamos no decorrer do ano.

Mas o final do ano chegou. Mais um mês e tudo "se renovará". Ou pelo menos queremos que isso aconteça. E, se entendermos que essa magnífica força de acreditar está em nós e não na época, talvez possamos mudar o mundo em qualquer época, em qualquer lugar.

Portanto, respiremos a energia que se faz presente neste momento e tratemos de modificar em nós a essência. Quem sabe assim, possamos brindar todos os dias um novo ano, um novo momento e um novo amanhecer.


NAMASTÊ

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

GOTAS DE CHUVA

Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)

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Apresse-se!
As gotas de chuva não duram para sempre.

Aproveite-as!
Deixe-se molhar, sinta-as no rosto.

Sonhe!
Ao fechar os olhos e senti-las rolar na face.

Refresque-se!
No calor cruel, a magia do frescor.

Rodopie!
Abra os braços e ventile a alma.

Gotas de Chuva... paralisam os pensamentos.
Tornam-nos extasiados.

Corra!
E perceberás um leve torpor,
uma sensação de liberdade!

E daí se molhar? Lavará e secará.
Apenas se envolva em cada gota.

Gotas de Chuva...
Aproveite uma vez esse momento...

NAMASTÊ

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

ANIVERSÁRIO CHEGANDO

Autora: Josianne L. Amend (JosiLuA)

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Como você se sente quando está chegando seu aniversário? Normalmente, há uma transformação em mim. Mesmo que esteja numa fase não muito boa ou chateada com algo, a esperança que vem dentro da gente à chegada de uma novo ano, parece fazer a fênix renascer das cinzas. E isso é tão bom!

Escrevo este texto hoje, pois meu aniversário será no domingo. E, em especial nesta semana, estou me sentindo em paz. Andei com alguns processos estranhos dentro de mim com relação a assuntos que não vou comentar. A idade nos faz cada vez mais pensar em nossas vidas, nas relações que criamos e como tratar delas da melhor forma possível.

Não há dúvida que vamos, aos poucos, ganhando uma certa solidão. Os jovens nos acham chatos e cheios de manias. E vão se afastando sorrateiramente. Eles não estão totalmente errados. Mas agora começo a perceber o quanto fui displicente em minha relação com meu pai. Minha mãe ainda vive, mas ele se foi. E posso perceber que se tivesse tido mais paciência com ele, hoje meu coração estaria menos doído de saudades. Quisera ter oportunidade de refazer o que fiz errado.

Mas, voltando ao assunto aniversário, bem ou mal, enfezados ou animados, saudáveis ou doentes, não devemos deixar de ganhar um abraço e ser feliz neste dia. Abençoados os que, mais uma vez, podem comemorar estar passando para outra fase. Olho para mim e vejo alguém quase realizada. Não totalmente, porque não pude fazer tudo que tive vontade de fazer. Falo em relação a profissões e viagens. O interessante é que, com o passar do tempo, fui me sentindo atraída por coisas que na adolescência ou juventude, ignorava. Daí, sem aquele furor de energia dessa época, vamos deixando passar.

Meu aniversário está chegando! E estou e sou feliz, pois a cada dia que se aproxima, me sinto revitalizada e cheia de ânimo. E decidi comemorar, convidando pessoas que estimo e considero especiais para mim. Muitas já me disseram que não vem participar e as entendo. Nem sempre a programação pode ser modificada. Outras, talvez não sejam tão especiais quanto imaginava. E outras, ainda, são muito especiais, mas entendo a distância e o pouco tempo para estarmos juntos. Mas o que quero dizer é que sempre tenho o lema " vai estar, quem deve estar"! E é só isso que importa.

Eu tenho sentido a presença do meu pai esta semana, com um largo sorriso, me olhando de algum lugar no universo, feliz com a mudança que estou sentindo dentro de mim. Andei com alguns desequilíbrios, mas um banho de cachoeira e a energização de um ser incrível de luz, mais a companhia de um beija-flor se banhando junto comigo, levou embora alguns sentimentos horríveis que grudaram em mim.

Se todos pudessem sentir o que a natureza nos faz, seria incrivelmente modificador para nossas vidas. Eu preciso da Mãe Terra. Aliás, sou fã dos quatro elementos. E quando preciso, busco.

Quero desejar a todos que estão lendo meu blog, que me seguem, que tenham seus dias natalícios cheios de paz e alegria. Neste dia tem que haver felicidade, nem que seja um pouquinho. Acreditem em vocês e no que há dentro de suas almas.

Acenderei uma vela, pois o fogo queimará meus sentimentos ruins. Assoprarei essa vela, pois o ar levará para longe o que não mais me importa para crescer. Lavarei mãos e rosto, me banharei com mais vigor, com as ervas da natureza, pois isso me limpará a aura, meu espírito e abrirá meus caminhos. E andarei descalça pela terra, para que a força telúrica me equilibre, agradecendo sempre à Mãe Terra pelo alimento e energia.

Um aniversário, não é só uma comemoração. Deve ser um ritual de agradecimento e amor. O meu está chegando. Parabéns, para mim! E que eu possa comemorar com amor, recebendo e dando abraços e sorrisos.

Obrigada Luz, NAMASTÊ

 

terça-feira, 20 de novembro de 2018

O MISTÉRIO DA ENTREGA

Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)

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Era uma casa sem muito amor. Aquela família vivia diariamente automatizada. Faziam tudo igual e mal se olhavam nos olhos. Acordavam, chamavam uns aos outros, se arrumavam, sentavam à mesa para o café, uns com aparelhos eletrônicos, outros já fazendo contas. Apenas uma única pessoa desta família observava seu alimento e o saboreava com gratidão. Além disso, ela também esperava uma oportunidade de conversar com alguém, mas todos comiam como robôs e estavam mais interessados nos seus objetos.

Mesmo assim, aquela única criaturinha era feliz, não julgava. Pois a maneira como vivia era de puro amor. Apesar de ser quase ignorada, o que lhe bastava era ter ao seu lado as pessoas que amava. E saber como elas estavam, o que faziam e como eram.

Convivia com aquilo há tanto tempo, que não reparara na própria solidão. Era suficiente estar ao lado delas. Às vezes sentia-se frustrada por querer contar uma novidade ou mostrar algo que tinha adquirido com esforço, sem que ninguém se importasse ou lhe desse ouvidos. Mas seu amor era tão intenso que acabava por deletar o sentimento de dor e tristeza no coração.

Um dia, para chamar a atenção no café da manhã, resolveu fingir que estava engasgando. Quem estava ao lado deu um tapinha nas costas e ouviu alguém dizer "tome um gole de água que passa". De nada adiantara fingir algo para chamar a atenção. Todos estavam mais interessados nas notícias e fotos das redes sociais, nos seus e-mails e toda forma de comunicação eletrônica.

Ela achava tudo aquilo uma bobagem, afinal a vida estava ali, à sua frente, mas todos tinham olhos apenas para máquinas. Preferia observar os passarinhos no muro da casa buscando comida, o sol brilhando por detrás das cortinas e os pequenos grãos de poeira brilhando através de seus raios, dançando, num balé fantástico pelo ar da casa.

Numa manhã, ela foi atender alguém que batia no portão e voltou com um pacote misterioso, entregue por um mendigo que levou alguns pães amanhecidos. Ela disse que não precisava, mas ele insistiu. Achou aquilo estranho. Não fez alarde, pois ninguém se importaria mesmo, já que estavam entretidos nos seus aparelhinhos e tv. Levou para seu quarto, abriu com certa cautela, bem devagarinho. E espantou-se com o que viu dentro da caixa: absolutamente nada! Ficou irritada a princípio, querendo ir atrás do mendigo e tirar satisfações da brincadeira boba. Mas relevou. Deixou a caixa ali, embaixo da cama mesmo e foi fazer outra coisa. Pensaria melhor sobre ela depois.

À noite, enquanto dormia, a caixa esquecida embaixo da cama começou a lançar uma luz fortíssima que tomou conta do quarto. Ela acordou assustada e a primeira atitude foi perguntar "quem acendeu a luz"! Mas ninguém respondeu. Resolveu levantar e viu que vinha da caixa. Pegou-a nas mãos e, meio assustada com aquilo, colocou a mão dentro dela para ver de onde vinha a luz. Apenas sentiu seu corpo vibrando, seu coração um pouco disparado, mas sua mente estava incrivelmente lúcida.

Não entendeu nada daquilo, mas achou interessante o que a caixa fazia. Contava ou não sobre aquilo para sua família? Será que eles a ouviriam? Entenderiam? Ou a achariam louca e a desdenhariam de novo? Resolveu tentar a sorte e mostrar a todos no dia seguinte no café da manhã.

Ao sentar-se, lá estavam todos já ofuscados pelos aparelhos, sem ter noção de que existem pessoas ao seu redor. Colocou a caixa em cima da mesa e a abriu. Ninguém se importou. Ela emanava a luz e ela disse: - vejam! Todos levantaram seus olhos para a caixa e perguntaram: - vejam o quê?
Vocês não vêem a luz? Perguntou ela. Eles riram e voltaram seus olhos para o que estavam fazendo.

Ela coçou a cabeça, pensou e sentiu-se meio boba. Mesmo assim, a caixa tinha se tornado um objeto querido para ela, pois aquela luz a fazia se sentir melhor, mais lúcida e animada. Ao sair de casa, encontrou com o mendigo sentado na esquina e resolveu questionar sobre a caixa. Ele olhou nos olhos da menina e disse: - Eu sabia que não erraria ao entregá-la a você. És a única naquela casa que enxerga a luz. Os outros, vivem por viver e estão tão preocupados com seus egos, que jamais poderiam abrir seus olhos e ver o que de mais belo existe no mundo. Poucos recebem este presente e o aproveitam de verdade. Não subestime nunca seu amor pela vida. Deixe que a luz te acompanhe sempre e um dia, terás a certeza de que nunca esteve sozinha, nem à mesa, nem em seus caminhos e nem em sua casa.

NAMASTÊ

 

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

MÁQUINAS ATUALIZADAS

Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)

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O que está acontecendo com o mundo que conheci quando era criança? Pessoas estão cada vez mais diferentes, valores sendo escoados pelos ralos, a falsa liberdade destruindo famílias, lares e relacionamentos. Tudo está tão diferente que, em alguns momentos, me sinto deslocada de minha própria vida.

Se compararmos a nós, seres humanos, com robôs elaborados por algum tipo de entidade ou ser, podemos chegar até a pensar que algum responsável pela manutenção dessas máquinas, está fazendo alguma brincadeira ou, no mínimo, trocou os materiais.

Tudo está fora do contexto e as pessoas, para se sentirem como peças raras e que não julgam nada, estão cada vez mais loucas, se é que posso dizer assim.

Quando vim para este mundo, passei minha infância tendo um cais para aportar sempre que precisasse. As mães faziam seus papéis de mulheres. Sim, porque, as feministas que me perdoem, mas as mulheres tem seus papéis na sociedade, assim como os homens. Então, eu tive uma mãe dona de casa, conselheira e observadora e um pai protetor e provedor. Isso é nosso porto seguro.

Daí, veio alguém mexer nas engrenagens e desregulou a vida cotidiana que transformava as novas máquinas em seres lutadores, trabalhadores e centrados. Tá, você conhece alguém que não se dava com seus pais. E daí? Era um em um milhão. Hoje ninguém respeita pai e mãe, há um desdém imenso pelos mais velhos, os jovens querem cada vez mais e se perdem na própria busca, as crianças já tomam remédios controlados para poderem estudar e até interagir com colegas. Sem falar na sexualidade exacerbada onde as mulheres acham que seus corpos são propagandas que vendem o produto nas danças, roupas e cirurgias.

Onde estão as vovós de saiotes e óculos que são a idealização de carinho, amizade e ensinamentos na culinária e até da vida? E os vovôs com suas enxadas ou marretes mostrando como se faz algo, sem ter que pedir para alguém? Estão escondidos nas tintas de cabelos, nas plásticas e nos bares à noite, misturando-se com jovens e não querendo saber de envelhecer.

Quem, e com que consentimento, trocaram nossas peças para criar seres tão estranhos, cheios de manias, que arrumam briga por tudo, que esnobam os menos abastados ou que se vendem para dizer a si mesmos o quanto estão felizes? Só podem estar se divertindo às nossas custas.

Ver mulheres saindo em prol do feminismo pelas ruas me faz questionar até que ponto são femininas? E os homens que hoje em dia não sabem pregar um prego ou se jogam em sofás com cervejas no colo durante uma tarde toda, fazendo cara de mau para não ser incomodados?

Esses realmente somos nós, seres humanos? Eu estou ficando velha, sim, mas vou levar comigo a felicidade de um tempo cheio de boas lembranças. Já me sinto deslocada ao sentir e ver o tratamento que temos dos mais jovens. Uma falta de respeito com quem já viveu o suficiente para saber alguma coisa da vida. Tínhamos tempo de brincar e correr nas ruas, nos parques e nos bosques. Onde está tudo isso, afinal? À noite, íamos para a cama cansados de viver. Hoje, as crianças vão para a cama sem sono, obrigadas pelos pais que, por correrem o dia todo para "ter mais", alegam não terem forças para brincar ou até conversar. E as pobres maquininhas vão enferrujando suas peças, algumas as perdem pelo caminho, sem saber exatamente como recuperá-las.

É triste sim ver um mundo em ascensão no progresso, regredir tanto na forma de viver das pessoas.  E muitos vão deixando para trás parafusos, roscas e peças importantes. Transformando-se em seres irreconhecíveis com o tempo. Mesmo tendo sido amorosamente bem feitos, fazem questão de se estragar. Pobres coitados que, com o tempo, estarão nos ferros-velhos.

Infelizmente cada um tem seu caminho e decisão. Não somos donos da fábrica de máquinas e nem temos o poder de modificá-las. Fomos criados para um auto-reconhecimento e controle. Temos que nos reciclar com diversos tipos de manuais. Alguns parecem ler os mais errados possíveis e se transformam em coisas. Outros, ainda se salvam, buscando aprender, consertar e ordenar-se a si mesmos.

Este é um mundo de máquinas atualizadas, mas gostaria muito que pelo menos o meu mundo voltasse a uns 40 anos atrás...

NAMASTÊ