Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)
Com o passar dos anos vamos adquirindo os bordões dos antepassados. Alguns são tão fortes que passamos adiante, para filhos e netos. Meu querido pai, do qual sinto grande falta na minha vida, colocava as mãos na janela do carro, quando saíamos de sua casa, dizendo sempre: "liguem quando chegar"!
Hoje sou eu que falo para a minha família, entendendo melhor o significado disto. O cuidado que temos com os que amamos e a ansiedade em vê-los protegidos é muito grande. E, quando estamos dentro do carro, às vezes achamos isso irritante ou engraçado, sem dar o retorno necessário para aliviar a tensão do coração de quem nos ama.
Fiquei pensando nisso esses dias, imaginando como queria novamente ouvir a voz de meu pai e, em algum momento falei para ele e sozinha, que estava bem. Tenho a sensação de sua presença vez ou outra, principalmente quando me sinto triste e um pouco de solitude.
Então pensei que esta frase poderia ser o que irei dizer no dia em que o reencontrar, porque acredito nisso. Imaginei chegando em algum lugar depois desta vida dizendo: - Pai, estou avisando que cheguei! E riremos juntos. Ele tinha vários destes bordões marcando sua presença com alegria e graça. Cheguei a dar a ele de presente uma camiseta com a frase " De lá não vem". Ele dizia isso toda vez que pensávamos vir um temporal na praia. Era uma forma de nos acalmar e não querer que fôssemos embora.
Pensando nestas frases, sinto que a importância delas só é realmente valorizada quando o autor já não se faz mais presente. E isto dói, porque só quando o tempo passa e vamos nos tornando iguais é que percebemos a beleza de tanto cuidado e amor. Hoje me sinto uma mãe e avó cujo zelo e preocupação exagerados podem ser motivos dos mesmos sentimentos que sentia. Mas fico feliz que eles me entendem e me retornam sempre, me deixando relaxar. Eles fazem o mesmo comigo.
Seria lindo se pudéssemos ligar quando chegássemos do outro lado da vida, avisando que estamos bem e que iremos cuidar dos que ainda não completaram o ciclo. Mas, como o mistério continua, que possamos viver nesta ilusão, esperando que avisemos sobre a nossa chegada, já que é mais difícil comunicar o momento certo de nossa saída.
NAMASTÊ

Lembranças que nos acalentam o coração.
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