Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)
Aprender a desapegar nem sempre é tão fácil. Talvez doar umas roupas, o brinquedo ou o livro não seja um incômodo, mas deixar para trás histórias e momentos, remexem muito com sentimentos que nos fizeram felizes, crescer e ensinar. É o caso de vender uma casa, por exemplo. Precisamos desapegar com felicidade, quando vemos que a vida seguiu rumos melhores, que a prosperidade veio ao nosso encontro.
Porém, nem sempre deixar o simples, o básico e o aconchegante por algo mais luxuoso nos fará tão ou mais felizes, do que aquele lugar onde encontramos a energia que se ajustava a nós. Podemos até sentir aquela pequena vaidade por ter algo que possa deixar os outros de boca aberta, mas às vezes, há um buraco no coração que não fecha. E nos sentimos meio deslocados quanto ao conforto, à praticidade ou algo mais profundo, como um ninho mais íntimo e cheio de histórias.
O desapegar tem a ver com toda bagagem que precisamos trocar da mente e do coração. Há um certo medo no novo, que pode ou não trazer a satisfação esperada. Acontece que se precisamos por algum motivo deixar para trás coisas e pessoas, talvez seja porque há necessidade de crescimento e sair daquele quadrado que já está saturado e sem vida. Nas relações isto sempre acaba mal, quando um dos dois ainda não desligou o botão seguir em frente, insistindo em transformar a vida numa guerra de força e poder.
Aprender a desapegar do que não serve mais, do que já não traz movimento e aprendizado na vida, parece ser uma diretriz para todos nós, já que o maior dos desapegos seja o espírito do corpo físico. E diga-se de passagem, muitos têm problemas com isso! Precisamos entender que deixar para trás não significa necessariamente esquecer, mesmo porque tudo está bem registrado na mente. Temos livros de dramas, terror, romance, comédia e tantos outros sentimentos, todos prontos a serem tirados de nossa biblioteca mental, desempoeirados e lidos. E é interessante notar que as lembranças surgem através de pequenas coisas como músicas, cheiros, imagens. E revivemos o que estava escondido, talvez na hora certa para ajustarmos as ações do aqui e agora.
Portanto, o deixar ir não se perde como imaginamos. Ele está escrito no arquivo do universo, pronto para ser resgatado, mostrando alegrias e tristezas, faltas cometidas que possam nos envergonhar, mas também atitudes enaltecedoras. Podemos lembrar de pessoas incríveis ou cuja energia só nos trouxe dor, de momentos agradáveis, lugares acolhedores, mas também de desespero e terror. O que precisamos é usar cada fato como um aprendizado para a vida, estando mais alerta para definir o melhor, através de uma consciência internalizada, adotando o aprendizado como uma melhora no próprio comportamento.
NAMASTÊ

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