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Coração Aberto

Quando decidi escrever me senti uma borboleta saindo do casulo. E junto com ela saíram os sentimentos e os pensamentos que muitas vezes não conseguimos transmitir. Descobri que ser poeta é opinar sem medo, escrever é desvincular-se de segredos e expressar-se é viver intensamente.

JosiLuA

terça-feira, 13 de novembro de 2018

MOMENTO DE TRÉGUA

Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)



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Pedimos trégua...
 
Não aguentamos mais o bombardeio,
as palavras mal ditas,
as ações mal interpretadas e
os olhares insensíveis.

Pedimos trégua...

Suportar o medo de não ser aceito é devastador.
Ser criticado pelo nossos ideais e sonhos é típico de invejosos.
O corpo não aguenta, a mente não resiste, o espírito adoece.

Pedimos trégua...

Porque precisamos nos encontrar,
encontrar a paz e a vida pulsante que tínhamos dentro de nós.
Então precisamos de espaço para sonhar e acreditar.


Por isso, pedimos que nos dê uma trégua!
Esqueça-me um pouco, deixe-me um pouco.
Alimente a si mesmo com o que é verdadeiro e único.
Coloque amor no coração!


Dê uma trégua para a vingança e as brigas,
para querer tomar o lugar que não é seu.
Deixe o mundo girar conforme o universo se move.
É assim que encontramos o que tínhamos perdido.


Pedimos trégua a tudo que perturba,

a tudo que se arrasta como lama grudenta a nossos pés.
Livrai-nos do mal, tende piedade da nossa alma,
e nos dê a trégua necessária para que possamos criar novos horizontes.

E que a trégua sirva para olharmos além das montanhas,
que sirva para acolhermos além dos nossos braços,
que manifeste em nós o espírito que perdoa, que acorda, que reage.

Faça uma trégua,
e entregue ao seu pequeno mundo,
a libertação para um mundo maior, 
que ainda não foi explorado.
 
NAMASTÊ

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

CANSAÇO

Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)

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Ando cansada.
Mas o cansaço vai além do corpo físico.
Ando cansada de fingimentos,
de tristezas, de monotonia.

Ando cansada de fofocas,
de mentiras e de pessoas artificiais.

Ando cansada da mesmice,
da falta de acontecimentos incríveis
e de surpresas agradáveis.

Ando cansada da bagunça,
de trabalhos repetitivos,
de histórias já ouvidas mil vezes.

Ando cansada da minha falta de paciência,
e de ver tanta coisa ruim no mundo.

Ando cansada da informação exagerada,
na falta de escrúpulos e
da degradação sexual e moral.

Ando cansada.
Talvez por isso alguns aceitem bem a própria morte.
Talvez a velhice nos faça enxergar que não dá mais,
que podemos descansar, desistir e nos entregar.

Nunca entendi o que era o "descanse em paz".
Agora começo a perceber.
Pois num mundo tão cansativo, onde tanta luta e frustração se chocam,
só um repouso do corpo limitado pode suprir a paz que buscamos.

E, se por acaso o outro lado tiver tudo isso,
que tipo de resultado somos?
E quando finalmente teremos o descanso?

NAMASTÊ

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

LIBERTAÇÃO

Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)

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Teu rosto aparece na brisa da manhã,
como um sopro de luz.
As coisas não são exatamente o que são,
consequência de uma mente perturbada e triste!

A energia se desfaz no meio do orgone universal.
Me sinto perdida, não sou amada, mas tenho amor.
Busco carente a imagem de teu rosto,
mas ela se foi... foi apenas um breve presente.

Por que libertar-se do amor,
se ele nos faz tanta falta?
Essa libertação é uma verdadeira prisão,
num mundo egoísta e insano.

Desenho no ar, espalmo as mãos,
mas nada mais desponta. Estou só!
Qual o real significado de libertação, afinal?
Lamento pelo que aconteceu e pelo que não aconteceu.

As ondas do mar são como mensagens do amanhã,
os raios de sol como estradas a percorrer.
Me sinto só, longe de qualquer tempestade, segura.
Mas tentando alcançar o infinito, só para ver onde é.

Teu rosto se desfez, tua energia vaga pelo espaço.
Talvez eu acesse sem saber, encontre sem sentir.
Você conseguiu a liberdade, ou a prisão é eterna?
Imploro que me seja permitido o consolo do teu olhar.

Estou à espera de que tudo seja uma ilusão,
algo que o mar levará, o sol aquecerá, o vento limpará e a terra cobrirá!
Algo que apenas venha me trazer,
minha libertação!

NAMASTÊ
 

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

GRANDES MISTÉRIOS

Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)

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Comecei a analisar algumas situações de minha vida e não há dúvida que somos um grande mistério mesmo. Vivemos nos perguntando por que isso, por que aquilo e apesar de justificarmos tudo de uma forma simplista, a questão é que não sabemos exatamente o que acontece.

A vida tem tantas fases, acontecimentos e fatalidades que nos deixa, muitas vezes, sem chão. Quem, como eu, que tem tempo de sobra para pensar, já que ama estar em casa, sozinha e aconchegada, deixa que o pensamento trabalhe solto. Mesmo nas atividades de casa, por não ser incomodada com vozes, perguntas e outras pessoas, a gente acaba pensando demais. E analisamos tudo minuciosamente, tentando achar respostas.  Mas nem sempre aparecem e esses são os grandes mistérios das nossas vidas.

Queremos constantemente definir o destino. O universo é um emaranhado de energias, inclusive as nossas, cruzando de um lado para outro. Isso justifica idéias iguais em locais diferentes, sincronicidades e as famosas "conexões de pensamentos", causando as intuições.

O ser humano precisa e quer acreditar em algo. Parecemos pendurados no penhasco pelo cipó. Entendemos que uma hora não aguentaremos mais e despencaremos. Mesmo assim, tentamos de todo jeito escalar e chegar ao topo para ter mais segurança. Mas, no íntimo sabemos que as tentativas, um dia, serão vencidas pelo cansaço. Não sei exatamente como surgiu em nós a crença de que somos eternos (energeticamente falando). Assisto a muito programas científicos e especulativos sobre a vida. Quero tentar entender, absorver e aprender. Talvez isso alivie minha alma da ansiedade normal que todos temos no futuro.

A questão é que nossa existência é tão misteriosa que talvez seja isso que faça nossa máquina movimentar-se em busca de soluções para nosso dia a dia. A resposta definitiva ainda não veio, apenas crenças. E acreditar que apesar de tudo haverá algo melhor (ou pior), faz de nós seres tão diferenciados em pensamentos, escolhas, ideais.

É um mistério o que há em nós, em nossa consciência e na forma como agimos e nos apresentamos perante a vida. Para uns parece tão fácil, para outros é complicado. Uns seguem um caminho de busca, beleza interior e aprendizado, outros de violência, desajustes e escuridão. Por que isso? Vocês devem estar pensando em educação, oportunidades e estrutura mental. Sim, pois não somos nada iguais. E talvez tudo isso possa realmente refletir em nós. Mas e as escolhas? Quando elas realmente são feitas? E por que escolhemos prejudicar, errar, destruir?

Se pudéssemos observar-nos num grande microscópio o que veríamos de diferente em nós? Será que, se olhássemos com os olhos do universo e observássemos a Terra e nós, entenderíamos alguma coisa? Será que somos constantemente analisados por algo maior, que ri às nossas custas ou se compadece com nossos sofrimentos?

É loucura tentar decifrar tanto mistério. E bem mais cômodo nos satisfazermos com respostas apropriadas com a história do mundo, das civilizações, dos acontecimentos, da ciência. E quantos de nós não sabem de nada, do real, do que escondem da população?

E assim caminhamos... com aquele sufoco dentro de nós, sabendo que há algo, mas não entendendo o que é esse algo e por que nos agita. Será que um dia reveremos antepassados, poderemos estar num estágio tal que o corpo físico seja superado pela inteligência energética e universal? E que tudo realmente faça parte do todo, que sejamos energia aptas a exercer algo maior, que hoje nem imaginamos ou sequer possamos definir. Ou será que tudo é nada, que apenas nos desmanchamos num universo repetitivo e sarcástico?

Seja lá o que realmente há, existe e movimenta, o cipó continua pendurado no precipício. E estamos nos agarrando a ele. Por vezes, um alguém qualquer nos sacode como marionetes e balançamos amedrontados ou caímos de vez. Em outras, ficamos tentando e tentando subir, com ou sem sucesso. E em outras ainda, só paramos para observar o que acontece ao nosso redor, esquecendo de nossas próprias vidas.

O grande mistério da nossa existência talvez não seja conhecido, mas possa ser trabalhado de maneira que só se continue. Não sabemos para onde, nem quando, já que nem o tempo parece realmente existir.

NAMASTÊ

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

AS NUVENS ESCURAS

Autora: Josianne L.Amend (JosiLuA)

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Quem nunca foi pego de surpresa por uma nuvem escura chegando, às vezes lentamente, às vezes tão repentina que não há tempo de nada? Nem de respirar? E muitas vezes, elas chegam num momento em que estamos felizes com a vida, noutros em que estamos fragilizados.

A questão é que nuvens escuras fazem parte da natureza e da vida. Elas assustam, mas também são necessárias. São elas que nos tiram a estagnação, fazem-nos acordar e tomar decisões imediatas. É óbvio que, por analogia, comparo "nossas nuvens escuras" com as da natureza.

Hoje, ao descer do ônibus, olhei para o céu e lá estava ela: uma nuvem muito escura, indicando que o dia de hoje poderá (ou não) ter um temporal. O parênteses é para entender que nem sempre o que se mostra a nós, acontece. Podem haver desvios, ventos soprando para longe e todo tipo de acontecimento que afaste de nós a escuridão. Mas é necessário estar precavido e atento aos fatos. Pois caso o temporal chegue, ele não fará tanto estrago na alma.

Metaforicamente falando, as nuvens escuras sempre escondem o sol. Então, sabemos que em algum momento elas vão se dissipar e as coisas se mostrarão mais claras. Mesmo que isso nos custe uma perda de amizade, de dinheiro, de alegria ou de saúde. Jamais as nuvens ficam estacionadas sem partir ou dissipar. Em algum momento, isso acontecerá.

Temos uma ânsia pela luz, pelo que é claro! Parece que há mais conforto quando tudo é iluminação. Somos assim, mesmo que alguns façam questão de se virar para as trevas. Bom, levando em consideração que o universo precisa de equilíbrio, talvez isso faça parte. Se levarmos em conta que eles sejam as nuvens escuras, com certeza sabemos que  desaparecem mais facilmente do que o sol.

Voltando ao assunto, essas nuvens que aparecem em nossas vidas, fazem chover alguns sentimentos que são como agulhas no coração. Já ouviram falar da chuva ácida? Ela é real. Prejudica a saúde. Pois bem, a chuva de palavras e atitudes de algumas pessoas que são as nuvens escuras de nossas vidas, também tem esse efeito. Por vezes, elas nem se dão conta que, sobrecarregadas, resolvem ser essas nuvens. Aparecem em nossas vidas e "chovem" em nós com seu ácido, seu veneno. E quase nunca percebem que, aos poucos, vão minando a terra sob nossos pés e criando barreiras nos relacionamentos.

Infelizmente, muitos desses relacionamentos acabam por falta de cultivo e de água límpida. Sim, porque algumas nuvens, apesar de escuras, desabam água potavelmente aceitável e necessária para que o que estava morrendo, novamente floresça. De um jeito ou de outro, seja pela dor ou pelo amor, precisamos criar coragem de mudar ou romper laços que não nos servem mais.

Com certeza você já ouviu alguém dizer que "tomar um banho de chuva lava a alma"! Porque parece que naquele momento estamos recebendo algo novo em nossas vidas e deixando-nos banhar pelo prazer e pela novidade. Chega a ser engraçado, divertido, quando conseguimos rir de nós mesmos.

Portanto, preste atenção nas nuvens negras que vem na sua vida. Elas podem dar uma paradinha, podem parecer que não sairão nunca, mas sairão. Vão chover tudo que tiver para chover, ou apenas escurecer-nos. Mas o sol voltará a brilhar! Tudo que temos a fazer é perceber o pequeno raio de sol que às vezes se esforça entre as nuvens. Não devemos ser tão exigentes e querer que toda a luz apareça de uma vez. Aproveitemos o momento para refletir e abençoar aquilo que, aos poucos, vem para nós.

Infelizmente, as chuvas ácidas e cheias de espinhos que nos tocam pela vida, vão deixando marcas. Algumas serão profundas, outras esquecidas. Mas tudo isso somos nós, nossas vidas, nossos sentimentos, nossas rugas. Cada um de nós é um ser único, até porque as relações são diferenciadas em nossas vidas. Alguns tem a sorte de deletar mais facilmente (ou fingem e sofrem mais), outros levam a mágoa por toda a vida.

Neste momento, ao terminar este texto, aquela nuvem escura que vi ao descer do ônibus está desabando. Mas eu posso reclamar ou simplesmente admirar o sabiá buscando comida na grama no meio da chuva.

NAMASTÊ