Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)
De repente parei. Fiquei inerte, olhando o nada. E o nada olhou para mim.
A respiração trancou e o coração acelerou. O tempo não se contava, apenas existia.
Era uma batalha, onde eu sentia o vazio, mas o nada me paralisava.
No fundo, não pensar, nem sentir, era bom. Trazia uma certa serenidade na alma.
Ao mesmo tempo, queria dar um passo e ficar estática. Não conseguia decidir.
Fechei os olhos e me deixei envolver pelo nada. Paz, só paz!
Ele não era ruim, apenas silencioso, calmo e sem vida. Algo inexplicavelmente sereno.
O perigo está justamente em gostar demais do nada. Ele absorve, hipnotiza e relaxa a tempestade interna. E nos sentimos como o mar sem ondas, sem vento. Só mar...
Quando me dei conta, o nada estilhaçou-se à minha frente. Aos poucos abriu-se uma porta de sons e imagens.
Algo parece ter dado corda novamente em mim. Pisquei algumas vezes os olhos e olhei ao redor. Estava tudo ali.
O nada tinha sumido para dar lugar a tudo!
NAMASTÊ

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