Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)
É, o tempo parece que está voando mesmo. Fui até a panificadora e comecei a reparar que meus vizinhos estão indo embora. Aqueles que passaram grande parte da vida nos cumprimentando, parando para conversar ou nos ajudando de alguma forma. Algumas casas estão com placas de "vende-se" e as casas estão vazias. Uns estão doentes e precisando da família, outros simplesmente não querem mais ficar sozinhos.
Comecei a pensar que este ano alguns familiares e conhecidos deixaram de viver e que aquela época em que nem pensávamos nisso foi embora. Uma nova geração começa aos poucos a se despedir, uns muito rápidos e outros silenciosamente. E estou entrando nesta geração, me preocupando em como tudo irá ficar para trás. Percebo que a gente apenas deixa de existir e a vida continua normalmente. Tem que continuar!
Seria bobagem escrever sobre como queremos que seja nossa despedida? Na verdade, velórios são tão frívolos que sempre achei meio constrangedores. Mas, voltando ao tempo, casas vazias e pessoas antigas colocando suas posses em caminhões de mudança trazem uma certa melancolia. Nos acostumamos com aquela vizinha das plantas, ou o senhor que costuma sentar-se embaixo da árvore em frente de casa, num painel decorativo para nossas vidas. De repente, eles somem como se alguém resolvesse passar o pincel na tela.
Esses "amigos" da vida deixam suas histórias que nos contavam com alegrias ou desespero. Nossas casas vão passando para outras mãos que, ou são transformadas completamente, ou se instalam apenas dando uma nova personalidade. Os que ficam aprendem a receber os que chegam tímidos ou percebem o antisocial tentando ser gentil. Sim, a vida é um carrossel girando sem parar e alguns vão caindo fora na força centrífuga.
Como sou meio nostálgica, certos acontecimentos me fazem pensar na vida e em como o frenesi nos afasta dos bons tempos em que os avós, pais e vizinhos traziam as cadeiras para frente das casas, fumavam os palheiros ou tomavam o chimarrão, contando causos, enquanto a criançada se encontrava na rua para correr e brincar. Isto ia até o sol se pôr, mas nas cidades grandes não se vê mais. Talvez no interior.
Enfim, uma simples caminhada até a panificadora me inspirou a perceber melhor a vida. Portanto, sugiro deixar o carro na garagem e aproveitar melhor a sua, observando as pessoas e os acontecimentos que estão ocorrendo. Aproveite! Tem muita história para sonhar e viver!
NAMASTÊ

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