Autora: Josianne Luise Amend (JosiLuA)
Há uma diferença entre o que eu acho de minhas atitudes e o que os outros pensam delas. Nas nossas cabeças podemos estar pensando que é o certo, pois foi assim que nossa história nos fez pensar. Agimos como sentimos ser o correto e o ideal para cada momento, sem refletir se existem outras saídas ou outras formas de nos expressar. Algumas vezes, ferimos! Porque assim somos nós! Cheios de antes e durantes, o agora é como aprendemos com a vida a nos defender e nos posicionar.
Toda mente é um receptáculo de lembranças que nos chicotearam, nos transformaram e nos causaram dores tão profundas, moldando hoje nossa personalidade, nossa maneira de ser com o mundo. Quando admiramos alguém pela forma que age, talvez seja uma pessoa que foi mais amada, acolhida e teve menos tensões na vida. Talvez seja aquele que teve mais oportunidades de se encontrar, ou apenas seus sentimentos tenham desmoronado a tal ponto que hoje não têm mais tanta sensibilidade, só aceita e quer viver. ("Pouco importa o que os outros sentem, porque o importante mesmo sou eu! E eu me bloqueio contra o que não quero ouvir, nem sentir"!)
Cada corpo neste planeta é um livro de histórias. Histórias boas e ruins, que vão grudando na memória celular. E só nós sabemos os dias em que a dor nos consumiu, o choro foi silenciado e a responsabilidade jogada nas nossas costas, quando nem ao menos entendemos o significado disto. Achamos que agimos certo, mas o mundo nos culpa. E vamos saindo de cena, nos transformando mais uma vez, ganhando adjetivos de carrancudos, antipáticos ou depressivos. E tudo que queremos é nos entender e talvez, só talvez, entender o mundo. Porque a maturidade também cansa. Cansamos de pisar toda hora em ovos para não ferir aquele que está fragilizado, quando nós já quebramos faz tempo e usamos cola para juntar os caquinhos. Cansamos de tentar opinar, quando na verdade ninguém quer ouvir nossa voz, apenas ouvir a própria voz. Cansamos de aparecer, de fazer parte do grupo enlouquecido, de ser apenas um suporte para amenizar a consciência de todos.
E vamos curvando as costas com tantas bagagens, vamos andando mais devagar porque o peso do corpo está além do que as pernas suportam. Não pela gordura corporal, mas pelas dores, tristezas e mágoas que transbordam pelas células, envelhecidas e murchas.
Todos só se lembram de nós de verdade, no dia em que nos despedimos da vida. E lá estaremos nós sendo vistos de verdade, quando na vida passavam por nós e nem nos olhavam por completo. A dor estará selada para sempre. E como agíamos, será só um fato, uma história.
É difícil ser justo e coerente num mundo que deveria ser menos cruel em termos de palavras e atitudes. Mas cada um sabe como quer e como pode ser através de sua índole e consciência. É viver numa gangorra onde o outro nos eleva, mas também nos faz cair. Tudo de repente, sem avisos. E a alma se assusta ou se diverte.
Ganhamos papéis, títulos e todos com regras rígidas cuja mente briga eternamente com o coração. Não faça, não aja, devia ter sido assim, errou... Frases continuamente bombardeadas sobre a fragilidade de um corpo, esmagado pela energia do pensamento universal. E vamos voltando à posição fetal, nem que seja só no pensamento. Quem somos nós, afinal? E por que não encontramos o verdadeiro equilíbrio vivendo satisfeitos e felizes por completo? A resposta talvez esteja justamente no processo de crescimento e despertar para cada ação errada e pensada, para cada atitude tomada de improviso sem serem medidas as consequências e para cada palavra saída de nossas bocas sem perceber o que causamos às pessoas. Para equilibrar, precisamos ir testando os pesos e medidas.
Talvez muitos nem se importem com o que provocam, outros por sua vez, ficam eternamente angustiados com este peso da responsabilidade em mudar o rumo das vidas. São vidas, são histórias de vidas, somos nós! Seres moldados com argila, secando e se enrijecendo ao calor das emoções. Incompreendidos e incompreensíveis. Trabalhando para nos descobrir e ter um pouco da paz que todos precisam para seu próprio espírito. Busca eterna e continua...
NAMASTÊ

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